Mundo de Coisas Minhas

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E mais uma vez cá estou eu para fazer uma resenha do incrível John Green (para ler outras resenhas de livros dele, clique aqui). The Fault in Our Stars é um livro sensível, engraçado, trágico e provocador. Afinal, é um livro sobre câncer sem ser um livro sobre câncer.

Hazel tem 16 anos e câncer desde os 13. Ela precisa andar com um cilindro de oxigênio pra onde quer que vá, pois não consegue respirar sozinha. Mas ao invés de uma história melodramática sobre uma pobre garotinha com câncer, o livro nos apresenta a história de uma garota comum. Isso mesmo. Hazel vive incertezas, medos, ansiedades e também alegrias de ser, bem, jovem.

Esperei ansiosamente por esse livro (afinal, o meu foi uma das cópias autografadas pelo John Green da primeira edição da Amazon!) e ele não me decepcionou. A vontade que eu tinha era de ler tudo em poucas horas, mas infelizmente não pude porque às vezes a vida é chata e não deixa. blé

Os personagens, como sempre, foram bem envolventes. Além de Hazel, que é a narradora da história, temos Augustus Waters (um outro garoto com câncer que não é um garoto com câncer), Isaac, os pais de Hazel e o escritor Peter Van Houten. Todos eles incrivelmente reais aos olhos do leitor. E mais importante: nenhum deles trata um paciente de câncer como um paciente de câncer. Isso porque uma das coisas mais interessantes que esse livro nos faz pensar é justamente que uma pessoa não pode ser reduzida à doença que tem. Seja essa doença câncer, AIDS, paralisia, etc.

Mas isso não quer dizer que questões sérias relacionadas à doença não são discutidas no livro, porque são. Medo da morte, cegueira, dor, tudo isso é trabalhado de uma forma muito próxima, mas sem se tornar cliché. Inclusive John Green, como sempre, brinca com o cliché criando situações que seriam aparentemente clichés somente para subvertê-las depois.

Outra questão abordada no livro é a do escritor. Até que ponto não criamos para nós uma imagem de um escritor como alguém incrível e sensível, mas que na verdade só é uma pessoa comum, com medos e tudo mais?

The Fault in Our Stars é John Green em sua melhor forma. Uma leitura obrigatória para quem gosta do autor ou simplesmente de livros que te fazem questionar (e se emocionar com) algumas coisas que damos por dadas nesse mundo.

O livro ainda não foi traduzido no Brasil, mas pra quem lê em inglês, vale muito a pena!

O título The Fault on Our Stars foi retirado de uma fala clássica da peça Julius Caesar, de Shakespeare, em que Cassius diz a Brutus que a culpa não está nas estrelas, mas sim em nós mesmos.

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Depois de me fazer debulhar em lágrimas e sentimentos conflitantes com Quem é Você, Alasca? [Looking For Alaska], John Green dessa vez me atirou no mundo da ansiedade adolescente que busca incessantemente entender o que não dá pra entender: porque algumas pessoas levam o pé na bunda enquanto outras aplicam o pé na na bunda.

An Abundance of Katherines é o segundo livro de John Green (John Green, ai me Deus, John Greeeeeeeeeeeeeeeeen!) e infelizmente ainda não foi traduzido no Brasil. *cruzem os dedos, pessoal * Peguei em prestado com a Amanda pra variar e li em poucos dias. Na verdade, foi o último livro que li em 2011. Então fechei com chave de ouro, acho.

O livro conta a história de Colin, um garoto super dotado que vive com o peso de não ser um gênio. Isso mesmo, Colin aprende coisas super rápido – principalmente anagramas, sua obcessão, e coisas relacionadas a línguas – mas isso não faz com que ele seja especialmente genial. O problema é que Colin se sente pressionado a fazer uma descoberta incrível ou algo que o torne para sempre imortal.

Mas essa não é a única coisa que preocupa Colin, muito menos a característica que o torna diferente dos outros. Além de seus talentos linguísticos e ansiedade crônica, Colin precisa de Katherines. Isso mesmo. As 19 namoradas de Colin até então foram todas Katherines. E ao levar um pé na bunda da última, ele acha que precisa arrumar um jeito em sua vida. Ou seja, inventar uma fórmula/teoria que explique todos os relacionamentos amorosos antes mesmo que eles aconteçam!

