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E finalmente mais um post da sequência que conta a história e a discografia da banda estado-unidense The Runaways e nada mais apropriado do que voltar essa coluna com a parte mais memóravel da história da banda que é a turnê japonesa de 1977.

Lembrando que esse post é parte do projeto Born to Be a Runaways Fan e que as fontes que eu uso para contar essa história são depoimentos ligados às integrantes da banda. Para conferir o que aconteceu nos anos anteriores da banda, clique aqui, e dê uma checada na bibliografia!

Depois da gravação de Queens of Noise, a Mercury Records, então gravadora das Runaways, investiu pesado em marketing para o novo álbum e para a nova turnê. A campanha englobava a confecção de camisetas, outdoors pela cidade e uma nova turnê nacional que dessa vez foi feita de avião e não num carro apertado, o que demonstrava um aumento da popularidade e do arrendamento da banda, o que não significava, é claro, que as garotas estivessem recebendo algum dinheiro.

Cherie Currie em sua biografia conta que bandas como Cheap Trick e Tom Petty abriram shows das Runaways nessa turnê e que as rádios tocavam suas músicas. Mas Cherie conta ainda que essa foi uma época tensa entre as membros e que havia situações difíceis como lavar a roupar no banheiro do hotel, coisa que Lita ensinou. Antes disso, elas todas estavam vestindo a mesma camiseta suada  e nojenta e jeans sujos todas as noites.

Foi nessa turnê que a banda tocou mais uma vez no CBGB´s, a lendária casa de shows em Nova York. A primeira vez foi em agosto de 1976, e tem umas fotos bem legais dessa época aqui.

Logo depois da turnê nacional, surgiu a possibilidade de se fazer uma turnê no Japão. A banda liderava a importação de discos por lá, ficando atrás só dos Beatles e do Led Zeppelin para se ter uma idéia. “Cherry Bomb” foi hit nas rádios japoneses e a idéia de uma turnê de dois meses no verão de 1977 pareceu uma grande oportunidade para os produtores da banda e para a Mercury Records.

Mas ninguém esperava por isso.

Estrelas no Japão

O enorme sucesso da banda no Japão até hoje é motivo de especulação por parte de fãs e das próprias integrantes da banda, que, acostumadas aos maus tratos e humilhações nos Estados Unidos, foram surpreendidas com o tratamento de estrelas internacionais em Tóquio. Sobre a surpresa e a fama que foi a estadia japonesa, Joan Jett disse:

Nós éramos grandes, como os Beatles.Tudo foi muito inesprado. Ninguém nos disse que éramos bem consideradas lá. Nós passamos por um monte de merda nos Estados Unidos e um monte de merda na Inglaterra também. Apesar de que eles eram um pouquinho mais receptivios e um pouquinho mais compreensivos na Inglaterra, mas mesmo assim passamos um monte de merda. Mas quando chegamos ao Japão, era literalmente como se fôssemos os Beatles, mas eram as garotas que eram os fãs. Nos EUA e na Europa, a maioria era caras gritando “Tirem a roupa!”. No Japão, onde mulheres são realmente consideradas cidadãos de segunda classe, milhares de garotas estavam nos seguindo pela rua com escovas de cabelo dizendo “Escove seu cabelo”. Elas não queriam ser rudes e rancar seu cabelo, então elas te davam uma escova de modo que você poderia pentear o cabelo.

http://www.juicemagazine.com/JOANJETT.html

Pegar fios de cabelo como souvenir e serem perseguidas pela rua foram somados a presentes no hotel, flores nos quarto de hotéis cinco estrelas, jóias e quimonos de seda. Os shows eram lotados com uma plateía fanática e fiel que ficava em fila para ver suas ídolas ao vivo. O resultado foi um estouro nas rádios do Japão, a gravação de vídeos, entrevistas e performances na TV japonesa. São esses os primeiros vídeos que temos de The Runaways tocando ao vivo.

Vídeo produzido com a banda. O som é playback:

Vídeo do show ao vivo na TV:

É difícil entender o sucesso da banda no Japão, principalmente ao se pensar que a base de fãs era toda composta por mulheres, que tradicionalmente são reprimidas na sociedade japonesa. Entender porquê rock ´n´ roll nervoso com letras que falavam explicitamente sobre sexo cantadas por adolescentes em roupas insinuantes foi bem aceito pelos japoneses é um mistério pra mim. (Alguém por favor tem uma teoria interessante?) Imagino que o fato de The Runaways ser uma banda bem visual possa ter chamado a atenção dos japoneses e também as mulheres podem ter visto nessas garotas um espelho para seus próprios desejos de rebeldia. The Runaways, inclusive, inspirou a criação de uma banda de rock japonesa só com garotas, as GIRLS.

Cherie Currie: no centro da banda

A briga para ser o centro das atenções era uma das estratégias utilizadas por Kim Fowley e Scott Anderson a fim de fazer com que a banda ficasse sob o controle deles. Se bem que antes da turnê japonesa, Scott Anderson já tinha deixado de ser o gerente da banda e sua saída não é bem explicada. Cherie diz em sua biografia que provavelmente ele pediu um aumento e Kim Fowley negou. Mas a estratégia de segregação de Fowley continuava.

Cherie, por ser a vocalista, tinha mais atenção da mídia. Seu visual produzido e  o escândalo do corpete também ajudava em fazer dela o centro visual da banda. Mas isso não era visto com bom olhos pelas outras integrantes. Jackie, no documentário Edgeplay, diz que Cherie nas Runaways era a pessoa mais egoísta que já conhecera. Em sua biografia, Cherie diz que Jackie era insuportável porque sempre reclamava de tudo e condenava o abuso de álcool e drogas por parte das outras quatro. Mas é estranho porque Jackie afirma em seu blog que ela e Cherie normalmente se davam bem e na primeira versão da biografia de Cherie, “Neon Angel: The Cherie Currie Story” ela diz que Jackie era a pessoa mais sã e legal da época. Vai saber qual era verdade. Cherie é descrita sempre como uma drama queen mor que muda a versão dos fatos dependendo da época.

Cherie e Lita na turnê de 1976. Tensão eterna...

