Mundo de Coisas Minhas

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Um filme sensível, um tanto dramático e um tanto fofo. Bom para assistir numa tardezinha fria comendo chocolate. Água para Elefantes rende duas horas interessantes nos fazendo pensar um pouco sobre a vida no circo no início do século XX e em como deve ser a relação homem/animal.

Jacob Jankowski (Robert Pattinson) perde tudo de uma hora para outra: sua vaga na universidade no curso de veterinária, seus pais, sua casa. Sem perspectivas, ele sai vagando ao lado do trilho de um trem e acaba entrando num vagão. O trem é na verdade de um circo e Jacob encontra ali uma oportunidade de trabalho como tratador de animais. É lá também que ele conhece Marlena (Reese Witherspoon), a grande estrela do circo e esposa de August, o ganancioso dono do circo que tem alguns problemas de controle de raiva.

Me surpreendi com esse filme. Pensei que seria mais uma história de amor impossível, extra dramática ao estilo Diário de uma Paixão (inclusive o início do filme aponta nessa direção com o velhinho contando sua história), mas o filme foca mais nessa questão dos animais, da convivência difícil no circo, a falta de dinheiro e a condição precária dos trabalhadores. Achei isso muito legal porque deu uma variada. Claro que tem a parte do amor impossível, mas isso não se tornou a única questão mostrada no filme. Inclusive são poucas as cenas entre Jacob e Marlena em que eles realmente demonstram algum tipo de sentimento um com o outro. Foi um diferencial, a meu ver. Inclusive o final também me surpreendeu, mas ainda não estou certa se gostei ou não (não vou contar o final porque é spoiler, mas se você já viu o filme, deixe seu comentário me falando o que achou do final :)).

Eu não diria que esse filme é excelente, acho que é um filme bom. Muito bem feito em termos de fotografia, figurino e maquiagem. Até mesmo a atuação de Robert Pattinson foi boa (sim, gente, ele consegue fazer uma cara que não seja de vômito). Quanto a Reese Whiterspoon, nem é preciso falar, ela é atriz de primeira. Gostei bastante também do Christoph Waltz como o dono do circo. Ele passou a dose necessária de loucura, raiva e melancolia que o personagem pedia. Mas a história não me arrancou do chão não.

Se eu recomendo? Sim. Principalmente se você gosta de filmes românticos e/ou de circo. Mas já digo que não é algo espetacular. É daqueles filmes que você lembra e faz “aaaah” quando alguém menciona, mas só isso.

Água para Elefantes foi baseado no livro homônimo de Sara Gruen que em 2006 ficou na lista dos mais vendidos do New York Times. Não me animei o suficiente para ler o livro, mas caso alguém tenha lido, comentários são bem-vindos a respeito da adaptação!

Um filme sensível, confuso e um tanto onírico. A Árvore da Vida é um filme sobre amor, morte, perda, luto, família, raiva, trauma e tantas outras coisas. Afinal, fala da vida.

O filme de Terrence Malick foi desenvolvido já há algumas décadas, mas sempre foi adiado. No entanto, a espera parece ter valido a pena uma vez que o longa foi indicado ao Oscar de Melhor Filme esse ano, juntamente como uma indicação por Melhor Fotografia e Melhor Diretor (clique aqui para ler sobre outros filmes concorrendo ao Oscar). O elenco também é de primeira, apresentando atores de peso como Brad Pitt, Jessica Chastain e Sean Penn. Arrancando alguns suspiros de “incrível” ou “o quê?” por onde passa, é sem dúvida um filme no mínimo interessante de ser assistido.

Digo isso porque A Árvore da Vida, com seus 138 minutos, não é um filme convencional. Ele possui elementos artísticos um tanto fora dos padrões de Hollywood como grandes monólogos off-screen; montagens de imagens fora do enredo do filme; um enredo não-linear que não necessariamente tem começo, meio e fim; e diálogos conduzidos por sussurros de cunho existencial. Na Wikipedia, o filme é definido assim:

O filme mostra as origens e o significado da vida através dos olhos de uma família da década de 1950 no Texas, tendo temas surrealistas e imagens atráves do espaço e o nascimento da vida na Terra.

E é isso mesmo. Parece bem estranho, e é mesmo. Lá pela meia hora de filme (depois de vermos uma Jessica Chastain mais velha chorando a morte do fillho), o espectador é bombardeado com imagens do Big Bang e do nascimento de constalações e depois o desenvolvimento da vida na Terra que vai parar nos dinossauros. Passado isso, nos damos de cara com Brad Pitt e Jessica Chastain em interpretações muito intensas como um jovem casal no Texas e seus conflitos de família. (Inclusive, acho que a Chastain arrasou nesse filme numa atuação muito comovente.)

