Mundo de Coisas Minhas

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Sabe aquele esteriótipo da boa aluna que passa cola pros amigos, mata aula de Educação Física no banheiro feminino, leva bolada na cara no handball, usa uniforme quatro números maior que o necessário, não estuda pra prova mas tira nota alta, lê uma porrada de livros nas férias, gosta de bandas que ninguém conhece e tem um cabelo super cheio?

E eu também tinha (ainda tenho) dentes enormes! A diferença é que não, eu não fiquei fashion e bonitona que nem a Emma Watson...

Era eu!

Eu ainda não tenho certeza se sofri bullying na escola, mas algumas pessoas definitavamente me zuavam. Acho que a maioria dos professores gostava de mim e eu tinha amigos. Provavelmente assustava a maior parte dos meninos mas por mais incrível que pareça eu tive dois namorados na adolescência. O fato de eles terem feito um estrago na minha auto-estima é irrelevante. Ou não.

A verdade é que é estranho, aos quase 22 anos, olhar para os meus diferentes eus da adolescência. Aos 12 anos eu era definitavemente uma garota super confiante que não estava nem aí pra ninguém porque eu me achava bem legal. Já aos 14, minha auto-estima foi parar no pé e eu realmente fiz uma mexa vermelha no cabelo e comecei a andar com roupa preta. Aos 16 minha auto-estima melhorou e eu comecei a conviver com um grupo diferente de colegas, o que foi bom para minha habilidade de socialização. Tudo isso foi destruído aos 17.  Mas eu sempre sempre fui normalzona.

Quer dizer que nunca fiz nada incrivelmente doidão. Às vezes escuto algumas pessoas contando histórias incríveis de adolescência no estilo “saí de casa e voltei 5 dias depois de carona numa vã” ou “fui com um amigo pra uma boca de fumo e cheirei um troço estranho que me levou pro hospital mas eu contei pra minha mãe que tava com dor de barriga” e por aí vai. Eu fico pensando: onde vocês viveram? hahahahaha Porque eu, bem, eu era bem normal e a maior emoção da minha vida na época foi ter ganhado prêmios por escrever fanfics.

Aliás, por volta dos 15 anos minha vida era basicamente internet. Fóruns de Harry Potter, discutir Harry Potter, escrever Harry Potter. Isso era basicamente o que me fazia feliz. Porque era onde eu encontrava pessoas como eu, que não iam pra boca de fumo ou apareciam depois de dias na noitada (pelo menos não que eu saiba) e ainda por cima entendiam as minhas piadas. E bem, nada melhor naquela época do que receber o aviso de comentário do Fanfiction.net e alguém dizer que tinha chorado lendo uma fic minha ou morrido de rir.

Harry Potter acabou e esse tempo ficou para trás. Quer dizer, eu sempre vou tremer com uma referência a Ron/Hermione, sempre vou ser péssima em esportes, sempre vou gostar de bandas que ninguém conhece, sempre vou arrumar uma obcessão nova e meus dentes são grandes e não vão diminuir.

Alguém me diz o que isso quer dizer? hahahahaha

Eu só acho que se eu tivesse visto esse vídeo aos 14 anos, eu definitavemente teria me sentido menos sozinha.

Quem teve uma adolescência cliché e normal põe o dedo aqui que já vai fechar não adianta chorar nem espenear…

No meu outro blog, Livros de Fantasia, acabei de postar um podcast hilário sobre Harry Potter gravado juntamente com a Amanda. Quem é fã da série e quem não é, mas quer rir muito, é só entrar no blog e ouvir.

Rush é uma daquelas bandas que pouca gente conhece. Não que seja uma banda ruim, mas porque é uma banda da década de 70 com músicas de mais de 9 minutos. Enfim.

Sou fã de Rush desde os meus 12 anos, apesar de a minha mãe dizer que sou fã desde que era um feto. Quando ela estava grávida de 6 meses, meus pais fizeram uma viagem à praia e ouviram Rush, Grace Under Pressure durante todo o caminho e eu ficava mexendo na barriga. Já meu pai diz que sou fã de Rush desde que eu tinha uns quatro anos: ele conta que eu então sabia cantar todas as músicas de Power Windows (claro que balbuciando tudo).

Mas vamos dizer que fui uma fã consciente aos 12 anos. Meu pai deixou um CD do Retrospective Rush 1974-1980 por perto e disse “É legal”. Na época eu tinha um discman (olha que coisa arcaica) e resolvi ouvir o disco. Eu adorei! Escutava o dia inteiro e elegi minha música favorita (que é essa até hoje), The Trees, do álbum Hemispheres. Claro que ninguém da minha idade ouvia Rush, então eu pesquisei tudo sozinha. Acabei achando um site ótimo chamado Test4Echo e peguei todas as letras. Meu pai baixou os albuns na internet (porque ele tinha a maioria em LP!) e isso na época em que só existia net discada.

