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Hoje é aniversário de uma das figuras femininas mais importantes da história do rock: a filadelfiana de nascimento, californiana de música e novaiorquina de sotaque Joan Jett!

Joan Marie Larkin nasceu em um 22 de setembro exatos 53 anos atrás. O nome Joan Jett veio em 1975, pouco antes de ela entrar para a primeira banda de rock formada somente por mulheres, The Runaways. Aos treze anos, pediu uma guitarra de Natal para os pais e ganhou uma! Depois de ter tido uma experiência ruim com um professor que se recusava a ensiná-la a tocar rock (a cena está no filme The Runaways, em que Kristen Stwart interpreta Joan, e é uma das poucas cenas verídicas do filme), comprou um livro de “como aprender a tocar guitarra sozinho” e aprendeu na marra. A primeira música composta por Joan foi “You Drive Me Wild”, gravada pelas Runaways em 1976.

Joan tem um lugar garantido nos 100 maiores guitarristas da história na revista Rolling Stone, ocupando o lugar 87 e sendo parte do seleto número de duas mulheres na lista (a outra é Joni Mitchell). O hit “I Love Rock ´N´ Roll” é considerado pela Billboard a 89ª melhor canção pra se tocar na guitarra de todos os tempos.

Pessoalmente, admiro a Joan por seu discurso coerente no que diz respeito às mulheres no rock e em seu posicionamento firme sobre o assunto. Ela reconhece que rock por mulheres é e será por algum tempo algo considerado ofensivo e visto com muito receio por parte da comunidade masculina. Isso porque, de acordo com Joan, rock and roll tem algo de muito sexual e isso confere um poder que os homens não querem abrir mão. Tanto em sua carreira com as Runaways, quanto em sua carreira com os Blackhearts, Joan sofreu muito preconceito por ser rocker e por ser mulher. Nessa entrevista, ela conta algumas das situações difíceis que enfrentou e como lidou e superou essses problemas.

No entanto, o que me faz gostar da Joan apesar de todas as suas controvérsias (vulgo Kenny Laguna, mas isso é assunto pra outro post) é o fato de que ela nunca usou sua sexualidade e sensualidade para ganhar dinheiro. Obviamente que Joan Jett é uma das mulheres mais bonitas e sensuais que já existiram, mas ela nunca pousou nua e nunca se colocou na posição de objeto. Pelo contrário, Joan expressa sua sexualidade e sensualidade o tempo todo, mas sempre na posição de sujeito, sempre como uma escolha, nunca como imposição. Diferentemente de Lita Ford que virou uma espécie de deusa do sexo pros marmanjos do heavy metal, Joan virou ícone para as mulheres que desejam expressar sua sexualidade sem medo de ser feliz, sem medo de ser taxada de vadia e sem ter como objetivo virar poster de oficina mecânica.

E falando em sexualidade, Joan Jett é uma das celebridades mais discretas quando o assunto é sua vida sexual. Apesar de já ter sido vista com homens e mulheres, Joan não fala nada a respeito de sua orientação sexual. Ela diz que quer que as pessoas foquem em sua música, em seu trabalho e em suas idéias e não no que ela faz entre quatro paredes. Eu respeito muito essa posição e acho que é por aí que a banda toca mesmo. Rumores existem e existirão sempre, mas o que importa é o legado musical e as idéias defendidas e não a fofoca.

E falando em idéias, Joan é militante do PETA e ao contrário do que muita gente pensa, é vegetariana convicta, não bebe, não fuma e não usa drogas desde o final dos anos 70. Cool Joan! Ela ainda é fã de esportes, inclusive, pratica muitos deles, e já fez campanha pela liga feminina de basquete estado-unidense. Nos anos 80, ela foi de ônibus fazer turnê na antiga Alemanha Oriental e diz que foi uma das experiências mais incríveis de sua vida.

Ela continua ainda na ativa fazendo turnês pelos Estados Unidos com sua banda Joan Jett & the Blackhearts.

O video fala por si só:

Então, classificar mulheres em santas ou vadias sempre existiu na história da humanidade. O imaginário construído em torno do corpo feminino sempre prezou essas duas categorias, como se uma mulher fosse um extremo, nunca uma coisa no meio. Aceitar e reafirmar essa idéia é contribuir para um sistema que oprime as mulheres e sua definição como indivíduo. Okay, mas o que isso tem a ver com a Sandy?

