Mundo de Coisas Minhas

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E àqueles que pensaram que eu havia desistido e mudado pra outro planeta a fim de não ter que terminar esse desafio, eu digo que estão enganados: no dia 31 de janeiro, como prometido, terminei o desafio. E olha aí o post do twitter pra não me deixar mentir:

Pra quem quer refrescar a memória, o Desafio Literário 2 tinha como proposta terminar de escrever um livro até dia 31 de janeiro, não importando o número de páginas. Acabei me decidindo por escrever o livro FICÇÃO CIENTÍFICA que eu trabalhei no primeiro Desafio Literário. O Desafio Literário 2 foi uma empreitada com a Karen, do blog Eu, Papel & Palavras, mas a danada conseguiu terminar o livro dela com duas semanas de antecedência, olha só!

No primeiro desafio foram 10034 palavras. Eu parei de escrever no capítulo oito. De acordo com meu plano original, seriam treze capítulos, então achei que poderia cumprir o desafio tranquilamente. Mas não é que logo na primeira semana de escrita eu decidi enfiar mais três capítulos nessa história? Obviamente, isso me custou mais tempo de trabalho. Na penúltima semana eu estava desesperada, mas dei um arranque final e consegui terminar no dia 31 de janeiro antes da meia-noite! Ufa!

Foram ao todo 30138 ao longo de 137 páginas em tamanho A5. O total do livro é de 54220 em 254 páginas. O gênero é ficção científica do tipo Low sci-fi (ou Baixa Ficção Científica), ou seja, há mais enfoque no lado psicológico e dramático do que no aspecto científico da coisa. A ideia é dar mesmo foque aos conflitos dos personagens em um mundo dominado pela valorização do intelecto. Já postei pra vocês aqui alguma coisa sobre essa história. Estão aqui os posts com protagonista & linhas gerais, uma cena emblemática, a sinopse oficialcomo a história surgiu e até mesmo um post sobre meu método de escrita!

Hoje vou falar mais sobre o estilo. Bem, eu diria que o livro é uma mistura de suspense com agst. O leitor não fica sabendo muita coisa  logo de cara, simplesmente acompanha a garota Andrella em uma rede de situações. A ideia é fazer tudo um grande quebra-cabeça que será compreendido no final. Ou não. hahahahahaha

Quanto a influências, eu diria que a maior influência é Stephen King. Sério mesmo. Não no quesisto terror, mas na coisa do drama e no desenvolvimento de personagens. Claro que tem outras coisas de autores que eu gosto e algumas influências que eu nem me dei conta até agora.

Enfim, o livro se chama Metrópole e agora estou no processo de registro na Biblioteca Nacional e depois vou procurar uma editora.

Obrigada a todos que me incentivaram nesse projeto, especialmente à companheira Karen. Não deixem de dar uma olhada no blog dela!

Não, não, eu não esqueci do desafio. E essa é a penúltima semana, então já dá pra sentir o bafo quente do prazo final na nuca e um desespero básico. Pois é, essa história de escrever um livro inteiro em pouco mais de um mês tem muito de diversão, mas não é fácil. E agora na reta final fica uma ansiedade enorme porque ainda tenho um trabalhinho bom pela frente!

Nas últimas semanas postei algumas informações sobre o livro: protagonista & linhas gerais, uma cena emblemática, a sinopse oficial e como a história surgiu. Agora queria falar um pouco sobre meu processo de escrita, como é que faço quando sento pra escrever. Essa é uma pergunta muito comum que me fazem e achei que ela merecia um post.

Bem, vamos lá. Uma coisa importante pra mim é que só começo escrever alguma coisa se a idéia estiver bem clara na minha cabeça. Por exemplo, se tenho uma idéia sobre alguma história eu deixo que ela “amadureça”  durante um tempo. Isso por uma razão prática: tenho muitas idéia ao longo do dia, mas muitas delas vão embora depois de algumas horas. Se uma idéia é persistante o suficiente para ficar vários e vários dias, começo a pensar em detalhes. Personagens, cenários, nomes, acontecimentos importantes. Passado essa fase eu sento pra escrever uma cena, um começo. Aí é que vejo que tipo de linguagem vou usar, que tipo de narrador a história precisa e etc.