Foi assim que fiquei fã de Rush. Foi assim que aprendi inglês também. Porque eu traduzia todas as músicas e olha que as letras do Rush não são fáceis!

Quando o Rush veio ao Brasil pela primeira vez em 2002 eu não tinha grana pra ir. Comprei o DVD histórico Rush in Rio e fiquei vidrada. Sensacional! E oito anos depois tenho a chance incrível de ir à turnê Time Machine para assistir um show incrível na Praça da Apoteose no Rio de Janeiro!

Eles são incríveis ao vivo! Sério. Nem parece que eles têm 60 anos. Todos parecem tão saudáveis e enérgicos… Eles são engraçados e alto astral, não dá pra acreditar. E são músicos fora de série. Meu Deus, o Geddy Lee é ainda mais sensacional ao vivo. Como ele consegue fazer aquilo tudo no baixo e ainda fazer parecer fácil?

Fiquei na arquibanca e consegui ver tudo de um ângulo incrível. É uma pena que não levei a máquina fotográfica. O show é super produzido. Três telões gigantes mostram o show e alguns clipes super legais com imagens relacionadas às músicas, fogos de artifício explodem, vapor sai da miniatura de Time Machine no palco, uma estrutura de metal se mexe e lança luzes… E no início do show, um vídeo feito pelos integrantes mostrando a banda Rash zoando grandes hits do Rush fez todo mundo rir até… Eu já disse que eles são super engraçados?

Nem sei se consigo descrever o que esse show representou pra mim. Só sei que cantei todas as músicas até perder a voz. Fiquei completamente extasiada. E o show tem 3 horas de duração? Quem faz um show assim? E a sensação que você tem é que eles realmente estão se divertindo. Que para eles aquilo é o melhor momento de todos.

O show começou com The Spirit of the Radio. A galera delirou e cantou junto.

Begin the day with a friendly voice – a companion unobstrusive

Play that song that is so elusive and the magic music makes your morning mood

O início do setlist para mim foi a melhor parte do show. Em sequência veio Time Stand Still (que dá pra fazer chorar), Presto e Stick it Out. Na sequência uma música nova (que não curti muito) e a instrumental Leave That Thing Alone. Depois mais duas músicas novas e pra fechar a primeira parte do show vieram Freewill, Marathon e Subdivisions (as três me deixando maluca de tanto pular e cantar).

O intervalo foi de vinte minutos e uma projeção no telão ficava mostrando a Time Machine avançando nos anos e todo mundo ficou super ansioso por saber o que viria a seguir: a execução completa do album Moving Pictures que nesse ano completa 30 anos. Quando o indicador marcou 1980 a banda começou com Tom Sawyer e a galera delirou.

A modern-day warrior Mean mean stride, Today’s Tom Sawyer Mean mean pride

Depois veio Red Barchetta, YYZ (que apesar de instrumental fez todo mundo acompanhar com Ooooo oooooooooooooh), Limelight (com seu solo incrível), The Camera Eye, Witch Hunt e pra encerrar o album, mas não o show, Vital Signs. Veio então uma música nova e o Drum Solo do Neil Peart.

Nessa hora começou a garoar e eu achei melhor descer para um lugar que tivesse teto. Não consegui, mas até que foi legal ver o show lá de trás porque os telões eram imensos, então não perdi nada. E o Drum Solo é um exagero. Depois dele, veio uma versão nova de Closer to the Heart que adorei, 2112 Overture e The Temples of Synrix (galera delirando de novo) e uma música do Snakes and Arrows que só tinha ouvido falar, Far Cry.

Hora do bis! E ele veio com La Villa Strangiatto (zuando muito por conta do início em forma de polka) e depois Working Man (que começou com uma versão de reggae esquisita). Saí do show no meio da última porque fiquei com medo de não conseguir taxi para ir embora e sabe como é, RJ é uma cidade perigosa.

Enfim, melhor show da minha vida. Inesquecível. Pena que eles não tocaram The Trees, a favorita de todas. Mas tenho certeza de que vou ver isso um dia.

Geddy Lee, agora mais que só um ídolo musical. Bacana demais.

A parte boa de não levar a câmera foi que curti o show intensamente, sem me preocupar com zoom e flash. Pelo menos isso.

No meu Facebook, links de vídeos do show em alta definição.

Rush Rush Rush!