É aí que conhecemos melhor a família O´Brien que tem três filhos, três meninos. A história se foca mais em Jack, o filho mais velho, que sofre com a dureza do pai e busca conforto no jeito angelical da mãe. O relacionamento entre Jack e seu irmão mais novo, R.L, é mostrado como algo especial e ao mesmo tempo perturbador. Jack percebe que o irmão é diferente, mais doce e tranquilo, e que tem uma sabedoria que ele desconhece.

O filme emociona em alguns momentos por esse retrato de família. A história parece ganhar uma linearidade ao contar os conflitos entre Jack e seu pai, mas não há nenhuma conclusão. De repente o filme muda pra outra coisa. E novas imagens aparecem, o fim do mundo, Sean Penn (que interpreta o Jack adulto) melancólico no escritório, a família na praia e etc.

Bem, eu digo que A Árvore da Vida é um filme para ser sentido e não entendido. Ou seja, ficar procurando uma história linear ali não vai ajudar em nada e vai te deixar frustrado. Então sente-se numa tarde feliz e assista esse filme sem pretensões e se emocione com as imagens e com as sensações propostas pelo filme. Pense um pouco na sua vida, na sua família, se pergunte um pouco o que você faria para viver melhor e faça isso. Pronto.

Considero esse um filme muito bom, apesar de ter sido longo demais. Inclusive a duração é meu único questionamento em relação a esse filme. Acho que se ele fosse menor, seria mais impacante e mais interessante até. Porque quase meia hora de constelações beira a exaustão mesmo.

Quanto ao Oscar, acho que está na lista dos azarões de Melhor Filme. Imagino que a grande chance que tenha é de levar o prêmio de Fotografia. E sim, esse filme teve uma fotografia primorosa que com certeza vale um prêmio.

Uma comédia romântica com ar inocente que resgata e re-imagina os filmes mudos da década de 20 em Hollywood. Em tempos de filmes 3D explodindo na nossa cara e surround nervoso, assistir algo como O Artista, totalmente em preto e branco e totalmente sem fala, é uma experiência quase alienígena. Mas é um ótimo alienígena!

O Artista, do diretor francês Michel Hazanavicius, é uma produção ousada e diferente. É uma apropriação dos antigos filmes mudos e vem arrancando prêmios por onde passa, inclusive em Cannes, no Globo de Ouro e agora concorre a nada menos do que 10 categorias no Oscar, inclusive diretor, ator, atriz coadjuvante e roteiro original.

Meu maior medo em relação a esse filme foi que ficasse caricato demais. Claro que filmes mudos são sim caricatos, mas eu fiquei receosa de ver um cara estranho fazendo caretas loucamente na tela. Mas isso não aconteceu. Jean Dujardin atuou muito bem e conseguiu realmente me convencer de que era um ator mudo da década de 20. Todos os prêmios que ele levou até agora são mais que merecidos e acho que ele tem chances sim de levar um Oscar.

O filme conta a história de George Valentin, uma estrela dos filmes mudos, que vê sua vida sofrer um golpe quando Hollywood passa a investir em filmes falados. Orgulhoso, George não aceita a mudança e insiste em produções mudas, o que leva seu nome ao esquecimento, seu casamento ao fim e sua vida financeira à falência. Num contraponto, a jovem atriz Peppy Miller (interpretada por Bérénice Bejo) que conheceu o sucesso com a ajuda de George, desponta numa carreira bem-sucedida como atriz de filmes falados.

O filme conta com momentos engraçados, alguns outros um tanto sombrios, mas no fim o clima romântico prevalece. Mas é estranho para nós, espectadores do século XXI, assistir um filme desses sem que haja um só beijo na boca! Isso mesmo. Porque nos filmes da década de 20 ninguém beijava, só abraçava.

Algumas cenas são realmente geniais, como o pesadelo que George tem com o som e a cena de dança entre Peppy e George logo no começo do filme. E ao contrário do que as pessoas podem pensar, o filme não é nada cansativo e é bastante envolvente passado os primeiros três minutos de estranheza quando-é-que-eles-vão-falar. Minha única ressalva foi mesmo à interpretação de Bejo, que não me convenceu como atriz da década de 20.

Recomendo bastante. 🙂

E vocês acharam que eu não ia falar nada sobre o Oscar 2012, né? Já tem filme resenhado e essa semana vai ter mais!!!

Comédia daquelas tipo sessão da tarde pra assistir quando não se tem nada pra fazer. Você de Novo conta com bons atores e com uma idéia clichezona que tenta desfazer o cliché mas que só deixou tudo mais cliché ainda. Não deu pra entender na disso? Então junte-se a mim. hahaha

Eu assisti o filme justamente no contexto sessão da tarde: eu, minha irmã e minha mãe não tínhamos nada pra fazer e queríamos ver um filminho light. O DVD de Você de Novo estava por perto e eu me animei de assistir um filme com a sensacional Sigourney Weaver (alguém aí também gosta dela e é doida pra ver um filme em que ela estreie com a filha, a Ellen Page?).