Se gosto do rumo que a história está tomando, faço o planejamento geral que consiste na divisão de capítulos e o que vai acontecer na história mais importante. Isso ajuda a saber para onde estou indo e que tipo de informação devo disponibilizar em cada parte. Normalmente tenho um caderno em que anoto fatos importantes que não posso esquecer, bem como esquemas de hierarquias, lugares, cenários, datas…

Aí começa o processo de “encher” as lacunas. Muita coisa aparece nessa hora, alguns detalhes, mas se engana quem pensa que escrever é uma inspiração que vem do nada e de repente você terminou dez páginas. Escrever é trabalho duro, dá dor de cabeça, dor nas costas, dor no olho… É um esquema de tentativa e erro. Você escreve um pedaço, revisa, escolhe outra palavra, muda, às vezes até deleta tudo… Mas o importante é que se continue escrevendo.

Gosto de escrever quando não tem ninguém por perto, de preferência à noite que é quando me concentro mais. Escrevo no Word mesmo e recentemente, por sugestão da Kakazinha (ela mesma, a companheira desse desafio!), uso o formato de página A5 que dá  a impressão de que estou rendendo mais. Quando sento pra escrever, sempre releio o capítulo anterior para me habituar ao clima da história, nível de tensão e tipo de linguagem necessária. Paro de escrever se sinto que estou muito cansada ou impaciente. Nessas horas, a escrita cai de qualidade e a gente não rende nada.

Quanto aos rendimentos, semana passada escrevi 4523 correspondentes ao capítulo 12 que chamei de “O Som do Velho Mundo” e às duas partes do “Interlúdio” que são fragmentos entre os capítulos. Acabei não escrevendo mais porque viajei no sábado e só voltei ontem. Minha idéia era levar o computador e escrever lá, mas como contei pra vocês no último post, ele simplesmente morreu e tive que mandá-lo pra assistência técnica.

O livro tem 16 capítulos, então como vocês podem ver, faltam quatro. *bate a cabeça no monitor* A parte ruim é que vou ter que escrever loucamente numa média de 8.3 páginas por dia para conseguir terminar na terça-feira 31 de janeiro (e já aviso que vale até a meia noite, hein? hahahaha) A parte boa é que desses quatro capítulos, somente um é difícil (o 16, por causa do drama), os outros são mais tranquilos.

Até agora são 187 páginas. Puxa vida.

Minha vida no solitário Word...

Será que vou conseguir?

Não deixem de conferir também o trabalho da Karen no blog Eu, Papel e Palavras.

Pois é, já estou na quarta semana do meu segundo desafio literário. Vocês podem acompanhar o progresso das semanas anteriores aqui, aqui e aqui. Lembrando que é uma proposta que divido com a Karen, do blog Eu, Papel e Palavras.

Escrever um livro em pouco mais de um mês é uma experiência cheia de altos e baixos. Há dias de produção intensa e outros de pura letargia. Às vezes a escrita vem fácil, quase escorregando, outras vezes vem dura, exige muita lapidação. No entanto, o resultado é sempre positivo. O que não significa que fico sempre satisfeita com meu trabalho, mas me sinto feliz de estar trabalhando. É realmente o que eu amo fazer. E isso é uma coisa muito motivante.

Mas vamos ser realistas. Semana passada foi o caos. Estava extremamente cansada, tive uma crise alérgica e depois meu computador foi pro espaço. Frustração total. (Ah, e antes que alguém pergunte, meus arquivos estãos sãos e salvos em milhões de backups espalhados vida afora. Nesse sentido não fui comprometida.) Ao todo foram 2851 palavras que correspondem ao capítulo 11, que tem um título provisório de “O Caminho dos Túneis”, e ao comecinho do capítulo 12 que ainda não tem nome. Já mencionei que sou péssima com títulos?