Mas parece ser verdade que ela se dava bem com Joan e com Sandy de maneira mais geral. Inclusive, em Edgeplay Cherie confessa que teve relações sexuais com as duas, mas que nunca foi nada sério, uma vez que só estavam “experimentado” com a questão da bissexualidade que ganhou destaque na época. Sandy não comentou nada sobre o fato, mas é verdade que a amizade entre Cherie e Sandy permaneceu após o fim das Runaways. Quanto a Joan, apesar de elas terem se afastado, a cena de sexo entre as duas está presente no filme The Runaways que foi produzido por Joan, então imagino que haja alguma verdade aí sim.

Mas uma coisa parece quase certa: Cherie não se dava bem com Lita. Em todas as versões, de todas as membros da banda, há relatos de brigas sérias entre Cherie e Lita que beiravam a agressão física. Em sua biografia, Cherie diz que normalmente era Sandy (a mais forte fisicamente da banda) que apartava as duas. E não era só uma questão de desagrado pessoal, Lita e Cherie eram diferentes em relação a quase tudo. Enquanto Cherie apreciava músicas mais melódias, Lita pendia pro heavy metal. Lita criticava os vocais de Cherie e suas composições e tinha muito ciúme da atenção recebida por ela. Isso porque, tecnicamente, Lita também recebia muita atenção devido a sua posição de destaque como guitarrista solo.

Foto do suposto "livreto da turnê" com as fotos sensuais de Cherie...

Mas a atenção delegada a Cherie na mídia japonesa (repare que ela é quem descaradamente mais aparece em TODOS os vídeos) explodiu com a banda toda quando, ao chegarem no quarto de hotel, a banda encontrou um livreto da turnê das Runaways contendo quase que exclusivamente fotos de Cherie. E pior, fotos sensuais de Cherie que foram tiradas antes que  banda fosse para o Japão e sem o conhecimento de ninguém.

Cherie, obviamente, disse que não sabia que as fotos teriam conotações tão sensuais (ahãm) e que pensou que todas da banda teriam suas foto solo. Mas a situação não ficou bem com o resto da banda, que achava que Cherie estava indo justamente na direção do que ninguém queria que era de posar de garota sexy para chamar a atenção. Na cabeça de Joan e Sandy, principalmente, aquilo era o que a banda menos precisava se quisesse ser levada a sério. A imprensa estado-unidense, principalmente, ainda colocava as Runaways como uma banda montada e projetada por Kim Fowley que não tinha talento nem vontade própria.

O clima ficou tenso, mas o glamour da turnê japonesa dispersou as más vibrações. E quanto a Cherie ela diz em sua autobiografia que começou um relacionamento com um cantor latino famoso da época que também estava em turnê no Japão (alguém sabe quem é?) e que eles chegaram a ficar noivas, mas a família dele proibiu o relacionamento.

Esse vídeo abaixo é composto de trechos de performances ao vivo da banda e uma breve entrevista com as integrantes. Interessante reparar a personalidade delas a cada comentário:

A turnê no Japão fez tanto sucesso que a banda gravou um álbum ao vivo que é a compilação de músicas de 7 shows diferentes mais tarde masterizadas e retocadas em estúdio. Live in Japan é considerado melhor álbum da banda e capta com muita precisão do que The Runaways é feito: energia pura.

Título: Live in Japan

Lançamento: 1977

Gravadora: Mercury Records/ Polygram

Produção: Kent J. Smythe e The Runaways

1. Queens of Noise (Bizeau): versão incrivelmente superior à de estúdio com Cherie cantando o primeiro verso e Joan e Jackie o segundo. Ao vivo a música ganhou mais força nas guitarras e mais energia. É essa a forma que se tornou mais conhecida entre os fãs e virou um clássico da banda.

2. California Paradise (Fowley/Jett/Krome/West): essa versão é tocada de forma mais rápida e com mais intensidade. A bateria de Sandy West está bem melhor do que na versão de estúdio, assim como como as guitarras de Joan e Lita, que ganharam mais destaque. E solo de Joan ao vivo, raridade!

3. All Right You Guys (Danielle Fay/Bob Willingham): essa música só possui essa versão e nunca foi gravada em estúdio. Gosto particularmente do baixo de Jackie na faixa e do modo que ele acompanha as guitarras. Um das melhores linhas de baixo de The Runaways, com certeza.

4. Wild Thing (Chip Taylor): com certeza o melhor de Sandy West, não só na bateria, mas nos vocais também. Destaque para o back de Joan (já perceberam como ela é uma ótima back?) e para as pegadas de guitarra. Essa música tem uma versão tocada por ninguém menos que Jimi Hendrix, então dizer que essa versão é sensacional não é qualquer coisa não.

5. Gettin´Hot (Fox/Ford): é uma música um tanto louca, que mexe bem com o lado mais pesado de Lita Ford. As guitarras são muito boas e só recentemente tivemos acesso à letra oficial da música, que está no blog de Jackie Fox, o Jackiefox.net. Os vocais de Cherie são muito bons também e bem intensos. O back fica por conta de Jackie. Essa música também não tem versão de estúdio.

6. Rock ´N´Roll (Lou Reed): Apesar de Joan ter gravado o vocal da versão de estúdio, foi Cherie quem sempre cantou a faixa ao vivo. No album ao vivo não foi diferente e devo dizer que a música fica melhor com Cherie cantando, fica mais enérgica, na minha opinião. Também é bacana ouvir Joan tentando levantar a galera. Um pouco imatura a iniciativa dela, mas ainda assim bem legal.

7. You Drive Me Wild (Jett): Joan interpreta essa música como ninguém e ao vivo a faixa ganha um balanço diferente do que teve na versão de estúdio, bem como um solo de guitarra. Os clássicos gemidos de Joan ficaram bem mais reais também.

8. Neon Angels on the Road to Ruin (Ford/Fowley/Fox): Se essa música já tinha um viés heavy metal na versão de estúdio, na versão ao vivo a influência é inegável. Lita arrasa na guitarra, principalmente no solo poderoso, e nos riffs super intensos. Cherie também não faz feio na música que talvez seja a mais difícil de cantar de todo o setlist das Runaways.

9. I Wanna Be Where the Boys Are (Fowley/Ronnie Lee): a letra dessa música ilustra muito bem o espírito da banda e Joan faz um vocal impecável acompanhado por um back de Lita (o primeiro oficialmente dela na banda). Mais uma música que nunca teve versão de estúdio, mas que sempre aparecia nas apresentações ao vivo.