O filme conta a história de Mani (Kristen Bell), uma garota que sofre bully no colégio mas que depois se torna uma bem-sucedida empresária. Mas ao bem-sucedida vamos acrescentar o linda, deslumbrante, com cabelos sedosos e sorriso sensual. Eu não entendo porque pra mostrar que se deu bem, a sofredora do filme sempre precisa virar uma modelo em algum momento. Por que ela não podia simplesmente virar uma mulher normal?

Eu fiquei com pé atrás com o filme logo nesses primeiros cinco minutos, mas confesso que ele tem sim seus bons momentos. É engraçadinho, até. Kristen Bell é boa na comédia corporal, então é divertido quando ela cai, rola do barranco e leva babada do cachorro. Mas o problema é que não, esse não é meu tipo de comédia.

O embate do filme é entre Mani e sua futura cunhada, a perfeita Joanna que é nada mais nada menos do que a bullyer de Mani na escola. O problema é que Joanna finge não reconhecer Mani que não tem coragem de expor a cunhada com medo de ferir os sentimentos do irmão, mas ao mesmo tempo quer acabar com o casamento dos dois. Eu falei que era cliché.

Mas também falei que o filme tenta usar o cliché pra não ser cliché. Isso acontece quando a tia de Joanna, Ramona (é a Sigourney Weaver!!!) aparece e o espectador descobre que ela tinha uma rixa de escola/sofria bully da mãe de Mani, interpretada pela hilária Jamie Lee Curtis (que sempre faz o mesmo papel, por sinal, mas não deixa de ser hilária rs). O embate entre as duas é bacana, pois coloca em cheque o papel do bully e até mesmo a relação de Mani com a mãe.

Mas aí o filme cai no clichezão maior de todos que é fazer todo mundo encontrar um par romântico no final (mesmo que não seja do nada) depois de terem aprontado muita confusão (eu falei que era sessão da tarde, minha gente).

Filme engraçadinho que cumpre o quesito comédia da comédia romântica (que ultimamente tem se esquecido que é comédia, né?). Não sei se recomendo porque eu fico muito incomodada com essa obsessão de filmes no estilo que pregam que pra uma mulher se mostrar vitoriosa ou forte, tem que ser também linda de morrer. Isso é um saco.

Mas vale pela Sigourney Weaver! Pronto. Parei.

Bem humorado, leve e inteligente, Meia-Noite em Paris é uma boa opção para um cineminha de fim de tarde. Com piadas inteligentes e um monte de referências à literatura, é com certeza um excelente retorno de Woody Allen.

O filme explora os sonhos de Gil Pender, um roteirista de Hollywood, que, cansado de faturar milhões em roteiros super clichés, decide escrever um livro. Aproveitando uma inesperada viagem para Paris, ele decide se inspirar na cidade, mas encontra uma oposição na figura de sua noiva, Inez, que acha que ele é um sonhador. Envolto pela atmosfera fútil de Inez e seus pais (sim, os sogros estão na viagem) e no pedantismo de um casal amigo, Gil encontra refúgio na última badalada da meia-noite quando pega carona num carro antigo e vai parar na Paris dos anos 20, que, para Gil, é a melhor época que já existiu.

Gil então começa a passar a noite com o casal Scott e Zelda Fitzgerald, Ernest Hemingway, T.S.Eliot e Pablo Picasso, e tem seu livro analisado por ninguém menos que Gertrud Stein. Os dias então começam a ficar enfadonhos para ele que começa a questionar seu relacionamento com Inez e a ansiar desesperadamente pela última badalada para assim começar sua balada com o pessoal da década de 20.

O filme é divertido e conta com uma performance muito cativante de Owen Wilson no papel principal. Mas a cena é roubada toda vez que Ernest Hemingway aparece procurando uma briga ou fazendo qualquer outra coisa muito muito máscula. hahahahaha Lembrando que o filme provavelmente vai ser mais engraçado se você tem alguma noção de literatura em língua inglesa o suficiente para saber: que Hemingway era um tipo super masculino (foi pra guerra, voltou, escreveu livros sobre guerra, pescava, caçava, brigava, etc) e tinha predileção pela escrita super enxuta; que Scott Fitzgerald é em alguns círculos até hoje considerado um autor menor e que havia muita polêmica em relação a seu casamento com Zelda, que, na vista das pessoas, tinha inveja do talento do marido; que nos anos 20 a onda era surrealismo e por aí vai. Mas confesso que apesar de ter rolado de rir com as piadas literárias, não entendi metade das piadas sobre pintura.