Mas levo jeito para nomes de personagens e lugares. rs

Já falei pra vocês um pouco da protagonista, já coloquei uma cena e até a sinopse oficial. Agora decidi que vou contar pra vocês como é que eu tive a idéia pra essa ficção científica distópica.

Na verdade a minha idéia inicial era criar uma história para adolescentes cuja protagonista fosse uma adolescente. A proposta era fazer uma história inteligente sobre uma menina de 15 anos. Algo que fosse YA (Young Adult, mas eu nem sabia que esse termo existia na época), mas que tivesse questionamentos profundos. Um troço sério. O tema do livro sempre foi a pergunta O que é identidade?

Claro que falhei totalmente nessa proposta. hahahaha Quer dizer, eu lembro de contar a idéia pra minha irmã e ela dizer: “Mas isso não é um livro adolescente não, isso é perturbador! Mas é uma história muito boa”. A segunda pessoa a quem contei essa história foi para meu namorado. Ele ouviu pacientemente e foi a primeira pessoa que ouviu o enredo geral todo, até o final. Quando terminei, ele disse: “Isso é muito doido e não é uma história adolescente. Mas é bem legal”. Acho que ainda é um YA, mas não para o público alvo que pensei no início.

Me sentei para escrever e escrevi os quatro primeiros capítulos em uns dois dias. Quando terminei, mandei pra Amanda, do blog The Pavania, e eu até hoje me lembro dela dizendo que eu sou incapaz de diferenciar “a” de “há”. E sou mesmo. hahahaahaha

A Amanda me fez pensar em alguns questionamentos interessantes a respeito da história, principalmente em relação à protagonista, a garota de 15 anos Andrella. A idéia é que a personalidade dela fosse desenvolvida aos poucos, mas aí eu esbarrecei em um problema óbvio: como fazer a primeira parte do livro, a que ela aparentemente não é uma protagonista forte, interessante?

Foi aí que parei de escrever. Fiquei tipo uns dois anos (putz, dois é MUITO tempo) sem pegar nessa idéia, mas sabendo que ela existia.  Foi em abril desse ano, durante a recuperação da fadada cirurgia de apêndice que voltei a escrever essa trama. E aí encontrei saída para os problemas de antes e continuei desenvolvendo a história. Trabalhei nela durante o Desafio Literário 1 e resolvi continuar neste agora. Então é isso.

Minha perspectiva até o fim de semana (porque vamos por partes, né?) é de terminar o capítulo 12 e o Interlúdio. O projeto é de 16 capítulos. Será que vai dar até dia 31 de janeiro???? *modo desespero ativado*

E tudo não fica mais glamouroso numa máquina de escrever? Acho que ninguém liga muito pra um computador velho e pra uma escritora de pijama...

Ah, e não posso deixar de dizer o quanto fiquei feliz hoje ao saber que a Karen, minha companheira de papel, conseguiu terminar o livro dela duas semanas antes do prazo final! Eu mal posso esperar para ler essa belezinha, que vai dar um baita livro de terror. Não deixem de conferir as novidades no blog dela.

E o desafio literário chega ao fim. Foram três semanas e a proposta insana de escrever 10.000 palavras e tentar criar alguma disciplina. Comecei dia 9 de novembro e tive como data-limite o dia 30 de novembro. E quer saber, foi uma insanidade! hahahaha

Semana passada cheguei à conclusão que estava atrasada. Com pouco mais de 4000 palavras escritas eu tinha uma semana para escrever as quase 6000 restantes!

Nem precisa falar que foi desespero total. E eu tive que arrumar um jeito de cumprir o desafio. Eu PRECISAVA cumprir essa desafio pra provar a mim mesma que sim, é possível continuar escrevendo mesmo em meio à uma vida com trabalho, estudo, amigo, família, namorado, músicas e só sei lá mais o quê que uso como desculpa pra dizer não dá tempo pra escrever.

E a coisa andou assim:

24/11 – Escrevi 937 palavras de FICÇÃO CIENTÍFICA. (perceberam que eu só escrevo isso, né?)

25/11 – Nadinha.