10. Cherry Bomb (Fowley/Jett): com certeza o maior clássico as Runaways em sua melhor forma. Em apenas 2:12 Cherie consegue criar uma atmosfera super intensa. O coro de “Cherry Bomb!” feito por todas as Runaways também é bastante emblemático. O solo de Lita é inesquecível também.

11. American Nights (Anthony/Fowley): Considero essa a melhor faixa do álbum. Simplesmente porque traz o melhor de todas as integrantes de uma vez: vocais intensos, bateria ritmada, guitarras super sincronizadas, baixo marcante. E é impossível deixar passar a participação de Joan cantando no back e dando aqueles gritinhos de “aw” que se tornariam sua marca registrada.

12. C´mon (Jett): Faixa comum de ser tocada nos shows ao vivo, mas que ficou de fora da versão final de Queens of Noise. Cherie conta em sua biografia que quando foi retocar os vocais no estúdio, Lita lhe fez o primeiro elogio dizendo que seus vocais tinham ficado muito bons e que ela [Lita] tinha gostado.

A foto completa da capa e contracapa do álbum "Live in Japan"

A turnê seria encerrada com um grande show no Tokio Music Festival, ainda em junho de 1977, mas um acontecimento inesperado tornaria esse show inesquecível. E não por uma razão boa.

O baixo de Jackie Fox

Jackie tinha um baixo raro, um Thunderbird branco. De acordo com Cherie e a própria Jackie, ele fora um investimento da família de Jackie e esta tnha um carinho especial com a peça. Ela sempre pedia que os hodies tomassem cuidado com ele. Em Edgeplay, Jackie afirma que depois de uma passagem de som, recebeu a notícia de que seu baixo tinha caído do suporte e quebrado de um modo que não havia possibilidade de conserto. Mas ninguém sabia lhe explicar direito o que acontecera.

Cherie conta uma história bem diferente em sua biografia (inclusive com uma parte dramática em que Jackie a acusa de ter chutado o baixo de propósito), mas a versão dela bate com a de Jackie no seguinte ponto: o descaso e abuso de Kent Smythe.

Smythe era o único remanescente da equipe estado-unidense da banda na turnê no Japão (uma equipe japonesa havia sido contratada) e vivia às voltas com drogas. No Japão, onde conseguir drogas era um problema, Smythe andava sempre bêbado. Sua atitude era péssima para com a banda e as humilhações era constantes, mas as Runaways concordam que ele pegava mais pesado com Jackie.

Jackie fala abertamente sobre o assunto em Edgeplay e essa é uma das partes mais emocionantes do documentário. A ex-baixista narra, aos prantos, como se sentiu abandonada pela equipe da banda que sequer mostrou preocupação com o fato de seu baixo ter quebrado. Ela ainda conta que aquele foi o ápice de um desgaste emocional que já vinha aparecendo desde o início da banda: os abusos de Kim Fowley, a falta de dinheiro, o descaso da equipe, as acusações da imprensa, as brigas internas da banda.

Ela diz que já tinha pensado outras vezes em deixar a banda, mas que sempre ficava indecisava com o pensamento “E se essa banda realmente ficar famosa? Como vou ficar?”. E era isso que a segurava como uma Ruanway. Mas Jackie, reconhecida pelas outras integrantes como uma pessoa extremamente sensível, não usava drogas e ela disse em seu blog que o fato de estar sempre “limpa” tornava as coisas mais difíceis de lidar.

Sandy West, também em Edgeplay, diz que Jackie estava pressionada com a possibilidade de tocar no Tokio Music Festival e que não aguentou a pressão de estar numa banda no auge do sucesso. Mas pelo depoimento de Jackie, é possível perceber que a coisa era mais grave. Cherie conta (numa versão endossada por Jackie) que a colega estava arrasada com o problema do baixo e que se isolou. Cherie ficou preocupada e tentou ligar para o quarto de Jackie no hotel, mas não conseguiu falar com ela. Resolveu então ir lá pessoalmente, apenas para encontrar Kent Smythe bloqueando a porta. Cherie diz que teve que agredi-lo a fim de conseguir ir ver Jackie que estava completamente transtornada, chorando histérica, com uma garrafa de vidro quebrado os braços completamente ensaguentados.

A tentativa de suicídio fica implícita. Não fica claro o que aconteceu entre Jackie e Smythe. Jackie diz que foi o máximo que conseguia aguentar e deixou a banda no dia seguinte. Ela ainda acusa os produtores de descaso, pois teve que pegar um ônibus até o aeroporto, já que ninguém se prontificou a levá-la. Jackie termina se depoimento dizendo que foi a coisa mais corajosa que já fez em toda sua vida e que não se arrepende.

Jackie Fox, no entanto, teria seu nome para sempre marcado na história do rock ´n´roll como a baixista da formação clássica de The Runaways.

The Runaways sem Jackie Fox

A banda foi informada da saída de Jackie, uma vez que a própria já tinha ido, e teve que lidar com o fato de que seu maior show, o que aconteceria no Tokyo Music Festival, teria que ser feito sem Jackie.

Joan assumiu o baixo e é impressioante a falta que a guitarra base de Joan faz na música. Dêem uma conferida no vídeo da banda tocando sem Jackie:

Impossível não dizer que os ânimos não foram afetados.

Apesar de seu fim dramático, a turnê no Japão mostra The Runaways no seu auge e vários vídeos dessa época podem ser encontrados no Youtube. Vou postar os vídeos que posseum qualidade melhor:

Bibliografia adicional desse post

Datas das Turnês de The Runaways no Internet Archive

Essa foto foi uma das oficiais na turnê do Japão

E o desafio literário chega ao fim. Foram três semanas e a proposta insana de escrever 10.000 palavras e tentar criar alguma disciplina. Comecei dia 9 de novembro e tive como data-limite o dia 30 de novembro. E quer saber, foi uma insanidade! hahahaha

Semana passada cheguei à conclusão que estava atrasada. Com pouco mais de 4000 palavras escritas eu tinha uma semana para escrever as quase 6000 restantes!

Nem precisa falar que foi desespero total. E eu tive que arrumar um jeito de cumprir o desafio. Eu PRECISAVA cumprir essa desafio pra provar a mim mesma que sim, é possível continuar escrevendo mesmo em meio à uma vida com trabalho, estudo, amigo, família, namorado, músicas e só sei lá mais o quê que uso como desculpa pra dizer não dá tempo pra escrever.