Juntamente com Hassan, seu melhor amigo mulçumano, Colin parte numa viagem de carro um tanto inusitada que o levará a muitas descobertas. Uma história sobre lidar com a própria ansiedade e as próprias obcessões pessoais; An Abundance of Katherines rende momentos emocionantes, mas também momentos hilários com aquele toque sensível que só John Green tem!

Confesso que demorei um pouco a engatar nesse livro que não me fisgou logo no começo. No entanto, quando finalmente entendi Colin como personagem, não consegui mais parar de ler. Adorei as notas de rodapé que explicam as obcessões de Colin mais o apêndice que explica a matemática do teorema Katherine. É um livro instigante que me fez pensar bastante na minha vida, principalmente no sentido de que muitas vezes esperamos muito de nós mesmos, esperamos um futuro para nós, e nos esquecemos de ver que no nosso presente há coisas incríveis acontecendo. Além de que muitas vezes deixamos que nossos objetivos pessoais simplesmente determinem quem nós realmente somos ao invés de o contrário.

Nem preciso dizer que recomendo muito esse livro. John Green com certeza é um dos melhores escritores dessa nossa década e merece ser valorizado como tal.

Pra quem quiser mais saber o livro, confiram o site oficial de John Green que tem muitas curiosidades e também uma página de perguntas e respostas elaborada pelo próprio autor. Inclusive tem uma parte muito interessante em que ele rebate os críticos dizendo que nunca foi uma criança prodígio e que este livro não é nem delonge uma história sobre sua própria adolescência. Ah, e que ele nãoé bom em anagramas! Está em inglês.

A fórmula inventada por Colin. Inclusive, em alguns sites da internet dá pra realmente aplicá-la ao seu relacionamento...

Emocionante. Sincero. Simples. Mágico. Não tenho muitas palavras para descrever Looking For Alaska (traduzido no Brasil com o nome estranho e pouco emotivo Quem é você, Alasca?). Só posso dizer que foi uma das experiências de leitura mais incríveis da minha vida e que entrou para o meu top5 livros favoritos de todos os tempos.

Quando minha amiga Amanda voltou de Londres, uma das primeiras coisas coerentes que ela me disse foi “Lê”. E jogou o exemplar de Looking For Alaska em cima de mim. Eu abri a boca pra perguntar alguma coisa e ela me cortou dizendo simplesmente “Lê”. Desde então o livro está à espera no meu armário e todos os dias enquanto eu lia meus duzentos livros teóricos e surtava por conta da prova de seleção da pós, eu pensava no livro dentro do armário e no que ele teria de tão especial assim. Isso porque não era só Amanda que tinha uma coisa com livro, mas também uma outra amiga, a Ily (do blog Por Essas Páginas, clique aqui pra ler a resenha desse livro). E eu confio na opinião delas.

Eu elegi esse sábado para começar a ler o livro. A primeira bateria de prova já tinha terminado e a correção de provas pra escola estava feita. Eu podia me dar ao lixo de ler Looking For Alaska. O livro me agarrou nas primeiras 5 páginas e eu li tudo em doze horas.

As últimas palavras de Rabelais que motivam Miles durante o livro e se tornam uma metáfora e tanto...

O livro, em primeira pessoa, narra a história de Miles (ou Pudge, como passa a ser conhecido), uma cara sem amigos e sem grandes acontecimentos na vida que tem um hobby estranho de ler biografias e decorar as últimas palavras (aquelas mesmo, ditas antes de morrer) de pessoas famosas. Ele resolve ir estudar num colégio interno e é lá que ele faz seus primeiros amigos: Chip (ou Colonel, um cara surtado que tem uma super memória), Takumi (um japonês que não saca nada de tecnologia) e Alaska (uma garota linda, inteligente… e doida).