Mas mesmo com esse apelo um tanto intelectual, o filme não é pedante e quem não saca nada também pode se divertir com essa comédia romântica. O final é um tanto cliché, mas isso não tira de modo algum o mérito da produção e/ou do roteiro. Recomendo muito.

Meia Noite em Paris está concorrendo a três Oscars esse ano: Melhor Filme, Melhor Diretor e Melhor Roteiro Original. Acho que não vai ganhar nenhum, mas se tiver alguma chance será em roteiro original.

Depois de X-Men 1, 2 e 3 e de X-Men Origens: Volverine, temos mais um filme da franquia: X-Men Primeira Classe. Depois de meses sem ir ao cinema ou escrever sobre cinema, lá fui eu assistir um filme nota 7.

Primeiramente, temos que levar em conta que não é muito esforço fazer um filme mediano sobre X-Men. A trama em si já muito boa e inteligente por si só e por mais medíocre que a adaptação seja, vai ser minimamente interessante. Mais ainda se é uma história que promete investigar o passado de personagens super favoritos da série como o Professor X e o Magneto.

A escolha dos atores foi boa mas ainda acho que Michael Fassbender não me passa de jeito nenhum uma imagem de Magento. Além de ele parecer bem mais velho que Charles (sendo que a diferença deveria ser de apenas alguns anos), ele fica mais pra um bad guy ao estilo Volverine. Depois de ter o classudo Ian McKellen no papel, eu simplesmente esperava alguém mais elegante.

A caracterização dos personagens também deixou a desejar. Não há muito aprofundamento em ninguém, só no desejode vingança de Eric (Magneto) e mesmo assim de um jeito muito plano e pouco complexo. Charles também é um chato, sem qualquer profundidade e a relação entre os dois parece brotar do chão: de uma hora pra outra viram os super amigos.

Essa falta de exploração de personagens foi o que me decepcionou no filme. Afinal, explorar os motivos dos personagens não é justamente a razão de fazer um filme tipo esse? Quer dizer, vamos pensar em Star Wars e os episódios que contam o drama Obi Wan Kenobi e Anakin… tem que ter drama, tem que explorar! Infelizmente X-Men Primeira Classe perdeu grandes oportunidades deixando de lado personagens cheias de potencial como a Mística e a Fera, segregados à pequenas cenas.

Nem tudo é ruim, claro. As cenas de ação são bem feitas e não cansam, o vilão é interessante, os efeitos especiais são ótimos. Mas de que vale isso sem aprofundamento de personagem? Foi mal, galera, mas eu sou a fã mor de um drama psicológico.

Um bom filme, legal pra ver num fim de semana, de ir curtir no cinema com todo o esquema de som e talz, mas não espere demais. O filme promete mostrar a tal primeira classe mas dá um tiro no pé.

Esse é um post sobre o filme. Se você estiver interessado na história da banda, clique aqui.

Os comentários em vermelho foram feitos depois que pesquisei melhor sobre a banda.

The Runaways é a celebrada primeira banda de rock formada só por garotas da década de 70.  Se você acha que não conhece, digita no youtube “Cherry Bomb” e vai perceber que sim, você já ouviu isso em algum lugar. Até porque a líder da banda era ninguém menos que Joan Jett (de “I love Rock and Roll”). Ano passado, a história desse bando de meninas de 15 anos (sim, 15 anos!) rebeldes e surtadas virou filme estrelando Kristen Stewart e Dakota Fanning, como Joan Jett e Cherrie Currie, respectivamente.

A premissa do filme é boa no início. Imagine o ano de 1975 com todo o punk rock, glam rock, caras vestidos de mulher, curtição, início da disco music. Agora imagine uma menina de 15 anos que quer ser roqueira. Imagine que essa menina veste roupas de homem, anda como homem, fala como homem, até faz xixi como homem! Agora imagina que essa menina fica de fora das bandas de rock simplesmente porque é menina. Porque com toda liberação sexual dos anos 60, mulheres no rock ainda era tabu. Simplesmente porque mulher é groupie, não é da banda.

Essa menina é Joan Jett. Que foi uma pioneira no sentido de querer ser guitarrista de uma banda de punk rock só de meninas. Ao conhecer Sandy West, baterista, as duas dão o pontapé inicial para o que seria uma verdadeira revolução musical. The Runaways era um fenômeno não só pela qualidade musical, mas porque quebrava todas as regras. Até as regras de quem quebrava as regras.