E a coisa andou assim:

24/11 – Escrevi 937 palavras de FICÇÃO CIENTÍFICA. (perceberam que eu só escrevo isso, né?)

25/11 – Nadinha.

Aí bateu uma sensação e resolvi que no sábado, dia 26, que precisava fazer alguma coisa. E foi aí que meu lado Sonserino entrou em ação.

*Slytherin mode on*

Isso é completamente desprezível. Como é que vocês desejam cozinhar a fama e engarrafar a glória se não conseguem cumprir um desafio mísero? Vão fazer o que agora, ir chorar como os bebês chorões que são?

Slytherin Mel: Pronto, pronto. Cheguei, galera. Vamos colocar ordem nessa porcaria.

Melissa cética: Olha, não dá mais tempo, querida. A gente fez o que podia, mas falhou.

*Melissa feliz chora num cantinho*

Slytherin Mel: O que?????????? Vocês vão aceitar perder assim????????? NO WAY!!!!!!! Nós vamos montar um esquema aqui e ganhar esse desafio. Melissa-cética, você vai dividir o número de palavras que faltam pelo número de dias restantes e vai supervisionar de perto a produção dessa porcaria. Como boas Lufas que são, vocês não vão trapacear, mas eu quero algo de qualidade e digno! Melissa-feliz, você vai dar o incentivo necessário a essa tarefa e controlar o pensamento musical do momento, minha filha, que não é hora disso não! Eu quero que você sinta o calor do deserto das cenas de FICÇÃO CIENTÍFICA, quero que escreva como nunca escreveu. Eu quero sofrimento, drama, dor, desespero, eu quero sentir aquelas duas mulheres andando no deserto como se elas estivessem na minha sala de estar!!!!!!!!!!!!!!

* Melissa-cética e Melissa-feliz vão correndo desesperadas enquanto Slytherin Mel supervisiona o trabalho *

Slytherin Mel: Esses fragmentos do diário estão um lixo, reescreve esse troço, galera!

26/11 – 909 palavras

Melissa Feliz: Poxa, mas rolou a reescrita de um fragmento inteiro…

Melissa Cética: Pára de reclamar, que a doida vai acabar ouvindo.

Slytherin Mel: Eu já ouvi!!!!!!!!!!!!!

27/11 – nope.

28/11 – 1713 de FICÇÃO CIENTÍFICA.

29/11 – 880 palavras de FICÇÃO CIENTÍFICA.

E finalmente chegou dia 30, o último dia. Faltavam ainda 1365 palavras para que o desafio fosse cumprido. E além dele, uma pilha de provas e meu último trabalho de graduação me encaravam.

Slytherin Mel: Poxa galera, eu fiz tudo que podia aí… Que coisa mais sacal. *Slytherin mode off*

Melissa Cética: Eu sabia que a gente não ia conseguir…

Melissa Feliz: Poxa, gente,  não desanima não. Ainda temos *olha no relógio* três horas pra terminar!

Melissa Cética: Uau! *ironia on*

Melissa Feliz: E eu sei exatamente o que a gente precisa.

Melissa Cético: Que o espírito de um falecido escritor de ficção científica baixe aqui? *ironia ainda on*

Melissa Feliz: Não… de uma coisa bem melhor…

Três horas?????? Três horas dá pra fazer muita coisa, gente. Sério. Vamos pensar juntos. É ficção científica. Duas mulheres no deserto. À noite. Huum... O que pode acontecer depois de uma grande cena de ação? Vamos lá! Juntem as cabeças e pensem!

*Hufflepuff monde on*

30/11, quase uma hora da manhã – 1402 palavras de FICÇÃO CIENTÍFICA.

Saldo parcial: 5841 palavras

Saldo total: 10034 palavras!!!!

Desafio cumpridooooooooooooooooooooooooooooooooo!

Yeah oh yeah oh yeaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaah! *Joan Jett style*

Aham aham aham

uuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuh!

*Hufflepuff mode off*

Estou muito feliz de ter cumprido essa desafio. Não só pelo prazer de cumpri-lo (adoro desafios, adoro listas de coisas pra fazer), mas de pensar que avancei muito em FICÇÃO CIENTÍFICA e avancei numa parte difícil da história, um momento daqueles mais denso e até meio paradão, mas que é necessário antes de grandes revelações e acontecimentos. Com certeza fiquei bem mais empolgada com essa história agora e consigo visualizá-la com mais clareza.

Mas fiquei decepcionada porque não consigui ter disciplina para escrever todos os dias. Por isso, apesar de não postar mais resultados aqui, vou me forçar pra manter a meta de 500 palavras por dia. Quero terminar FICÇÃO CIENTÍFICA no mês que vem!

Melissa Cética: E lá vem mais trabalho…

Melissa Feliz: Eeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeh! Vai ser LEGAL! A gente chamar o Cedric e o Snape de novo?

Melissa Cética: Pervertida!

Obrigada  todos que deram apoio e acompanharam esse desafio, espero que vocês possam ler FICÇÃO CIENTÍFICA dentro de alguns meses. Ah, e não deixem de conferir a Ily e a Kakazinha em seus respectivos desafios também.

*saltinhos de alegria*

 

Verdade seja dita: eu preciso de disciplina para escrever. E antes que a  minha vida seja dominada pelo caos da pós-graduação e eu não consiga pensar em anda que não venha acompanhado de “segundo [alguém importante da Teoria da Literatura]”, decidi que vou arrumar minha vida literária até o final do ano. Isso mesmo.

Xô fantasmas dos livros não-acabados, dos contos nunca escritos e das coisas não revisadas! Sem paranóia agora.

"Pára de me encarar!!!"

Para me ajudar nessa tarefa eu resolvi estabelecer uma meta (sim, sou uma pessoa que funciona à base de metas e listas) de 10.000 palavras nos próximos 20 dias. Ou seja, mais ou menos 500 palavras de escrita criativa por dia. hoho

Baseei o meu desafio escancaradamente no desafio de duas amigas minhas, a Ily, do Viajando Sem Dinheiro e da Kakazinha, do Eu, Papel e Palavras (não deixem de conferir por lá, que o troço tá bom!), mas adaptei as regras pra minha realidade:

Voz-Melissa-cética: E o que você ganha com isso?