Mas não se enganem. Apesar de Miles e sua turma se meterem em muita confusão, nada no livro tem cara de Sessão da Tarde. O colégio interno, afinal, é um lugar comum cheio de nerds. hahahaha Porque uma das alegrias de ler esse livro é rir de piadas que provavelmente seus amigos não entendem e pegar as referências literárias que pra você é lugar comum, mas que pra muita gente não é. Eu não conseguia deixar de pensar que o colégio Culver Creek era o colégio interno que eu e Amanda nunca estudamos. Tirando provavelmente a parte do excesso de cigarro. hahahahahaha

Miles se apaixona por Alaska e ela claramente tem uma atração por ele; o problema é que ela ama muito seu namorado. Mas não ache que esse é um livro mi mi mi sobre triângulo amoroso, porque não é! O leitor acompanha Miles e sua vida comum em um novo lugar, seus amigos e seu amor por Alaska até a metade do livro. Quando tudo muda. Mas eu não vou contar porque.

Sobre a Alaska do título...

Looking For Alaska é um livro sobre a procura do eu, do amor, da vida… de tudo. É também um livro sobre adolescência e sobre envelhecer. E também sobre família. Mas também é um livro sobre sexo. E sobre crenças. E rebeldia. E também não é sobre nada disso em especial. Para mim é uma mistura de O Apanhador no Campo de Centeio, Harry Potter (okay, tudo na vida me lembra Harry Potter, então não conta muito…), Brilho Eterno de uma Mente Sem Lembranças, 500 dias com ela, Sociedade dos Poetas Mortos e até mesmo um livro que eu mesma escrevi ano passado.

É importante lembrar que apesar de ser um livro sobre adolescentes, eu não sei se seria um livro para adolescentes. Pelo menos não para a maioria. O livro, inclusive, enfrentou uma grande polêmica nos Estados Unidos por conta das cenas de adolescentes fumando, bebendo e transando explicitamente ao longo das páginas. Sinceramente? Eu não vi nada demais.

O livro não é uma apologia ao álcool ou cigarro e muito menos trata sexo como uma questão banal. Pelo contrário. Eu achei todas as cenas de sexo do livro muito bem escritas e muito bem boladas, inclusive. John Green consegue mostrar e pesar muito bem essa questão sexual e claramente faz uma oposição entre sexo por sexo e sexo por sentimento. Qualquer ser humano com mais de três neurônios consegue perceber que um livro que faz um questionamento sobre os sentimentos mais profundos do ser humano não iria ser uma apologia à vida oba-oba.

Mas infelizmente a grande maioria da população tem três ou menos de três neurônios.

Tem um vídeo do John Green, que é um vlogger super assíduo, sobre o assunto. Clique aqui pra ver. Está em inglês.

Enfim, acho que essa resenha ficou muito emocional, mas é sobre um livro emocional. (Posso dizer que chorei quando Colonel começou a falar que estava memorizando a capital de todos os países do mundo?) Recomendo muito a todas as pessoas e tenho certeza que será uma leitura inesquecível.

Sabe aquele esteriótipo da boa aluna que passa cola pros amigos, mata aula de Educação Física no banheiro feminino, leva bolada na cara no handball, usa uniforme quatro números maior que o necessário, não estuda pra prova mas tira nota alta, lê uma porrada de livros nas férias, gosta de bandas que ninguém conhece e tem um cabelo super cheio?

E eu também tinha (ainda tenho) dentes enormes! A diferença é que não, eu não fiquei fashion e bonitona que nem a Emma Watson...

Era eu!

Eu ainda não tenho certeza se sofri bullying na escola, mas algumas pessoas definitavamente me zuavam. Acho que a maioria dos professores gostava de mim e eu tinha amigos. Provavelmente assustava a maior parte dos meninos mas por mais incrível que pareça eu tive dois namorados na adolescência. O fato de eles terem feito um estrago na minha auto-estima é irrelevante. Ou não.

A verdade é que é estranho, aos quase 22 anos, olhar para os meus diferentes eus da adolescência. Aos 12 anos eu era definitavemente uma garota super confiante que não estava nem aí pra ninguém porque eu me achava bem legal. Já aos 14, minha auto-estima foi parar no pé e eu realmente fiz uma mexa vermelha no cabelo e comecei a andar com roupa preta. Aos 16 minha auto-estima melhorou e eu comecei a conviver com um grupo diferente de colegas, o que foi bom para minha habilidade de socialização. Tudo isso foi destruído aos 17.  Mas eu sempre sempre fui normalzona.