O filme captura bem o início de tudo e toda a transgressão envolvida quando elas tocavam. Era realmente se liberar. Surtar. Falar o que não podia ser dito. Ser mullher de um jeito agressivo, revoltado, beirando o violento. A atuação de Kristen Stewart (sim, a de Crepúsculo, minha gente) é sensacional. Ela É Joan Jett. Não tem condição! Não dá pra saber a diferença entre as duas. Juro que não pensei que a moça tivesse tanto talento.

No entanto, o filme se perde. As outras integrantes do Runaways não têm destaque algum e o drama pessoal de Cherrie Currie parece idiota pois o espectador não consegue sentir o que estava pesando para ela. A tensão entre a banda praticamente não aparece, fica parecendo que Cherrie é uma chata que quer ir embora no meio de toda diversão. Mas também, é complicado dizer, pois o roteiro do filme é baseado nos relatos de Cherrie Currie mas produzido por Joan Jett. Ou seja, duas visões completamente opostas sobre o que de fato aconteceu!

Jackie Fox (baixista) não autorizou que sua vida fosse retratada no filme. Então o papel de baixista ficou a cargo de uma personagem fictícia chamada Robin. Além disso a saída de Cherrie Currie se deu durante uma sessão de fotos, não uma gravação, por conta de uma briga séria com Lita Ford (guitarrista). Quem tiver interesse em saber mais dessa história, assista o filme Edgeplay – Um filme sobre The Runaways.

A cronologia do filme também é confusa. A passagem dos anos não é mostrada e nunca se tem certeza de quando e em que ordem as coisas estão acontecendo. Na minha opinião, para dar mais peso à trama, poderiam ter sido mostradas as duras críticas que a banda recebeu dentro do próprio meio do rock, predominantemente masculino e surpreendemente machista.

O ponto alto são as cenas de performance no palco. É aí que é capturada toda a essência do The Runaways, com toda aquela força de arrebentar. A preparação de Kristen nesse quesito foi boa: ela fez aulas de guitarra e realmente aprendeu a tocar as músicas. Já Dakota Fanning teve aulas de canto e performance e mandou bem de diva transgressora. Só achei que não ficou claro no filme que Marie era sua irmã gêmea. Teria dado mais impacto se fosse a mesma atriz.

O filme até que captou bem a essência das garotas...

No geral, é um bom filme que vale a pena ser visto, apesar de seus deslizes. Com um roteiro mais fechado e menos difuso, poderia ter sido um grande filme fazendo jus às atrizes principais e à história da banda.

É hora de fazer as apostas da noite! [Em vermelho os comentários sobre os resultados da noite de ontem atualizados]

Esse ano estou mais empolgada para acompanhar a premiação pelo fato de ter visto grande parte dos filmes que estão concorrendo às principais categorias. Um jeito bacana de conhecer os indicados é pelo Infográfico do IG. Só clicar para ter um panorama geral. Se quiser resenhas dos filmes, é só clicar aqui. [É, como sempre, a gente fica meio decepcionado, mas vá lá]

Então vamos lá:

Melhor filme
“Cisne Negro”
“Bravura Indômita”
“A Rede Social”
“Toy Story 3”
“A Origem”
“O Discurso do Rei” [VENCEU]
“O Vencedor”
“127 Horas”
“Minhas Mães e Meu Pai”
“Inverno da Alma”

O melhor filme dessa lista na minha opinião é Cisne Negro. No entanto, pensando racionalmente, O Discurso do Rei é o filme com mais chances de ganhar. Se bem que se fosse pra seguir o coração, eu daria para 127 Horas ou para Toy Story 3 (imagina uma animação ganhando o Oscar?).

Como já era esperado, O Discurso do Rei saiu como o grande premiado da noite. É um filme muito bom, com atuações excelentes e tem mesmo a cara do Oscar: realeza, pessoas de temperamento difícil, situações políticas pseudo-gloriosas e uma grande amizade inesperada.

Melhor direção
Darren Aronofsky, “Cisne Negro”
David Fincher, “A Rede Social”
David O. Russell, “O Vencedor”
Tom Hooper, “O Discurso do Rei”
Joel Coen e Ethan Coen. “Bravura Indômita”

Darren Aronofsky merece porque Cisne Negro é simplesmente brilhante! Uma concepção genial de filmagem. Mas como Oscar é Oscar, é capaz de Tom Hooper ganhar com seu filme mais tradicional ou até o hypado David Fincher.

Oscar é Oscar. E foi Tom Hooper mesmo. Como eu disse antes, é um filme muito bom, mas não tem um trabalho de direção assim tão brilhante. Mas valeu.

Melhor ator
Javier Bardem, “Biutiful”
Jeff Bridges, “Bravura Indômita”
Colin Firth, “O Discurso do Rei” (VENCEU)
James Franco, “127 Horas”
Jesse Eisenberg, “A Rede Social”

Seguindo o coração, eu daria para James Franco por conta da atuação espetacular em 127 Horas. Mas quem leva provavelmente é Colin Firth que interpretou o rei George VI com uma gagueira incrivelmente verossímel.