Voz-Melissa-feliz: Ué, a alegria e a empolgação de saber que estou produzindo!

Voz-Melissa-cética: E se você não conseguir, vai fazer o quê?

Voz-Melissa-feliz: Ah, não sei…

Voz-Melissa-cética: Você tem que fazer alguma coisa se perder, se não, não é um desafio…

Voz-Melissa-feliz: É verdade, mas é que…

Voz-Melissa-cética: Mas é que nada. Arruma logo uma punição!

Voz-Melissa-feliz: A punição vai ser eu me sentir frustrada por não ter escrito.

Voz-Melissa-cética: Que coisa mais ridícula… Você sabe que isso funciona lindamente na teoria, mas na prática é uma droga. Já sei. Foto de você semi-nua no Facebook!

Voz-Melissa-feliz: Tá doida??????????? Não, vai ser uma foto minha sem pentear cabelo no Facebook.

Voz-Melissa-cética: Minhas técnicas hardcore sempre funcionam… hahahaha

Voz-Melissa-feliz (agora não tão feliz mais): Eu te odeio.

Voz-Melissa-cética: Você não pode me odiar porque eu sou VOCÊ! há!

Então é isso.

Vale como escrita criativa:

  1. Rascunhos/escrita de histórias originais longas
  2. Fanfics (será que vou voltar a fazer fanfic?)
  3. Contos

Voz-Melissa-feliz: Pô, por que não vale post de blog?

Voz-Melissa-cética: Vai trabalhar, criatura e pára de reclamar!

500 palavras por dia. Imagino que teremos dias fáceis e dias difíceis pela frente. Mas eu não quero aparecer descabelada no Facebook, então mãos à obra!

Okay, eu sei que é impossível eu ficar sem entrar na internet... Mas eu vou tentar vadiar menos.

Toda semana eu vou dar um parecer do meu progresso aqui.

Voz-Melissa-Cética: O que você ainda tá fazendo aqui?

Voz-Melissa-feliz: Okay,okay, to indo… O Word tá até aberto…

Demorou, mas saiu o terceiro post sobre a trajetória de The Runaways que, mesmo depois de 3 meses, ainda continua como  termo mais procurado do blog seguido de “Jackie Fox”. Obrigada a todos que procuraram e comentaram. Esse blog tem orgulho de ser uma das poucas fontes seguras sobre The Runaways em português.

Só pra lembrar, esse post faz parte do projeto Born to Be a Runaways Fan e toda a informação veiculada foi retirada de declarações feitas pela própria banda. Para ler os posts anteriores, clique aqui.

Paramos em 1976 às vésperas da turnê da banda pela Europa. O último show da turnê nacional em solo americano foi no famoso Starwood L.A em Los Angeles, no dia13 de setembro. Kim Fowley recentemente contou em seu Facebook que o Led Zepepelin assistiu a esse show e que no final da apresentação, Robert Plant disse: “Isso funciona!”. O show é um marco histórico da banda, mas não só pelo reconhecimento artístico. Segundo a autobiografia de Cherie Currie, foi nesse show que ela vestiu pela primeira vez o infame espartilho branco. O traje que seria para sempre associado à sua imagem.

A polêmica do Espartilho Branco

Qual é o efeito de uma garota de 16 anos cantando de lingerie e plataforma?

É importante lembrar que o espartilho não era só polêmica entre o público, mas também entre a própria banda. Em Edgeplay, Cherie dá a entender em seu depoimento que viu a lingerie numa loja e que as Runaways decidiram que seria uma boa idéia comprá-lo para Cherie vestir. Mas o depoimento de Jackie dá a entender o contrário: que o espartilho não era bem visto pelas demais membros por apelar para um lado sensual que a banda não queria tomar. Afinal, elas queriam ser reconhecidas por sua música de qualidade e não por serem bonitas e sensuais. Lita Ford diz também no documentário que o espartilho mandava a mensagem errada e trazia atenção demais para algo que não era o foco. Kim Fowley, no entanto, diz que nunca teve a intenção de fazer de The Runaways uma banda sensual e que achava que o espartilho era algo “esportivo”. Esportivo? Um espartilho pode ser muita coisa, mas definitivamente não é esportivo, Sr. Fowley!

A questão é que Cherie fazia trocas de roupa entre as músicas por conta do tempo em que passava sem fazer nada. Porque, apesar de ser a vocalista principal, Joan Jett fazia vocal solo em uma quantidade considerável de músicas (nessa época, “You Drive Me Wild”, “Blackmail”, “Take It or Leave It”, “Rock ´N´Roll”, etc). Além disso, em músicas como “Johnny Guitar” onde o solo de guitarra guiava por vários minutos, Cherie se via no palco sem muito o que fazer. A troca de roupas vinha como um plus nos shows e ela passou a usar o espartilho em “Cherry Bomb”. Em sua autobiografia, ela diz que no palco se sentia a verdadeira Cherry Bomb e não mais Cherie Currie.

A prova de que Kim Fowley tinha uma mal gosto desgraçado e não entendia porcaria nenhuma do que as garotas estavam tentando fazer...

O problema é que o apelo visual de Cherie acaba causando impressões errôneas. O ato de vestir lingerie no palco e cantar uma música com o refrão “Olá papai / Olá mamãe / Eu sou a sua bomba de cereja / Olá mundo/ Sou sua garota selvagem” pode ser interpretado como 1) um ato transgressor que coloca a mulher numa posição de voz ativa sobre sua própria sexualidade e lugar no mundo; 2) como um ato amoral condenado pela sociedade que só podia mesmo ser feito por uma garota pervertida e vagabunda ou 3) como a ação de alguém que está desesperadamente tentando chamar a atenção porque não tem talento. Os fãs da banda (e eu me inclui) iam pela opção 1. Já o público geral ia pela 2 (tradicional família americana rs). E infelizmente, muitos músicos da cena da época iam pela opção 3.

