Mundo de Coisas Minhas

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Esse mês o Mundo de Coisas Minhas completa um ano de existência e entra para o hall do blog mais duradouro que já fiz. Inclusive entra para as estatística dos blogs bem sucedidos, ou seja, aqueles que atravessaram o primeiro aninho. Para comemorar essa data feliz, eu tinha posts super bacanas planejados. Foi então que ao meio dia do dia 3 de abril começo a sentir uma dor esquisita no estômago. E ela vai piorando, e piorando, e piorando… até que sou levada praticamente carregada pro hospital e fico lá esperando umas três horas até que eles me dizem: “Então, moça, é o seu apêndice”.

O apêndice é uma coisinha teimosa que a evolução vem tentando tirar já faz um tempo, mas não consegue.

O apêndice é um tubo vermiforme que parte da primeira parte do intestino grosso e que se situa na região  inferior direita do abdômen.
Os seres humanos e os macacos são os únicos seres vivos que possuem apêndice. Não se sabe ao certo qual função exerce. Porém, sabemos que ele possui grande quantidade de tecido linfóide, importante para atuar como defesa contra infecções locais.

Por motivos ainda pouco conhecidos, o apêndice pode infeccionar, principalmente nas crianças, adolescentes e adultos jovens. Este quadro infeccioso é conhecido como apendicite. Os sintomas são: dores e câimbras na região situada entre o lado direito da bacia e umbigo, febre, náuseas, vômitos, constipação intestinal e diarréia.

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Bem, eles não dizem que dói feito o diabo!!!! Além disso, os médicos não estão nem aí. Começam a te cutucar pergutando “Tá doendo aqui?” aí você diz “tá”, aí eles apertam mais e dizem “E agora?”, aí você diz “tá muito” e eles apertam mais: “E agora?” e você, morrendo, grita: “P*** M****” e os médicos sorriem: “Você tá com suspeita de apêndice”.

Além disso tem o papo da “cirurgia muito simples” que só vai tirar o seu apêndice através de uma sonda com vídeo e sei lá o quê pelo seu umbigo. ho ho. “A cicatriz é tão pequena que você ainda vai poder usar biquini”. Eu fiquei olhando pro residente com uma cara de “Pelo amor de Deus, me dá um remédio pra dor que eu já estou aqui a três horas!!!!!!!!!!!” mas ele estava mais preocupado com minhas idas ao clube. Médicos são muito estranhos.

E eu me vi dois dias no hospial, morrendo de fome (por que temos que fazer jejum?????????????? Eu só queria um pedaço de pão, pelamor!), dormindo o tempo todo e falando coisas incoerentes depois da anestesia. Anestesia geral é uma coisa muito estranha. Na verdade o bloco cirúrgico é um lugar estranho. Os médicos fazendo piada, falando de futebol, o anestesista reclamando que tinha saído de casa, que saco!, pra uma cirurgia de emergência. E eu lá (com um enfermeiro estranho me amarrando na maca) com aquela cara de “E eu, galera? Foi mal mas eu to morrendo aqui”. Mas aí num instante você está examinando as lâmpadas da mesa de cirurgia se lembrando de todos os episódios de House que deram errado e ao mesmo tempo rezando que nem doido, e as luzes começam a ficar estranhas e você pensa: “Que porcaria, tô drogada” e num segundo depois você acorda com uma lezeira infernal com o umbigo doendo que nem o diabo e dizendo “Eu te amo” pra todos os seus familiares. Surreal.

15 dias de atestado médico. E não, não foi legal. Na primeira semana não conseguia ficar sentada mais de 10 minutos, só dormia de barriga pra cima. Que pooooooooooorre. E quando chega o sábado seguinte tenho que mudar de casa e como tudo ruim só pode piorar, não tinha internet pra onde eu me mudei! *tiro na cabeça* Justo no momento em que eu já conseguia ficar na frente do computador… e eu ficava olhando aquela barrinha de conexão perto do relógio… Sem conexão.

“Meu mundo caiu…”

Ficar sem internet é uma coisa chocante. Sei lá. Ficar sem olhar e-mail (e se alguma coisa importante chegou?), sem postar no blog (mesmo tendo 394839483 milhões de idéias) e o 30 Day Challenge Song no Facebook??????? Aaaaaaaaaah! E olha que eu já passei da minha fase tenho-15-anos-fico-sete-horas-direto-todo-dia-online, praticamente não entro no MSN. Como não tenho muita paciência pra jornal na TV, não sabia o que tava rolando no mundo. Que sensação de ansiedade.