Tadinho do James Franco… Inclusive achei a apresentação dele no Oscar bem mortinha. Anne Hathaway roubou a cena. Acho bem merecido o Oscar do Firth, que inclusive tinha perdido o Oscar do ano passado para o Jeff Brigdes. Pois é, e agora ele se vingou deixando o Jeff na cadeira. aha!

Melhor atriz
Annette Bening, “Minhas Mães e Meu Pai”
Natalie Portman, “Cisne Negro” (VENCEU)
Nicole Kidman, “Reencontrando a Felicidade”
Jennifer Lawrence, “Inverno da Alma”
Michelle Wiliams, “Namorados Para Sempre”

Natalie Portamn sem sombra de dúvida! A atuação dela é de arrepiar, de uma qualidade impressionante. Fazia tempo que eu não via uma coisa tão intensa no cinema. Se não for pra ela, vai ser uma injustiça!

Essa era a minha certeza e se ela não ganhasse, putz, ia ser o fim. Realmente, uma atuação brilhante. E que lindo discurso ela fez. Raro de se ver. Fora que ela estava linda grávida. *momento totalmente girly on*

Melhor ator coadjuvante
Geoffrey Rush, “O Discurso do Rei”
Christian Bale, “O Vencedor”
Jeremy Renner, “Atração Perigosa”
John Hawkes, “Inverno da Alma”
Mark Ruffalo, “Minhas Mães e Meu Pai”

O favorito é Christian Bale, mas não vi o fime então não posso falar. Acho a indicação do Mark Ruffalo um exagero: nem foi tão incrível assim nada. Minha aposta é no Geoffrey Rush que foi brilhante.

Pois é, não vi o filme. Mas dizem que o Bale tá muito bem. Sei lá, eu tenho uma birra com o cara que dizem ser um grosso com todo mundo: diretor, atores, produtores, empregados, presidentes, rs.

Melhor atriz coadjuvante
Melissa Leo, “O Vencedor”
Amy Adams, “O Vencedor”
Helena Bonham Carter, “O Discurso do Rei”
Hailee Steinfeld, “Bravura Indômita”
Jacki Weaver, “Animal Kingdom”

Não assisti ao filme, mas ponho fé na Hailee Steinfeld que só pelo trailer mostrou ser uma atriz sensacional. Sem contar que essa bobagem do Oscar não premiar atores mirins é ridículo, né?

Atores mirins? Nunca serão. É tipo uma maldição. Mas a Melissa Leo ficou tão feliz que eu até comecei a gostar do resultado. Sério mesmo, simpatizei com a moça.

Melhor animação
“Toy Story 3” (VENCEU)
“Como Treinar o Seu Dragão”
“O Mágico”

Sem sombra de dúvida é Toy Story 3. Não precisa nem discutir.

Não precisa discutir mesmo.

Melhor roteiro original
“Minhas Mães e Meu Pai”
“A Origem”
“Another Year”
“O Vencedor”
“O Discurso do Rei”

A Origem. Muito bem bolado. Mas como o Oscar é tradicional, vai dar O Discurso do Rei. Mas queria que fosse A Origem.

Pois é, eu meio que já esperava isso. Mas é um roteiro bom, com certeza, bem bolado, bem escrito. Só achei o filme muito longo. Único defeito.

Melhor roteiro adaptado
“127 Horas”
“Bravura Indômita”
“A Rede Social”
“Toy Story 3”
“Inverno da Alma”

Se eu tentei ser racional no Roteiro Original, não vou ser nesse. 127 Horas mexeu muito comigo.

PQP!!!! Não concordo de jeito nenhum com esse. Okay, Rede Social é legal mas não tem o roteiro mais fantástico de todos nem passando longe. Pelamor!

Melhor filme estrangeiro
“Fora da Lei” (Argélia)
“Incêndios” (Canadá)
“Em Um Mundo Melhor” (Dinamarca)
“Dente Canino” (Grécia)
“Biutiful” (México)

Não vi, então não vou palpitar.

Melhor documentário
“Lixo Extraordinário”
“Trabalho Interno”
“Exit Through the Gift Shop”
“Gasland”
“Restrepo”

Não vi, então também não falo nada.

Melhor trilha sonora
Hans Zimmer, “A Origem”
Trent Reznor e Atticus Ross, “A Rede Social”
Alexandre Desplat, “O Discurso do Rei”
John Powell, “Como Treinar o seu Dragão”
A.R. Rahman, “127 Horas”

Gosto muito das trilhas do Hans Zimmer, mas a trilha de 127 Horas foi montada de uma forma muito bacana, mesclando elementos originais com músicas já existentes.