No filme The Runaways, por exemplo, há uma cena em que as Runaways, numa passagem de som antes de um show, são zuadas por dois caras de uma banda de rock. Para se vingar, Joan Jett faz xixi na guitarra de um deles nos camarim. Essa cena nunca aconteceu. Joan, nos comentários em audio do filme, diz que a banda a que a cena se refere é o Rush, mas que ela nunca fez xixi na guitarra de ninguém. O caso é que Neil Peart e Geddy Lee realmente começaram a rir durante uma passagem de som das Runaways e houve um momento tenso entre as bandas. Ainda nos comentários do filme, Joan diz que esse é o tipo de coisa que a deixa puta da vida, mas que nunca fez nenhuma vingança, muito menos urinar no equipamento de alguém. O episódio aconteceu em 1977 numa festa em homenagem ao Rush.

Como fã do Rush (sim, ironicamente) digo que esse é um comportamento um tanto fora dos padrões da banda que é reconhecida por ser hiper educada e solícita. No entanto, escolher The Runaways para abrir pro Rush é uma escolha infeliz. Infeliz porque Rush e The Runaways são simplesmente bandas conceitualmente opostas. Enquanto The Runaways preza pela intensidade no palco, pelo rock ´n´ roll simples e cru, Rush está interessado em diversidade musical, tocar com máxima perfeição músicas extremamente difícieis. The Runaways é puro feeling enquanto Rush é pura técnica. Claro que The Runaways tem técnica (vide Lita Ford e Sandy West) e claro que Rush tem feeling (vide Alex Lifeson), mas o foco é diferente. Então, como muitos fãs disseram na internet, a coisa toda pode ter sido simplesmente um atrito de bandas e ideologia. Mas ninguém nunca vai saber o que aconteceu. O Rush nunca comentou a respeito.

Joan comenta sobre a má receptividade entre o meio de rock majoritariamente masculino:

Elas parecem uma ameaça?

Tinha um monte de filhos da mãe. Tinha algumas pessoas que era receptivas. Um monte de gente que achava [a banda] fofa e um tanto engraçada, mas tinham bandas que definitivamente tinham alguma contra contra a gente. (…)

Tinha muitos caras que nos tratavam que nem lixo e eram bem crueis. Isso certamente passou do passado com The Runaways para minha própria banda [referindo-se a sua carreira com os Blackhearts]. Eu vi bandas que disseram: “Eu não acredito que eu tenho que dividir o palco com o uma vadia”. (…)

É uma coisa de testosterona estranha. Eu não entendo porque eles se sentem tão ameaçados. Eu acho muito interessante, como uma questão social de nossa sociedade. Como é que isso deixa gente tão nervosa? Eles estão tão fechados nos papéis que mulheres têm que ser subservientes e que elas não podem ter personalidade própria. Eu acho com o caso do rock ´n´ roll, apenas a menção das palavras “rock ´n´ roll” implicasexualidade. Eles não mostravam Elvis da cintura pra baixo. Chuck Berry era considerado o tipo de pessoa que chegaria para levar seu filho de 14 anos pra fora de casa. Rock ´n´roll sempre foi considerado como um meio muito sexual. Eu acho que quando uma garota diz que está tocando numa banda de rock ´n´roll, ela está declarando que tem o poder sobre sua sexualidade e está dizendo o que ela vai fazer sobre isso e não o contrário. Algumas pessoas acham isso muito ameaçador.

http://www.juicemagazine.com/JOANJETT.html

Um bando de garotas tocando rock com letras sobre sexo com certeza era ameaçador. Um bando de garotas menores de idade tocando rock com letras sobre sexo era mais ameaçador ainda. O que nos dá uma idéia clara sobre a polêmica do espartilho.

A turnê da Europa

A turnê pela Europa foi fundamental para o sucesso da banda, que foi mais bem quista do outro lado do Atlântico do que nos EUA. Além disso, o impacto musical resultante dessa turnê foi avassalador pois as Runaways chegaram bem no boom de encontrar o início da cena punk rock. A influência dessa interferência foi crucial para definir as personalidades musicais da maioria das integrantes. Cherie, fã das melodias mais tradicionais, diz ter detestado o punk rock por julgá-lo violento e pouco harmônico. Já Sandy e Lita não incorporaram exatamente o movimento por terem sempre sido mais ligadas ao heavy metal e suas composições mais complexas. Joan, por outro lado, abservou a atmosfera completamente:

O estilo punk de Joan veio com a viagem pra Europa

Eu deixei a América de botas plataforma e glitter e quando voltei estava completamente punk. (…) Eu saí e vi o The Clash tocar o primeiro album. Tinha umas 2000 pessoas todas pulando ao mesmo tempo, o que foi uma coisa que eu nunca tinha experenciado e nem imaginado na América. (…) Era realmente assombroso. Era simplesmente incrível. Era tão poderoso. Foi muito bom ir lá ver e então voltar pros EUA e tentar proseguir com aquilo. (…) Musicalmente e emocionalmente, eu era ligada aos Ramones e aos Sex Pistols, definitivamente. Eu amava o The Clash. Minhas influências no entanto… Eu acho, que logo no começo, eu ainda tinha influência de muita coisa glitter musicalmente, mas eu achava que muito do punk rock tinha uma estrutura bem similar.

http://www.juicemagazine.com/JOANJETT.html

Cherie, em sua autobiografia, diz que os punks da Europa tomaram as Runaways como parte de sua cultura musical. Mas que nem por isso a atmosfera nos shows deixava de ser hostil. Facas atiradas no palco, brigas e xingamentos eram constantes e Cherie diz que era a forma deles de “mostrar afeto”. Cherie passou a chamar muita atenção à medida que a banda ia ganhando mais sucesso internacional. Seu rosto virou o símbolo da banda e a loira recebia cada vez mais mensagens de fãs e ganhava mais espaços nas entrevistas. A situação passou a ficar tensa com as outras garotas, principalmente com Lita. As brigas entre as duas eram constantes e a hostilidade, declarada.

Com o clima tenso dentro e fora dos palcos, o uso de drogas tornou-se mais constante. Uso inclusive encorajado pelo gerente Scott Anderson que chegou a insinuar aos pais das garotas que se eles tentassem fazer com que suas filhas parassem de usar drogas, eles estariam condenando-as à falta de criatividade e à morte no mundo do rock ´n´roll. Foi por essa época que Cherie manteve um relacionamento amoroso com Scott, um homem no mínimo 15 anos mais velho que ela. Scott ganhou fama de irresponsável por não só icentivar o uso de drogas de menores, mas por também manter relações sexuais com elas. Jackie Fox foi a única que nunca caiu na rede de Scott Anderson: nunca usou drogas e nunca transou com ele.

