Mundo de Coisas Minhas

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A Internet – pelo menos como a rede mundial que a conhecemos hoje e não como um reduto de informações para nerds americanos – é uma moça de 15 anos. E como todas as moças dessa idade, ela pode fazer coisas ótimas, com insights incríveis (como conectar pessoas) mas também pode fazer umas merdas das grandes (como servir de veículo para proganda política enganosa).

Sempre que eu penso em internet, eu penso naquela frase Homem Aranha: “Grandes poderes trazem grandes responsabilidades”. Uma rede mundial conectando todos os computadores do mundo pode ser simplesmente a coisa mais incrível que já existiu ou a coisa mais desastrosa que já existiu. E sabe o que faz a diferença entre uma coisa e outra? Nós, usuários.

Logo que a Dilma foi eleita, um monte de posts começaram a pulular no Twitter contendo mensagens de ódio direcionadas aos nordestinos. O número de mensagens com a tag foi tão grande que foi parar nos trending topics, ou seja, a coisa ganhou um alcance mundial. Eu, pessoalmente, não gosto do Twitter, até tenho um, mas não uso por dois motivos. 1) o número de mensagens inúteis é absurdo; 2) vou entrar em contato direto com mensagens de ódio e preconceito e sinceramente, não estou com paciência pra isso.

O gatilho de todas essas mensagens foi a estudante de direito (olha só, hein) Mayara Petruso. A mensagem dela foi a seguinte: “Nordestino não é gente, faça um favor a Sp, mate um nordestino afogado”. Por conta disso, ela perdeu o estágio no escritório de advocacia e ainda vai enfrentar um processo na justiça por conta de xenofobia e incitação ao homicídio. Qual não foi a minha supresa quando, ao conversar com outras pessoas a respeito do assunto, descobri que muita gente rotulou as consequências como “uma palhaçada” dizendo que “internet é internet”.

Não, internet não é internet. Você não pode falar o que quiser na internet sem sofrer as consequências. A impressão que eu tenho é que as pessoas se escondem por trás dos seus perfis de Orkut e Facebook, achando que ali é o lugar para “falar o que der na telha” porque é terra de ninguém. Não é. A internet tem provado cada vez mais ser terra de todo mundo e por isso mesmo, tem regras.

Além disso, existe um outro motivo para pensar duas vezes no que você escreve no seu blog, no Twitter ou Facebook: mensagens de ódio se propagam com muito mais rapidez do que mensagens de amor e paz. Quer um exemplo prático? Por que é que tem tanta briga entre torcidas de futebol? Por que pessoas aparentemente tranquilas de repente se vêem no meio de uma série de agressões físicas? Porque algum infeliz gritou “Dá um soco na cabeça desse desgraçado” e a turba, envolvida pela emoção do jogo, se deixa levar, transparecendo as piores tendências de cada um. Isso é cientificamente comprovado. Incitar a turma é algo perigosíssimo e pode levar a consequências desastrosas como linchamento. Uma mensagem de ódio no Twitter espalhou milhares de outras mensagens de ódio. Será que se alguém tivesse escrito “Faça um favor ao Brasil, abrace o seu próximo” isso ia ter chegado aos treding topics do Twitter? Pois é.

A responsabilidade que temos como blogueiros ou simplesmente como usuários de redes sociais é muito grande. Então, eu proponho que a gente pense um pouquinho antes de sair por aí falando “o que dá na telha” e pense: essa mensagem pode direta ou indiretamente desencadear uma onda de ódio? Ela é preconceituosa?

Tudo bem que as mensagens de amor, paz, consciência social e etc não se espalham tão fácil, mas acho que não custa nada tentar. : )

 

Hoje quando fui eram duas horas da tarde e fazia um calor insuportável. Pra variar, eu ainda me esqueci do título de eleitor – por algum motivo a idéia ELEIÇÃO escapou da minha cabeça hoje de manhã – e tive que voltar em casa pra buscar. No entanto, quando ouvi o barulhinho TILITILIM da urna senti que tinha feito alguma coisa.

Não, não acho que o mundo vai mudar nem que o Brasil vai sair da pobreza assim de uma hora pra outra. Nunca vou me esquecer da minha professora de história da quinta série – Gilcéia, saudade! – que disse o seguinte quando Lula foi eleito: “O que as pessoas não vão entender é que quando elas se decepcionarem – porque vão – a culpa não vai ser do  Lula. Ninguém trás mudança sozinho. As coisas não vão se transformar no dia 1 de janeiro”. Nunca esqueci isso e essa idéia acabou por moldar minhas idéias a respeito de liderença e democracia.