Aí bateu uma sensação e resolvi que no sábado, dia 26, que precisava fazer alguma coisa. E foi aí que meu lado Sonserino entrou em ação.

*Slytherin mode on*

Isso é completamente desprezível. Como é que vocês desejam cozinhar a fama e engarrafar a glória se não conseguem cumprir um desafio mísero? Vão fazer o que agora, ir chorar como os bebês chorões que são?

Slytherin Mel: Pronto, pronto. Cheguei, galera. Vamos colocar ordem nessa porcaria.

Melissa cética: Olha, não dá mais tempo, querida. A gente fez o que podia, mas falhou.

*Melissa feliz chora num cantinho*

Slytherin Mel: O que?????????? Vocês vão aceitar perder assim????????? NO WAY!!!!!!! Nós vamos montar um esquema aqui e ganhar esse desafio. Melissa-cética, você vai dividir o número de palavras que faltam pelo número de dias restantes e vai supervisionar de perto a produção dessa porcaria. Como boas Lufas que são, vocês não vão trapacear, mas eu quero algo de qualidade e digno! Melissa-feliz, você vai dar o incentivo necessário a essa tarefa e controlar o pensamento musical do momento, minha filha, que não é hora disso não! Eu quero que você sinta o calor do deserto das cenas de FICÇÃO CIENTÍFICA, quero que escreva como nunca escreveu. Eu quero sofrimento, drama, dor, desespero, eu quero sentir aquelas duas mulheres andando no deserto como se elas estivessem na minha sala de estar!!!!!!!!!!!!!!

* Melissa-cética e Melissa-feliz vão correndo desesperadas enquanto Slytherin Mel supervisiona o trabalho *

Slytherin Mel: Esses fragmentos do diário estão um lixo, reescreve esse troço, galera!

26/11 – 909 palavras

Melissa Feliz: Poxa, mas rolou a reescrita de um fragmento inteiro…

Melissa Cética: Pára de reclamar, que a doida vai acabar ouvindo.

Slytherin Mel: Eu já ouvi!!!!!!!!!!!!!

27/11 – nope.

28/11 – 1713 de FICÇÃO CIENTÍFICA.

29/11 – 880 palavras de FICÇÃO CIENTÍFICA.

E finalmente chegou dia 30, o último dia. Faltavam ainda 1365 palavras para que o desafio fosse cumprido. E além dele, uma pilha de provas e meu último trabalho de graduação me encaravam.

Slytherin Mel: Poxa galera, eu fiz tudo que podia aí… Que coisa mais sacal. *Slytherin mode off*

Melissa Cética: Eu sabia que a gente não ia conseguir…

Melissa Feliz: Poxa, gente,  não desanima não. Ainda temos *olha no relógio* três horas pra terminar!

Melissa Cética: Uau! *ironia on*

Melissa Feliz: E eu sei exatamente o que a gente precisa.

Melissa Cético: Que o espírito de um falecido escritor de ficção científica baixe aqui? *ironia ainda on*

Melissa Feliz: Não… de uma coisa bem melhor…

Três horas?????? Três horas dá pra fazer muita coisa, gente. Sério. Vamos pensar juntos. É ficção científica. Duas mulheres no deserto. À noite. Huum... O que pode acontecer depois de uma grande cena de ação? Vamos lá! Juntem as cabeças e pensem!

*Hufflepuff monde on*

30/11, quase uma hora da manhã – 1402 palavras de FICÇÃO CIENTÍFICA.

Saldo parcial: 5841 palavras

Saldo total: 10034 palavras!!!!

Desafio cumpridooooooooooooooooooooooooooooooooo!

Yeah oh yeah oh yeaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaah! *Joan Jett style*

Aham aham aham

uuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuh!

*Hufflepuff mode off*

Estou muito feliz de ter cumprido essa desafio. Não só pelo prazer de cumpri-lo (adoro desafios, adoro listas de coisas pra fazer), mas de pensar que avancei muito em FICÇÃO CIENTÍFICA e avancei numa parte difícil da história, um momento daqueles mais denso e até meio paradão, mas que é necessário antes de grandes revelações e acontecimentos. Com certeza fiquei bem mais empolgada com essa história agora e consigo visualizá-la com mais clareza.