Jackie, inclusive, era a única a questionar a falta de dinheiro. Kim Fowley não pagava as garotas, alegando usar o dinheiro dos shows para pagar a gravadora. No documentário Edgeplay, Jackie, Lita, Cherie e Sandy contam a experiência de ter que sempre pedir dinheiro e sobreviver à custa de hamburgueres baratos. Kim e Scott ainda estimulavam a constante briga por atenção entre a banda, fazendo as garotas brigarem entre si. A lógica, mostrada em Edgeplay, era: Cherie era muito ligada a Joan e às vezes a Jackie. Já Jackie dividia-se entre temporadas de amizade com Cherie ou com Lita. Cherie e Lita se destestavam. Sandy é descrita como tranquila em relação a todas, mas tinha mais amizade com Joan. Acho interessante dizer que as cinco não tinham muito em comum. Elas não eram amigas antes de entrar para a banda e se viram de repente forçadas a conviver sob um clima tenso.

Jackie, além de acusada de não saber tocar baixo direito, é descrita como a sabe-tudo-insuportável da banda na autobio de Cherie

O caso as Runaways vão parar na cadeia

Essa é uma história de três versões. Vou contar as três. Mas as três começam do mesmo jeito: as Runaways estavam saindo de Dover para uma embarcação até Calais, na França, quando a Scotland Yard parou o carro. Elas foram acusadas de roubo. As malas foram revistadas e Joan, Cherie e Sandy foram presas. O roubo eram de chaves de hotel que elas “colecionavam”, sugerindo uma idéia dada por Robert Plant. Mesmo dizendo que não sabiam que pegar as chaves de hotel poderia configurar roubo na Inglaterra, a coisa complicou.

  • Versão de Joan Jett

Joan diz que foi o momento mais assustador de sua vida vida e que sentiu-se extremamente mal e vulnerável. Ela não dá detalhes de como o mal-entendido foi resolvido. Ela conta a história nos comentários em audio do filme The Runaways.

  • Versão de Jackie Fox

Jackie não foi presa, mas conta em seu blog o relato das outras integrantes. Jackie diz que Joan, por ser a única maior de idade na época, foi posta numa cela diferente da de Cherie e Sandy. Querendo ficar com as companheiras de banda, Joan começou a cantar “Dead End Justice” a plenos pulmões até que o guarda ficou estressado e resolveu colocá-la junto das outras duas.

  • Versão de Cherie Currie

Cherie diz que as três entraram em pânico, pois além do lance das chaves, Cherie tinha guardado cocaína no estojo de maquiagem (e ela frisa que Scott deu a cocaína pra ela) e todas as malas iam ser revistadas pela polícia. Joan ficou em uma cela separada por conta de ser maior de idade e entrou em pânico por estar sozinha e por ter claustrofobia. Ela começou a chorar muito, o guarda ficou com pena e a colocou junto às colegas.

E aí, em qual versão você acredita? A de Jackie é a mais rock and roll…

Tá vendo o estilo glitter? Essa era a imagem da Joan antes do punk: maquiagem e brilho!

De volta a Los Angeles, as Runaways estavam visivelmente em crise interna. Em Edgeplay, Jackie, Cherie e Lita chegam a dizer que não era mais divertido e que aquilo tudo tinha virado um trabalho. Foi nesse clima, por uma obrigação de contrato, que saiu Queens of Noise. Gravado no Brothers Studio em Santa Monica, o álbum foi basicamente produzido pelas próprias Runaways. Isso porque Kim Fowley estava ausente. Jackie Fox, no entanto, lamenta a situação:

Porque Kim não estava por perto para dar uma de babá, nós acabamos fazendo muita coisa da nossa cabeça na produção, o porquê de que, na minha opinião, Queens of Noise não é um álbum muito bom. Nossa idéia de produção era bem a de colocar o nosso instrumento o mais alto possível. Sandy se recusou a tocar com um metrônomo e, como resultado, muitas das músicas tem um tempo desigual. A batida na maiorida as músicas é arrastada e nós simplesmente tentamos demais fazer as coisas de um jeito estiloso.

http://runawaysstories.blogspot.com/2009/08/august-4-2000-queens-of-noise.html

Título: Queens of Noise

Lançamento: 1976

Gravadora: Mercury Records

Produção: Kim Fowley, Earle Mankey

1. Queens of Noise (Billy Bizeau): Uma música emblemática da banda, mas que tem uma versão de estúdio pouco enérgica a meu ver. Joan canta solo na música e Jackie faz o back. As guitarras são pouco impactantes e confesso que demorei a me acostumar com a música (ouvi primeiro a versão ao vivo). A história por trás dessa gravação é tensa: Cherie dizia que Bizeau compôs a música para ela, mas em um dia em que Cherie não estava no estúdio, Joan gravou com a aprovação do resto da banda. Nem é preciso dizer que quando Cherie descobriu foi o caos – principalmente porque Joan já estava cantando solo em metade das músicas do setlist das Runaways – e foi feito um acordo de que nas apresentações ao vivo Cherie cantaria a primeira estrofe e Joan a segunda.

2. Take It or Leave It (Jett): Joan canta solo na música que é totalmente influenciada por Suzi Quatro. O tema é sexo casual. O riff de guitarra é bacana e solo de Lita muito bom.

3. Midnight Music (Currie/Fowley/Steven Tetsch): A música foi feita para atender os apelos de Cherie por músicas mais melódicas, mas ninguém da banda nunca gostou da música. A faixa fica no meio do caminho: não é nem 100% melódica nem 100% rock and roll, mas eu particularmente gosto muito. Curiosidade: Lita gravou o baixo original da música, pois Jackie estava no hospital internada com pneumonia. Mais tarde, Jacki regravou o baixo. Lita destestava tanto a música que elogiou Jackie dizendo que a melhor parte da música era o baixo (o que é definitivamente um elogio, uma vez que Lita sempre dizia que Jackie era uma baixista medíocre).

4. Born to Be Bad (Fowley/Steele/West): A música já existia desde os primórdios da banda e a letra é de Kim Fowley. Joan no vocal solo gravou a faixa bebendo Jack Daniels e é possível ouvi-la chorar pouco depois do solo de Lita. Eu sinceramente não sei se gosto dessa música porque ela beira perigosamente  o puro brega.