Mas… (tudo tem um mas) o tempo online foi gasto num número absurdo de outras atividades o que me fez ficar bem assustada:

  • li quatro livros (!!!)
  • escrevi mais de 10 páginas de uma história que tava parada tinha séculos
  • voltei a tocar violão
  • aprendi a tocar 6 músicas no violão pegando de ouvido
  • compus uma música
  • revisei meu livro
  • ouvi todos os albuns das Runaways e aprendi a cantar as letras certas
  • gravei dois videos comigo tocando
  • escrevi 4 resenhas sobre os 4 livros lidos
  • pesquisei coisas em, olha só que coisa, livros!
  • aprendi a mexer nas configurações do meu celular
  • assisti o filme The Runaways com os comentários em audio da Joan Jett (e nada mais hilário que ouvi-la dizer “Eu nunca usei couro preto. Não sei porque eles insistiram nessa de couro preto” rs)

Lembrando que tudo isso foi feito num pós-operatório, ou seja, eu estava debilitada, com dores e tinha que ficar interrompendo as atividades toda hora pra tomar um analgésico e/ou deitar. Imagina o que eu não teria feito se estivesse 100%?????????? Dominação mundial? Brincadeira.

Será que a internet é responsável por um ócio criativo? *pausa dramática*

Mas quando os caras da Net apareceram, meu coração pulou! Não tem jeito, sou dependente de internet. E inclusive é graças a ela que descobri que um cara na Duke University defende que o apêndice é na verdade um reservatório de bactérias positivas que fortalecem o sistema imunológico. E bem, tadinho do meu sistema imunológico, pode ter sofrido uma baixa e tanto.

A Internet – pelo menos como a rede mundial que a conhecemos hoje e não como um reduto de informações para nerds americanos – é uma moça de 15 anos. E como todas as moças dessa idade, ela pode fazer coisas ótimas, com insights incríveis (como conectar pessoas) mas também pode fazer umas merdas das grandes (como servir de veículo para proganda política enganosa).

Sempre que eu penso em internet, eu penso naquela frase Homem Aranha: “Grandes poderes trazem grandes responsabilidades”. Uma rede mundial conectando todos os computadores do mundo pode ser simplesmente a coisa mais incrível que já existiu ou a coisa mais desastrosa que já existiu. E sabe o que faz a diferença entre uma coisa e outra? Nós, usuários.

Logo que a Dilma foi eleita, um monte de posts começaram a pulular no Twitter contendo mensagens de ódio direcionadas aos nordestinos. O número de mensagens com a tag foi tão grande que foi parar nos trending topics, ou seja, a coisa ganhou um alcance mundial. Eu, pessoalmente, não gosto do Twitter, até tenho um, mas não uso por dois motivos. 1) o número de mensagens inúteis é absurdo; 2) vou entrar em contato direto com mensagens de ódio e preconceito e sinceramente, não estou com paciência pra isso.

O gatilho de todas essas mensagens foi a estudante de direito (olha só, hein) Mayara Petruso. A mensagem dela foi a seguinte: “Nordestino não é gente, faça um favor a Sp, mate um nordestino afogado”. Por conta disso, ela perdeu o estágio no escritório de advocacia e ainda vai enfrentar um processo na justiça por conta de xenofobia e incitação ao homicídio. Qual não foi a minha supresa quando, ao conversar com outras pessoas a respeito do assunto, descobri que muita gente rotulou as consequências como “uma palhaçada” dizendo que “internet é internet”.

Não, internet não é internet. Você não pode falar o que quiser na internet sem sofrer as consequências. A impressão que eu tenho é que as pessoas se escondem por trás dos seus perfis de Orkut e Facebook, achando que ali é o lugar para “falar o que der na telha” porque é terra de ninguém. Não é. A internet tem provado cada vez mais ser terra de todo mundo e por isso mesmo, tem regras.

Além disso, existe um outro motivo para pensar duas vezes no que você escreve no seu blog, no Twitter ou Facebook: mensagens de ódio se propagam com muito mais rapidez do que mensagens de amor e paz. Quer um exemplo prático? Por que é que tem tanta briga entre torcidas de futebol? Por que pessoas aparentemente tranquilas de repente se vêem no meio de uma série de agressões físicas? Porque algum infeliz gritou “Dá um soco na cabeça desse desgraçado” e a turba, envolvida pela emoção do jogo, se deixa levar, transparecendo as piores tendências de cada um. Isso é cientificamente comprovado. Incitar a turma é algo perigosíssimo e pode levar a consequências desastrosas como linchamento. Uma mensagem de ódio no Twitter espalhou milhares de outras mensagens de ódio. Será que se alguém tivesse escrito “Faça um favor ao Brasil, abrace o seu próximo” isso ia ter chegado aos treding topics do Twitter? Pois é.

A responsabilidade que temos como blogueiros ou simplesmente como usuários de redes sociais é muito grande. Então, eu proponho que a gente pense um pouquinho antes de sair por aí falando “o que dá na telha” e pense: essa mensagem pode direta ou indiretamente desencadear uma onda de ódio? Ela é preconceituosa?

Tudo bem que as mensagens de amor, paz, consciência social e etc não se espalham tão fácil, mas acho que não custa nada tentar. : )

 


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