Eu me sinto aliviada. Sério. Me sinto feliz pelo povo brasileiro não ser burro a ponto de colocar o país de novo nas mãos do PSDB. Me sinto feliz por pensar no poder do voto, por saber que nós, blogueiros, professores, estudantes, artistas, temos o mesmo valor que donos de grandes empresas e monopólios. O voto vale um. E vale um pra todo mundo. É algo tão poderoso e ao mesmo tempo tão pouco valorizado. Por que é que não pensamos no que temos nas mãos? Por que é que conseguem nos convencer de que um voto não vale nada? Por que acreditamos neles? E o mais importante: por que deixamos eles fazerem isso com a gente?

Quem são eles?

Pensa um pouquinho. Não vou estragar a surpresa.

Em seu discurso, Dilma falou da força da mulher. Não que eu ache que mulheres são melhores que homens – longe disso, sempre defendo a idéia de que somos todos iguais – mas acho significativo e importante o fato de uma mulher ter chegado à presidência em um país ainda tão arraigado em valores ultrapassados sobre superioridade de sexos. Eu acho incrível o fato de uma Dona Maria pobre do interior de Minas ter votado na Dilma. Sério. É isso que me faz acreditar que estamos melhorando.

Então parabéns, Dilma, por ter se mostrado e vencido a sujeirada.Por mostrar um caminho de honestidade. Porque pelo menos isso.

*respiro de alívio*

Eu não sou o tipo de pessoa que discute política com facilidade. Não sei, tenho preguiça de ficar discutindo com motorista de táxi e gente sem noção do trabalho ou da faculdade. Normalmente guardo minhas opiniões para mim mesma e para as pessoas de convívio próximo com quem acho que vale a pena conversar. No entanto, em alguns momentos é necessário expressar a nossa opinião. Acho que esse é um desses momentos.

Essa eleição é suja. E por isso mesmo, dá muito medo. Tem hora que você sente uma confiança de “ah, vai dar tudo certo” mas tem hora que o mundo parece que vai explodir. Porque eu nunca vi, sinceramente, tanta baixaria. Começando pela eleição do governador e senadores de Minas. Para quem não sabe, nosso ex-governador é Aécio Neves, um dos Senadores mais votados. Quando Aécio sacou que estava disparado nas pesquisas resolveu abandonar a própria campanha e implorar (literalmente) votos para Itamar Franco (?) e Anastasia (atual governador eleito em Minas). A propaganda era mais ou menos assim: “Obrigado pelo apoio. Agora, peço que votem nos meus amigos Itamar e Anastasia. Vocês podem fazer isso por mim?”. Dava vontade de quebrar a TV.

Mas também, eu não entendo o que Minas viu em Aécio Neves. Só sei que a galera tem uma adoração freak por ele. A imprensa mineira não fala mal do Aécio. Nunca. Por que ele é um bom político? Não. Porque ele é influente. Tem gente que diz que ele será o próximo presidente. Eu tenho medo dessa profecia maldita. Até porque a falta de comentário sobre ele me assusta. Como assim? Como assim? Como assim? Vocês não falam mal de todo mundo?

Para demonstrar o que eu quis dizer com adoração freak vou contar um caso que vi com meus próprios olhos. Isso aconteceu na Praça Sete de Belo Horizonte, ou seja, no coração da área central da cidade. Estavam fazendo propaganda pro PSDB (Serra Presidente, Aécio e Itamar Senadores, Anastasia Governador). Tinha um monte de panfletos no chão – uma coisa que odeio em época de eleição -, pilhas e pilhas de flyers, algumas bandeiras e reproduções do Aécio Neves em tamanho natural feitas de papelão! Estou eu andando tentando fugir da tucanada que quer a todo custo me dar – ou me fazer engolir – um panfleto, quando uma mulher rouba a imagem natural de Aécio Neves. Isso mesmo, ela saiu carregando o modelo em papelão do cara! Agora vamos fazer uma pausa para descrever a mulher: mestiça, muito provavelmente membro da classe E, por volta dos 50 anos, gritando alto pela rua. O que ela estava gritando? “Vem cá comigo, meu gostosão” – isso pro modelo do Aécio – “oh homem gostoso e vai ficar lá no meu quarto. Nossa, é bão demais esse homem”.