Ué, tem tudo a ver com a Sandy. Afinal, durante muitos anos ela foi categorizada no lado Santa/Virgem/Boazinha enquanto outras cantoras, por exemplo, a Wanessa Camargo, era mais pro lado da Demônia/Vadia/Maliciosa. Então a Sandy resolveu que não queria mais ser vista como Santa/Virgem/Boazinha, porque poxa, afinal ela é um ser humano em toda a sua complexidade que não pode ser simplesmente rotulado sem mais nem menos por uma sociedade injusta e preconceituosa. E aí temos toda a batalha de Sandy para mostrar que tinha o seu “outro lado”:

Admito, eu vivo maquiada
Minha vida é mesmo tão sofisticada
Saiba, esse glamour não dura o tempo inteiro
Eu também preciso ir ao banheiro

A princesa também sente,chora,sofre,
Sonha e ouve não
Eu prefiro a verdade a essa discutível perfeição

http://www.vagalume.com.br/sandy-leah/discutivel-perfeicao.html#ixzz1GUZmBAXK

Okay, todo mundo realmente é assim e não tem problema algum em querer mostrar o que você realmente acha que é, se libertar de amarras, de rótulos, de antigos preconceitos. O problema é que, óbvio, ninguém comprou essa (a música é bem ruim, né? Sorry XD). Não que não tenham comprado porque é mentira, mas porque a sociedade, como eu disse antes, está acostumada em dividir as mulheres em dois grupos: ou é santa ou é vadia. Não tem a categoria normal!

Ciente de que não estava dando certo, Sandy deixou esse lance pra lá e foi fazer carreira solo, casar, viver a vida. Sumiu por um tempo. Até que agora volta e decide que, bem, já que não tinha dado certo se mostrar normal e ser santa era um saco, então vamos ao lado Devassa!

De um extremo ao outro. Tentar se livrar de um rótulo caindo em outro. É uma estratégia que até funcionou com outras cantoras. Quer dizer, alguém ainda acredita que a Britney Spears foi assim?


“Liberar geral” com o rótulo de devassa surtada libidinosa e, muito questionavelmente, autêntica traz toda uma carga negativa. É engraçado, a sociedade te rotula “okay, ela é devassa” mas depois te escracha por isso. Ou alguém ainda tem dúvidas de por que a mesma Britney virou isso?

Tentar ser normal é algo que simplesmente não é aceito e se alguém tentar, vai receber o rótulo de esquisitona, potencialmente sapata, por insistir nessa idéia absurda é ser você mesmo.

Frequentemente taxada de chata por conta dos aaaaaaaaaaaah oooooooooooh uuuuuuuuuuuh em suas músicas.

"Que cabelo é esse? Como assim?" Dolores O´riardan, da banda irlandesa ´The Cranberries´ inspira suspeitas na sociedade em geral.

Luiza Possi, apesar de talentosa, não consegue engrenar a carreira porque simplesmente é normal demais. Muita audácia!

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Bjork inspira medo em geral. Um seleto grupo de fanáticos a adora, mas who cares???? Ela é autêntica demais!!

 

 

 

 

 

 

Essa questão toda é muito complicada e a grande maioria das mulheres talvez não consiga ter força o suficiente para bater o pé e sair fora da dicotomia santa/demônia. E não vamos culpá-las, pois é uma decisão difícil e que envolve muito preconceito.

Agora, voltando à Sandy. O assunto tem sido debatido imensamente, com gente defendendo e atacando a moça. A coisa chegou a tal ponto que programas de rádio têm feito uma espécie de bate-papo com seus ouvintes masculinos com a seguinte pergunta: “Você prefere a santinha ou a devassa?” A resposta, obviamente, é a mesma batida de sempre: “Se for pra pegar, a devassa; mas se for pra casar, a santinha”. Como se não existesse alguma coisa no meio. Mas enfim, não é objetivo desse post discutir isso.

Qual meu problema com a Sandy devassa? Simplesmente porque não combina! É forçado, é artificial, é não-natural, é ensaiado, é moldado, é ridículo. I´m sorry, Sandy, mas você não nasceu pra pole dance nem pra danças sensuais. Simplesmente não combina com você, aceite isso!!!! Eu também não consigo cair nesse esteriótipo, pra mim não cola. Vamos viver com o que somos? Poxa, a Sandy é carismática, não é devassa. Reveja o video lá de cima e veja como a coisa tá simplesmente fora. E isso não porque acho que ela é santa, mas porque acho que ela é normal, que não entra no perfil feme fatale. Além disso:

Poxa, por que você faz propaganda de um produto que não gosta? Pra que você precisa fazer essa propaganda, Sandy? Você tem dinheiro, tem uma carreira, tem investimentos. E ainda mais de bebida alcoolica, que é uma indústria absurda, que engana e seduz as pessoas. Por que? Só pra querer sair do perfil santinha? Se você queria tanto assim, por que não tentou ser uma mulher de verdade? Por que querer ser ela?

 

Se você pode ser simplesmente você?

ENQUETE!

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