Mas fiquei decepcionada porque não consigui ter disciplina para escrever todos os dias. Por isso, apesar de não postar mais resultados aqui, vou me forçar pra manter a meta de 500 palavras por dia. Quero terminar FICÇÃO CIENTÍFICA no mês que vem!

Melissa Cética: E lá vem mais trabalho…

Melissa Feliz: Eeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeh! Vai ser LEGAL! A gente chamar o Cedric e o Snape de novo?

Melissa Cética: Pervertida!

Obrigada  todos que deram apoio e acompanharam esse desafio, espero que vocês possam ler FICÇÃO CIENTÍFICA dentro de alguns meses. Ah, e não deixem de conferir a Ily e a Kakazinha em seus respectivos desafios também.

*saltinhos de alegria*

 

E o desafio literário que propus copiando descaradamente a Kakazinha Karen e a Iy Vânia chega a sua segunda semana. E o que temos aqui? ………………… Procrastinação feia!

Mas peraí, eu tenho justificativa!!!

Voz Melissa cética: Ah, deixa eu adivinhar… você tava cansada, trabalhando, se destraiu, foi namorar, saiu com amigos porque você merece, né, teve que acordar cedo pra ir pra aula…

Voz Melisa Feliz: Poxa, mas é verdade!

Voz Melissa cética: tsk tsk tsk Eu pensei que o motivo desse desafio era justamente arrumar um jeito de escrever em meio ao caos da rotina.

Voz Melissa Feliz: Mas… mas… mas

Números não mentem jamais. Então vamos lá.

16/11 – Nem uma linha.

17/11 – Zero.

Voz Melisa Feliz: Peraí que eu tenho uma justificativa pra esse dia.

Voz Melisa Cética: To ouvindo. *bocejando*

Voz Melisa Feliz: Eu tava muito musical nesse dia. Eu não conseguia pensar em nada, só nas músicas!

Voz Melisa Cética: Que pena que letra de música não conta, né? *mode ironia on*

18/11 – Neca de nada.

19/11 – E mais um monte de nada! Mas eu gravei o vídeo da uma música nova de Wizard Rock!!!! E ficou legal!!!

Voz Melisa Cética: Pára de se justificar!

20/11 – Sentei no computador e me forcei a escrever tipo 11 horas da noite por pura vergonha. E saíram 1514 palavras de FICÇÃO CIENTÍFICA. E gostei muito do que escrevi. Foram três terços de um capítulo que fala de um momente crucial na trama e o resultado ficou bom, do jeito que eu queria. Sinceramente, foi a melhor coisa que escrevi nos últimos tempos, acho que finalmente encontrei o tom certo pra o que tá acontecendo nessa história.

21/11 – E tava tudo indo tão bem… pena que caminhou pro grande vazio.

Total de palavras da semana: 1514 (das 3333 previstas rs)

Total parcial: 4193

Voz Melissa Cética: Estamos ferradas.

Voz Melissa Feliz (em posição fetal): Eu sei.

Elas estão em toda parte: em salas de espera de médicos e dentistas, no salão de beleza, na biblioteca de escolas, na mesa daquela sua colega de escritório, dando sopa na cestinha de revistas de um banheiro. As revistas femininas tomam o mercado editoria com tiragens enormes, tudo isso apostando numa variedade absurda, que vai agradar vários gostos.

Para as mais sofisticadas, Marie Claire. Para as mais modernas e esportivas, Claudia. Para as mais comportadas, Criativa. Para as adolescentes mais saidinhas, Capricho. Para as adolescentes mais recatadas, Atrevida. E vão aí inúmeras outras. Variando a faixa, as capas sempre mostram uma celebridade maravilhosa com uma frase de impacto e os assuntos são os mesmos:

  • o que você deve vestir e que dieta você deve fazer para ficar em forma (Moda & Beleza);
  • o que você deve fazer para arrumar um namorado ou manter o seu namorado/marido/parceiro/peguete (Comportamento);
  • e o que você deve pensar (Carreira, Celebridades e Assuntos Polêmicos)

Todas elas têm uma única premissa: a mulher moderna e inteligente. Mas quem diabos é essa mulher?