Quer dizer que nunca fiz nada incrivelmente doidão. Às vezes escuto algumas pessoas contando histórias incríveis de adolescência no estilo “saí de casa e voltei 5 dias depois de carona numa vã” ou “fui com um amigo pra uma boca de fumo e cheirei um troço estranho que me levou pro hospital mas eu contei pra minha mãe que tava com dor de barriga” e por aí vai. Eu fico pensando: onde vocês viveram? hahahahaha Porque eu, bem, eu era bem normal e a maior emoção da minha vida na época foi ter ganhado prêmios por escrever fanfics.

Aliás, por volta dos 15 anos minha vida era basicamente internet. Fóruns de Harry Potter, discutir Harry Potter, escrever Harry Potter. Isso era basicamente o que me fazia feliz. Porque era onde eu encontrava pessoas como eu, que não iam pra boca de fumo ou apareciam depois de dias na noitada (pelo menos não que eu saiba) e ainda por cima entendiam as minhas piadas. E bem, nada melhor naquela época do que receber o aviso de comentário do Fanfiction.net e alguém dizer que tinha chorado lendo uma fic minha ou morrido de rir.

Harry Potter acabou e esse tempo ficou para trás. Quer dizer, eu sempre vou tremer com uma referência a Ron/Hermione, sempre vou ser péssima em esportes, sempre vou gostar de bandas que ninguém conhece, sempre vou arrumar uma obcessão nova e meus dentes são grandes e não vão diminuir.

Alguém me diz o que isso quer dizer? hahahahaha

Eu só acho que se eu tivesse visto esse vídeo aos 14 anos, eu definitavemente teria me sentido menos sozinha.

Quem teve uma adolescência cliché e normal põe o dedo aqui que já vai fechar não adianta chorar nem espenear…

Agora a pouco, durante uma pesquisa que estava fazendo na internet, acabei encontrando esse texto sobre adolescência – clique aqui para ler porque vale a pena. Como era antes, como é agora. Achei bem interessante.

A jornalista que escreveu esse texto foi adolescente no início da década de 90, ou seja, no mínimo uns quinze anos antes de mim. No entanto, dá pra ver que os comportamentos adolescentes não são tão diferentes assim, só mudam um pouquinho de cor e endereço.

Na minha época (se sentindo A velha aqui…), Malhação era uma novidade super cool. Todo mundo queria sair da escola mais cedo pra assistir Malhação. Era o auge daqueles casais de amores arrasadores, com as vilãs-amigas-primas-irmãs super malvadas que faziam de tudo pra tirar a felicidade dos dois. Tinha personagens drogados, meninas grávidas e tantas outras coisas que eram coisa de outro mundo pra um bando de adolescentes de classe média que estudavam em escola católica.

E tinha revista Capricho! E no auge dos meus treze anos, ler Capricho (com todas aquelas reportagens sobre sexo e fotos de homem sem camisa) era uma coisa de outro mundo. As meninas mais moderninhas compravam a revista e passavam pela sala. A gente trocava bilhetinho e dava risadinha.

Mas pra ser rebelde mesmo tinha que era que ser Wicca. Gente, Wicca foi uma febre total na minha escola. E as freiras da escola mandavam recolher as revistas Wicca, mas existia um mercado negro no banheiro feminino que era impossível ser controlado. Todas as meninas faziam mexas no cabelo (até eu, no auge da loucura, pintei um pedaço do cabelo de vermelho) e pintavam as unhas de vermelho. Preto era o look do momento assim como pentagramas e camisas pretas de bandas que remetiam a essa idéia de magia ou o que quer que a gente achasse que Wicca fosse.

A gente mandava bilhetinho ameaçando as meninas que namoravam os guris que a gente gostava. Tinha Olimpíadas na escola e a gente torcia pro time da sala e até brigava com a melhor amiga (porque ela era da 718 e você era da 720). As meninas atléticas jogavam handball e ganhavam todos os olhares; as meninas paradas ganhavam boas notas e jogavam fora todas as chances com os meninos.

Todo mundo queria saber como era dar um beijo na boca. E todo mundo fingia que já tinha dado. Era tudo tão igual!


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