Pois então, agora ela é um best-seller do New York Times! Sim, ela escreve uma série que acabou de ser traduzida para o Brasil e tem o nome de The Mortal Instruments. Descobri isso não faz mais de dez minutos enquanto lia o blog Leitura Compulsiva, da Camila, que apesar de ter um excesso de livros sobre vampiros, sempre acompanho.

Para quem não se lembra, ou simplesmente não sabe quem é, Cassandra Clare já foi Cassandra ClaIre, escritora da famigerada fanfic de Harry Potter chamada Draco Dormiens. Para os que ainda estão com aquela cara de total ignorância, uma fanfic (ou fanfiction) é uma história sem fins lucrativos criada por fãs sobre uma determinada série. Durante muitos anos da minha vida pertenci a esse mundo e foi quando li Draco Dormiens que é uma fanfic de Harry Potter onde há um triângulo amoroso entre Draco, Harry e Hermione. ????????????????????????????????

Cassandra, agora Clare, é um sucesso mundial depois de ter escrito que a masmorra estava muito quente, mas que Snape não ligava

Cassandra Claire era uma figura notória no mundo das fanfics, nos dois sentidos da coisa. Tinha gente que idolatrava suas histórias, tinha gente que achava que ela era a filha do Filch com a Lula Gigante. Só sei que ela enfrenteu críticas e elogios durante toda a sua carreira como ficwriter o que fez com sua fanfic fosse traduzida para várias línguas, inclusive português, e a canonizasse (infelizmente) como uma celebridade do mundo das fanfics.

Como ferrenha denfensora do casal Ron/Hermione, eu nunca pude realmente apreciar “Draco Dormiens”. Pra mim, era um delírio dos maiores. Mas meu problema com a Cassandra Claire era ainda a atitude besta que ela tinha, principalmente quando J.K.Rowling disse que Harry/Hermione era um casal para pessoas iludidas e ela simplesmente falou que ia queimar todos os livros da série! duh

Agora ela é um best-seller internacional e well, I´m sorry, nunca vou ter estômago para ler os livros dela. É uma questão ideológica. Será que isso é um preconceito? Será que é inveja? Que é que vocês sentem sobre isso, pessoal? Qual a sua opinião? Vocês conhecem mais algum escritor de fanfic que virou sucesso?

Agora a pouco, durante uma pesquisa que estava fazendo na internet, acabei encontrando esse texto sobre adolescência – clique aqui para ler porque vale a pena. Como era antes, como é agora. Achei bem interessante.

A jornalista que escreveu esse texto foi adolescente no início da década de 90, ou seja, no mínimo uns quinze anos antes de mim. No entanto, dá pra ver que os comportamentos adolescentes não são tão diferentes assim, só mudam um pouquinho de cor e endereço.

Na minha época (se sentindo A velha aqui…), Malhação era uma novidade super cool. Todo mundo queria sair da escola mais cedo pra assistir Malhação. Era o auge daqueles casais de amores arrasadores, com as vilãs-amigas-primas-irmãs super malvadas que faziam de tudo pra tirar a felicidade dos dois. Tinha personagens drogados, meninas grávidas e tantas outras coisas que eram coisa de outro mundo pra um bando de adolescentes de classe média que estudavam em escola católica.

E tinha revista Capricho! E no auge dos meus treze anos, ler Capricho (com todas aquelas reportagens sobre sexo e fotos de homem sem camisa) era uma coisa de outro mundo. As meninas mais moderninhas compravam a revista e passavam pela sala. A gente trocava bilhetinho e dava risadinha.

Mas pra ser rebelde mesmo tinha que era que ser Wicca. Gente, Wicca foi uma febre total na minha escola. E as freiras da escola mandavam recolher as revistas Wicca, mas existia um mercado negro no banheiro feminino que era impossível ser controlado. Todas as meninas faziam mexas no cabelo (até eu, no auge da loucura, pintei um pedaço do cabelo de vermelho) e pintavam as unhas de vermelho. Preto era o look do momento assim como pentagramas e camisas pretas de bandas que remetiam a essa idéia de magia ou o que quer que a gente achasse que Wicca fosse.

A gente mandava bilhetinho ameaçando as meninas que namoravam os guris que a gente gostava. Tinha Olimpíadas na escola e a gente torcia pro time da sala e até brigava com a melhor amiga (porque ela era da 718 e você era da 720). As meninas atléticas jogavam handball e ganhavam todos os olhares; as meninas paradas ganhavam boas notas e jogavam fora todas as chances com os meninos.

Todo mundo queria saber como era dar um beijo na boca. E todo mundo fingia que já tinha dado. Era tudo tão igual!


ENQUETE!

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