A primeira foto que aparece no google images quando você digita "mulher moderna e inteligente". Pra quem não reconheceu, essa é a Katie Holmes, mulher do Tom Cruise. É, aquela mesma que não pode mais fazer cena de beijo por conta do maridão.

Basicamente a mulher moderna e inteligente domina 3 grandes aspectos da vida (e sim, já li essas revistas então posso falar):

  1. Ela é alta, magra, tem os cabelos impecáveis, veste-se com estilo, acompanhando todas as tendências da moda. Se a genética não permite, vamos apelar para as dietas loucas, saltos, itervenções cirúrgicas e tudo mais.
  2. Ela está sempre acompanhada. Se não tem namorado/marido/parceiro/peguete, sabe exatamente o que fazer para arranjar um. Tem todos os truques da sedução. Sabe de cor qual o melhor olhar para dizer que está a fim, sabe cruzar as pernas, sabe até aquela posição 57 tântrica que vai deixar qualquer um maluco. Se é casada, não dorme de blusão, só de lingerie sexy e badala com o maridão (sim, ele é um maridão) sempre. Se tem filhos, é uma super mãe. Leu todos os livros de psicologia infantil do momento, toma conta dos meninos, troca fralda enquanto aplica uma máscara nos cilhos.
  3. Ela tem um emprego sensacional. Mas não estamos falando aqui de um bom emprego. As mulheres modernas e inteligentes nunca são professoras, recepcionistas, biólogas ou analista de sistemas. Elas são designers, DJs, altas executivas, decoradoras, especialistas em look ou ocupantes de algum cargo impronunciável que você provavelmente não vai entender.

Em outras palavras: essa mulher não existe.

É isso mesmo, você que acreditou em tudo que as revistas te disseram e que está se matando para dar conta de tudo na sua vida, gastando seu salário em cosméticos e em roupas caríssimas. Respira. E não, nem a Katie Holmes é assim. Ninguém é asim porque isso é impossível. Quer uma prova?

Você acha essa mulher gorda ou “gordinha” (como dizem os eufemismos da vida)?

Pois de acordo como Google, ela é sim. Ao digitar “mulher gordinha” no Google aparece essa moça, modelo de plus size. Plus size? Gente, desde quando 42, 44 ou 46 virou plus size? Desde quando ser normal virou usar 34 e 36?

Agora vamos digitar “mulher” no Google. Olha só que aparece:

Olha que meigo. Magrinha, maquiada e com uma rosa na mão… Que é que andam te dizendo sobre você mesma, hein?

No mundo dito real ninguém consegue ter um super emprego, um super relacionamento e ser uma super mãe. Quem não consegue (ou seja, todo mundo) entra numa paranóia e se acha uma fracassada. Como assim eu não consigo trabalhar o dia inteiro, cuidar das crianças, andar super arrumada e fazer sexo loucamente com meu namorado/marido/parceiro/peguete? Eu sou uma fracassada!

Não, querida, você é mulher mesmo. Um ser humano. Que não dá conta de tudo. Que tem altos e baixos. Que às vezes vai super bem no trabalho mas a vida pessoal tá uma droga. Que às vezes dá atenção pros filhos mas tá cansada deles. Que às vezes tá numa maré ruim. E daí?

As revistas femininas vendem uma imagem de que a mulher moderna e inteligente é normal. Que ela tem que dar conta de tudo para ser realmente considerada mulher. Vendem a imagem que nós mulheres temos que ser a celebridade da capa. Mas olha só que coisa, se nem a celebridade da capa é perfeita…

Até que ponto todas aquelas dicas ali realmente estão pensando em você? A dieta é realmente para você baixar o nível de colestorol ou é pra você ficar mais parecida com a modelo? Aquela sequência de exercícios físicos é pra te tirar do sedentarismo ou é pra deixar a sua barriga tanquinho que nem a da Gisele? Aquele jeans realmente vai te fazer sentir mais confiante? E aquela posição 57, é realmente pra você aproveitar? E se é, por que o nome da matéria é 99 maneiras de deixá-lo louco?