PUTA QUE PARIU! Foi mal pelo palavrão, mas ninguém merece esse resultado. Rede Social tem trilha sonora significativa???? Alguém viu o mesmo filme que eu? Diz que foi uma piada, vai.

Melhor canção original
“Coming Home”, de “Country Strong”
“I See the Light”, de “Enrolados”
“If I Rise”, de “127 Horas”
“We Belong Together”, de “Toy Story 3”(VENCEU)

WE BELONG TOGEEEEEEEEEEEEEEEEEEETHER. Essa música é de chorar, então… sem comentários.

Impressionante mesmo foi ouvir o cara dizer que já cantou mais de 20 vezes naquele palco. Agora, se a Gweneth Paltrow tivesse ganhado eu ia desligar a televisão. Sério. Quem diz que essa mulher canta? Que puxação de saco!

Melhor edição
“127 Horas”
“Cisne Negro”
“A Rede Social”
“O Discurso do Rei”
“O Vencedor”

Achei a edição muito bacana, segurou a onda de um filme que tem praticamente um ator e um cenário.

Que que foi isso? Sério, que que foi isso? Se tem uma coisa que não é legal nesse filme é a montagem. Sério, se mata. Acho que foi o Oscar mais mal dado de todos.

Melhor fotografia
“A Origem”
“Cisne Negro”
“A Rede Social”
“O Discurso do Rei”
“Bravura Indômita”

Cisne Negro é lindo. A fotografia consegue transparecer todo o sofrimento de Nina.

Fiquei surpresa, mas gostei. A fotografia é boa mesmo.

Melhor figurino
“O Discurso do Rei”
“Bravura Indômita”
“Alice no País das Maravilhas”
“I am Love”
“The Tempest”

Aposto no Western Bravura Indômita.

Um tanto exagerado, mas tudo bem. Okay.

Melhor direção de arte
“Alice no País das Maravilhas”
“A Origem”
“O Discurso do Rei”
“Bravura Indômita”
“Harry Potter e as Relíquias da Morte – Parte 1”

Aeh, porque esse filme foi bom, né? Finalmente!

Nesse quesito acho que eles não escolheram a melhor direção de arte e sim o filme que tinha MAIS direção de arte. Que exagero!

Melhor mixagem de som
“Salt”
“A Origem” (
VENCEU)

“O Discurso do Rei”
“Bravura Indômita”
“A Rede Social”

A Origem dá um show nesse quesito. Imagino que no cinema deve ter sido melhor ainda.

Melhor edição de som
“Toy Story 3”
“Tron – O Legado”
“A Origem” (VENCEU)
“Bravura Indômita”
“Incontrolável”

Qual diferença de Edição e Mixagem de Som? *ignorante* Mantenho o voto anterior. O google me disse que Mixagem de Som leva em conta todo o som do filme e seu equilíbrio, ou seja, barulhos, ruídos, diálogo, explosões. Já a edição de som fica com o barulho isolado, sem levar em conta o conjunto.

Melhor maquiagem
“O Lobisomem”(VENCEU)
“Caminho da Liberdade”
“Minha Versão para o Amor”

Foi o único que vi, então…

Melhores efeitos visuais
“Além da Vida”
“A Origem” (VENCEU)
“Homem de Ferro 2”
“Alice no País das Maravilhas”
“Harry Potter e as Relíquias da Morte – Parte 1”

Por mais tiete que eu seja, não vou votar em HP. Aquela luta sem gravidade de A Origem é muito bacana. E olha que eu não curto cenas de luta!

Eh, não tem como competir com cena de luta em gravidade zero.

Melhor curta-metragem
“The Confession”
“The Crush”
“God of Love”
“Na Wewe”
“Wish 143”

Não vi nenhum.

Melhor documentário em curta-metragem
“Poster Girl”
“Strangers no More”
“Killing in the Name”
“Sun Come Up”
“The Warriors of Qiugang”

Também não vi.

Melhor curta-metragem de animação
“Day & Night”
“Let’s Pollute”
The Lost Thing”
“The Gruffalo”
“Madagascar, Carnet de Voyage”

Não vi menos ainda.

Então, essas são minhas apostas. E vocês? Não deixem de comentar.

Até que não chutei mal. Mas fiquei revoltada com os prêmios de A Rede Social. Foi justo nas categorias que não merecia.

 

Extremamente inteligente e bem montado, A Origem é um filme obrigatório para qualquer fã de ficção científica. Assinado pelo diretor Christopher Nolan e estrelando Leonardo di Caprio e Ellen Page no elenco, o filme concorre ao Oscar nas categorias Melhor Filme, Melhor Roteiro Original, Melhor Trilha Sonora, Melhor Fotografia, Melhor Direção de Arte, Melhor Mixagem de Som, Melhor Edição de Som e Melhor Efeitos Visuais. (Para ler sobre outros filmes indicados ao Oscar 2011, clique aqui).