*inserir cara de espanto e horror da Melissa aqui*

Essa mulher levou por cinco quarteirões o modelo do Aécio e entrou no ônibus com ele! E mais, outras pessoas pelo caminho apoiavam a decisão dela, gritando que o Aécio era gostoso mesmo e bla bla bla.

*mais uma pausa para o choque*

O que é isso? Bem, isso é o que eu não consigo entender: classe baixa votando em PSDB. Não faz sentido.

Que os ricos de classe A e B votem neles, eu entendo perfeitamente. Afinal, como muito bem disse uma vez a Amanda, deve ser incrível votar em alguém que realmente defende os seus interesses. Agora, pobre e classe média baixa votando no PSDB não faz sentido. Profesor estadual votando em PSDB não faz sentido. Estudante votando em PSDB não faz sentido.

Deu pra notar que eu sou contra o PSDB?

A mera idéia de ter um presidente desse partido me deixa com calafrios. E eu tenho três grandes motivos – das listas e listas que eu poderia fazer – para dizer isso:

  1. O Brasil cresceu mais com o governo do PT e se projetou a nível mundial. O que era Brasil na era FHC? Nada. O que é Brasil nos anos 2000? Um país importante no fechamento de acordos internacionais, um país que cresceu. E não adianta falar que não, que não quer, as estatísticas estão aí pra provar.
  2. Privatizações. O que acontece com governos neoliberais mesmo? Ah é, eles vendem a Vale do Rio Doce por preço de banana junto com as companhias de água, luz e telefone. Isso tá soando familiar pra alguém? Vamos perguntar aos nossos vizinhos da Argentina o que eles acham disso tudo depois o que país deles quebrou por conta dessa mesma ideiazinha de “vamos vender nossas riquezas”?
  3. PSDB joga sujo.

O terceiro motivo sinceramente é o que mais me incomoda porque eu odeio mesquinharia. Mesquinharia por mesquinharia que monta essa sociedade bonita que a gente vive hoje e mesquinharia nas altas esferas do poder faz coisas como, bem, como a propaganda eleitoral do Serra.

O post do blog Escreva Lola Escreva mostra bem essa idéia. Essa questão do aborto foi um golpe muito sujo e a sujeira só está gerando mais sujeira. Acho sim que o aborto é um tema que deve ser discutido por toda a sociedade brasileira já que é primeira causa de morte em hospitais depois das doenças cardíacas. No entanto, não deve ser discutida do jeito que está sendo. Simplesmente pra condenar uma pessoa e pior, pra caluniar uma pessoa, no caso, a Dilma.

Fazer panfleto dizendo que está do lado de Jesus é demais. Nada contra Jesus, pelo contrário, mas isso é lavagem cerebral pra galera das igrejas mais radicais! Que coisa descarada! Que coisa feia! Que coisa nojenta! Jesus não gosta disso não, galera.

Então eu volto à questão: por que você está votando nesse partido? Por que? Se você não é rico e não vai ter os seus interesses defendidos? Por que, minha senhora, você que mora na periferia está levando o modelinho do Aécio Neves? E por que você que estuda na Universidade Federal de Minas Gerais está votando no Serra?

Meu problema não é com os fiéis da igreja que vão dizer que a Dilma é do demônio. Meu problema é com quem disse pros pastores e comandantes de igreja para dizerem pros seus fiéis que a Dilma é do demônio. E quem foi que fez isso? Três chances.

Eu não entendo porque pessoas que têm o mínimo de pensamento crítico não estão vendo essa podridão da campanha eleitoral. Por que ninguém pergunta pro Serra das privatizações? Dos cargos que ele abandonou? Das favelas que ele não ajudou? Das empresas internacionais que ele financiou? Por que ficar perguntando a Dilma sobre aborto, peloamordedeus! Por quê, vendo tudo isso acontencendo, você está votando no PSDB? Você realmente acredita que as coisas vão melhorar?

Se você acredita mesmo nisso, então tá, vote. Mas se você está votando PSDB simplesmente porque odeia o Lula, porque odeia o PT, porque Dilma fez aborto, porque seu pastor falou que o PT fez pacto com o demônio, porque o Aécio é gostosão, porque a sua mãe gostava do FHC, porque a Dilma é feia, porque a Dilma tem câncer, porque você acha que o Brasil tá uma merda, porque você não tá nem aí pros pobres miseráveis, porque você leu na Veja, CUIDADO!

Pare e pense um pouquinho. Só um pouquinho. Se a campanha está suja agora, imagina um mandato deles.

Se não deu pra sacar, eu vou votar na Dilma. Pronto falei.

 

 


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