5. Neon Angels on the Road to Ruin (Ford/Fowley/Fox): Letra de Kim Fowley mais uma vez com refrão de Lita e estrofe de Jackie. A música foi uma concessão ao lado mais heavy metal de Lita. Os vocais de Cherie são impecáveis e a pegada de guitarra é provavelmente uma das melhores de Lita.

6. I Love Playing With Fire (Jett): Essa é simplesmente minha música favorita de The Runaways. Simplesmente porque consegue captar toda a força, energia e transgressão da banda. Sensacional! Uma das melhores interpretações de Joan nos vocais, sem dúvida. E também uma de suas melhores guitarra base. E eu concordo com Jackie Fox, é o melhor solo de Lita Ford!

7. California Paradise (Fowley/Jett/Kari Chrome/West): Outra música dos primórdios da banda. É uma música ótima, com um vocal muito bom de Cherie mas que ficou estranha na versão de estúdio. O excesso de reverber na bateria é insuportável. Ah, lembrando que “California Paradise” é a única música de The Runaways com solo de guitarra de Joan (o primeiro solo é dela e o segundo é de Lita).

8. Hollywood (Fowley/Fox/Jett): Vocal principal de Joan e provavelmente uma das melhores combinações vocais da banda. Durante o refrão o back é de Jackie e a voz dela misturando com a de Joan dá um efeito ótimo e a certa altura é bem difícil discernir quem está cantando qual parte. O baixo é bem marcado e provavelmente é a melhor linha de baixo de Jackie.

9. Heartbeat (Currie/Ford/Fowley/Fox/Earle Mankey): Lita e Jackie fizeram a música e Jackie fez a letra da música que originalmente se chamaria “Joey” e seria uma paródia de canção de amor para Joey Ramone. Jackie iria cantar solo na música, mas Cherie não gostou, uma vez que Joan já estava cantando solo em metade do album. Kim Fowley então sugeriu que as duas dividissem os vocais. A tentativa não surtiu efeito (Jackie diz que a voz dela e a de Cherie não “se davam bem”) e a gravação foi suspensa. No dia seguinte, quando Jackie chegou no estúdio, Cherie já tinha gravado a música e a transformado em uma canção de amor para David Bowie. Num show em Boston mais tarde, Jackie se vingaria do fato. Durante um show da banda em que David Bowie supostamente estaria na platéia, Cherie dedicou a música a ele fazendo uma grande cena. Mas no meio da música, Jackie tirou o suéter e ficou só de sutiã, roubando toda a atenção. rs Mas de qualquer forma, Bowie já tinha ido embora a essa altura. Quanto a “Heartbeat” é uma música totalmente não-Runaways.

10. Johnny Guitar (Fowley/Ford):  Considerada por alguns a pior música que The Runaways já gravou (incluindo aí Jackie Fox) e por outros uma das melhores. Difícil dizer. “Johnny Guitar” é um blues de 10 minutos com uma letra cantada por Cherie contendo a velha metáfora guittara-sexo. O solo de Lita corre solto e é um bom solo, apesar de extremamente longo. E os gemidos de Lita ao fundo são um tanto estranhos.

Sobras de estúdio (mais tarde incluídas no album Flaming Schoolgirls): “C´mon”, “Hollywood Dream”, “Hollywood Cruisin´”, “Strawberry Fields Forever” e “Here Comes the Sun”.

Originalmente essa seria a capa, mas Jackie sugeriu que a foto fosse trocada. O argumento era que o título iria arruinar a foto.

A campanha de Queens of Noise

Com Queens of Noise e a turnê na Europa, a banda ganhou mais projeção. Kim Fowley começou a pegar pesado no marketing e de repente The Runaways se viu como a maior importação de discos do Japão, ao lado de bandas como The Beatles e Led Zeppelin. Foi então que surgiu a possibilidade de se fazer uma turnê no Japão, que é o assunto do próximo post.

Pessoal, compilar toda essa informação dá muito trabalho, então não posso prometer quando será o próximo post. Vida super corrida. Mas enquanto isso, alguns audios legais pra vocês curtirem.

Para conferir a bibliografia, cheque os posts anteriores.

Gravações do show no Starwood L.A em:

É de praxe fazer promessa de Ano Novo e pra coisa vingar tem gente que come romã, joga semente pra trás, dá três pulinhos… etc. Esse ano resolvi que ao invés de fazer simpatias felizes, vou escrever aqui no blog meus planos para 2011 porque assim não tem escapatória nem desculpa. Tá registrado pra sempre e caso eu não cumpra minhas resoluções vou ter que conviver com a vergonha. Rá!

Então vamos lá, no maior estilo Briget Jones, à LRAN (vulgo Lista de Resoluções de Ano Novo):

  • Continuar no Pilates;
  • Poupar uma grana;
  • Escrever meu projeto para tentar a seleção de Mestrado (e passar! rs);
  • Voltar pra terapia;
  • Estudar inglês a sério pra passar no exame do Proficiency de Cambridge (CPE);
  • Continuar com meus dois blogs (esse + Livros de Fantasia) postando com mais frequência;
  • Editar meu livro;
  • Ter mais disciplina pra escrever;
  • Organizar melhor meus horários para que eu possa dedicar mais tempo aos meus amigos;
  • Ter mais paciência com as pessoas que eu amo;
  • Planejar as coisas com mais antecedência;
  • Não surtar com tanta frequência;
  • Separar melhor o tempo para poder passar mais tempo com o amore;
  • Assistir menos porcaria na televisão;
  • Fazer algum tipo de trabalho voluntário;

E pensamento positivo!

E você, quais são suas resoluções pro início da década?

No meu outro blog, Livros de Fantasia, acabei de postar um podcast hilário sobre Harry Potter gravado juntamente com a Amanda. Quem é fã da série e quem não é, mas quer rir muito, é só entrar no blog e ouvir.

Eu e minha amiga Amanda resolvemos colocar a mão na massa pra fazer um blog que só fala de mundos paralelos, coisas inexistentes e realidades impossíveis. Mas se você também acha que tudo isso é estranhamente real e familiar, não se esqueça de dar uma conferida: Livros de Fantasia.


ENQUETE!

Sem falar muito

Isso é um blog azul sobre coisas mais ou menos azuis a meu respeito.

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