Numa embalagem pseudo-feministas, essas revistas vendem uma mentira. E endossam ainda mais o ponto de vista de que para ser mulher você tem que casar com um cara lindo, que te diz o que fazer, ter um super emprego e ganhar muito dinheiro, cuidar dos filhos loucamente e andar na moda.

Ah, agora entendi porque a imagem da Katie Holmes apareceu.

Olha a famíla da mulher moderna e inteligente... *ligar a ironia aqui*

Sabe aquele esteriótipo da boa aluna que passa cola pros amigos, mata aula de Educação Física no banheiro feminino, leva bolada na cara no handball, usa uniforme quatro números maior que o necessário, não estuda pra prova mas tira nota alta, lê uma porrada de livros nas férias, gosta de bandas que ninguém conhece e tem um cabelo super cheio?

E eu também tinha (ainda tenho) dentes enormes! A diferença é que não, eu não fiquei fashion e bonitona que nem a Emma Watson...

Era eu!

Eu ainda não tenho certeza se sofri bullying na escola, mas algumas pessoas definitavamente me zuavam. Acho que a maioria dos professores gostava de mim e eu tinha amigos. Provavelmente assustava a maior parte dos meninos mas por mais incrível que pareça eu tive dois namorados na adolescência. O fato de eles terem feito um estrago na minha auto-estima é irrelevante. Ou não.

A verdade é que é estranho, aos quase 22 anos, olhar para os meus diferentes eus da adolescência. Aos 12 anos eu era definitavemente uma garota super confiante que não estava nem aí pra ninguém porque eu me achava bem legal. Já aos 14, minha auto-estima foi parar no pé e eu realmente fiz uma mexa vermelha no cabelo e comecei a andar com roupa preta. Aos 16 minha auto-estima melhorou e eu comecei a conviver com um grupo diferente de colegas, o que foi bom para minha habilidade de socialização. Tudo isso foi destruído aos 17.  Mas eu sempre sempre fui normalzona.

Quer dizer que nunca fiz nada incrivelmente doidão. Às vezes escuto algumas pessoas contando histórias incríveis de adolescência no estilo “saí de casa e voltei 5 dias depois de carona numa vã” ou “fui com um amigo pra uma boca de fumo e cheirei um troço estranho que me levou pro hospital mas eu contei pra minha mãe que tava com dor de barriga” e por aí vai. Eu fico pensando: onde vocês viveram? hahahahaha Porque eu, bem, eu era bem normal e a maior emoção da minha vida na época foi ter ganhado prêmios por escrever fanfics.

Aliás, por volta dos 15 anos minha vida era basicamente internet. Fóruns de Harry Potter, discutir Harry Potter, escrever Harry Potter. Isso era basicamente o que me fazia feliz. Porque era onde eu encontrava pessoas como eu, que não iam pra boca de fumo ou apareciam depois de dias na noitada (pelo menos não que eu saiba) e ainda por cima entendiam as minhas piadas. E bem, nada melhor naquela época do que receber o aviso de comentário do Fanfiction.net e alguém dizer que tinha chorado lendo uma fic minha ou morrido de rir.

Harry Potter acabou e esse tempo ficou para trás. Quer dizer, eu sempre vou tremer com uma referência a Ron/Hermione, sempre vou ser péssima em esportes, sempre vou gostar de bandas que ninguém conhece, sempre vou arrumar uma obcessão nova e meus dentes são grandes e não vão diminuir.

Alguém me diz o que isso quer dizer? hahahahaha

Eu só acho que se eu tivesse visto esse vídeo aos 14 anos, eu definitavemente teria me sentido menos sozinha.

Quem teve uma adolescência cliché e normal põe o dedo aqui que já vai fechar não adianta chorar nem espenear…


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