Dom (Leonardo di Caprio) é o melhor no que faz: entra nos sonhos das pessoas e rouba informações importantes de seus subconscientes. Sua técnica é primorosa: usa arquitetos para criar verdadeiras cidades imaginárias, químicos para sedar as vítimas, falsificadores para enganar a mente e até mesmo armadores somente para preparar armadilhas.

No entanto, Dom esconde de sua equipe que é atormentado pela lembrança da ex-mulher, Mal, e que é por causa dela que sua engenharia de sonhos não tem funcionado tão bem assim ultimamente. Mas é durante um desses mal-sucedidos trabalhos que recebe a chance única de sua vida: voltar para casa.

O filme é daqueles que você deve prestar atenção do início ao fim para não perder informações importantes. Cada detalhe é crucial. O roteiro é intrincado e super bem amarrado, contando com personagens bem desenvolvidas e trabalhadas.

As cenas de ação não são longas, o que para mim é sempre uma vantagem. E o drama é na medida certa, sem despencar para o melodrama exagerado. A atuação de Ellen Page também dá um gostinho a mais nesse quesito.

Na briga pelo Oscar, talvez tenha a chance de levar os prêmios técnicos e o Melhor Roteiro. Mas com certeza é um daqueles filmes geniais que dá vontade de assistir mais de uma vez.

O Oscar é hoje mas ainda estou firme na minha missão de comentar o maior número de filmes possíveis que concorrem às principais categorias. (Para ler as outras resenhas, clique aqui). E o filme da vez é a comédia Minhas Mães e Meu Pai, da diretora Lisa Cholodenko, estrelando nos papéis principais Annette Benning e Julianne Moore.

Ao contrário do que está escrito no cartaz oficial (clique na foto para ampliar), o filme é um retrato perfeito de uma família convencional. O fato da família ter um casal lésbico não influencia em nada a dinâmica pais-e-filhos, nem mesmo a dinâmica marid0-e-mulher. Os dramas vividos por Nic (Annette Benning) e Jules (Julianne Moore) são comuns a praticamente todas as famílias modernas: filhos rebeldes, diálogo difícil mesmo que os pais tentem uma abertura, dúvidas, filhos siando de casa, dificuldade de lidar com o cotidiano, filhos com amigos que não são uma boa influência, dificuldade em manter a relação amorosa saudável, etc.

A trama começa quando Laser (sim, o nome do garoto é Laser) pede à irmã mais velha Joni (Mia Wasikowska, de Alice no País das Maravilhas) que ligue para o doador de esperma de suas mães. Os dois são mei0-irmãos pois suas respectivas mães usaram o esperma do mesmo doador, Paul (Mark Ruffalo). Paul é dono de um restaurante que utiliza ingredientes orgânicos que ele mesmo planta e leva uma vida um tanto assim na boa, sem muitas preocupações. Desejoso de ter uma família, aceita conhecer Joni e Laser e mostra interesse em manter uma relação com os dois.

Obviamente, as mães não gostaram da idéia e logo começa uma verdadeira tensão na casa de Nic e Jules que se vêem ameaçadas pela presença de Paul. No entanto, a mãe que mais sente a situação toda é Nic, uma médica bem sucedida e durona que gosta de manter tudo sob controle. Vale lembrar que Annette Benning fez render os momentos mais emocionantes do filme e sua indicação ao Oscar de Melhor Atriz é mais que merecida, diferentemente da indicação de Mark Ruffalo ao Oscar de Melhor Ator Coadjuvante; não achei que foi tão incrível assim nada.

Os dramas familiares são mostrados de uma forma muito sensível e o filme faz pensar em algumas questões permanentes como: até que ponto pode-se interferir na vida dos filhos? Quando é que percebemos que uma relação está indo de mal a pior? Qual é o limite do ciúme? Isso tudo, sem esquecer, é claro, de alguns momentos muito engraçados.

O filme está indicado para a categoria Melhor Filme, mas duvido que vá levar, ainda mais com outros filmes com muito mais peso na parada. Não que não seja um ótimo filme, porque é, mas simplesmente porque o páreo está duro. Talvez possa levar a estatueta de Melhor Roteiro Origial, como aconteceu com a comédia de mesma linha, Juno.

Recomendo muito, principalmente para quem gosta desse estilo de filme comédia-drama-caótico. Com certeza um dos melhores do ano. Ah, e a trilha sonora também não deixa a desejar, ótima para colocar num Ipod ou MP3.

 


Sem falar muito

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