Mundo de Coisas Minhas

Uma comédia romântica com ar inocente que resgata e re-imagina os filmes mudos da década de 20 em Hollywood. Em tempos de filmes 3D explodindo na nossa cara e surround nervoso, assistir algo como O Artista, totalmente em preto e branco e totalmente sem fala, é uma experiência quase alienígena. Mas é um ótimo alienígena!

O Artista, do diretor francês Michel Hazanavicius, é uma produção ousada e diferente. É uma apropriação dos antigos filmes mudos e vem arrancando prêmios por onde passa, inclusive em Cannes, no Globo de Ouro e agora concorre a nada menos do que 10 categorias no Oscar, inclusive diretor, ator, atriz coadjuvante e roteiro original.

Meu maior medo em relação a esse filme foi que ficasse caricato demais. Claro que filmes mudos são sim caricatos, mas eu fiquei receosa de ver um cara estranho fazendo caretas loucamente na tela. Mas isso não aconteceu. Jean Dujardin atuou muito bem e conseguiu realmente me convencer de que era um ator mudo da década de 20. Todos os prêmios que ele levou até agora são mais que merecidos e acho que ele tem chances sim de levar um Oscar.

O filme conta a história de George Valentin, uma estrela dos filmes mudos, que vê sua vida sofrer um golpe quando Hollywood passa a investir em filmes falados. Orgulhoso, George não aceita a mudança e insiste em produções mudas, o que leva seu nome ao esquecimento, seu casamento ao fim e sua vida financeira à falência. Num contraponto, a jovem atriz Peppy Miller (interpretada por Bérénice Bejo) que conheceu o sucesso com a ajuda de George, desponta numa carreira bem-sucedida como atriz de filmes falados.

O filme conta com momentos engraçados, alguns outros um tanto sombrios, mas no fim o clima romântico prevalece. Mas é estranho para nós, espectadores do século XXI, assistir um filme desses sem que haja um só beijo na boca! Isso mesmo. Porque nos filmes da década de 20 ninguém beijava, só abraçava.

Algumas cenas são realmente geniais, como o pesadelo que George tem com o som e a cena de dança entre Peppy e George logo no começo do filme. E ao contrário do que as pessoas podem pensar, o filme não é nada cansativo e é bastante envolvente passado os primeiros três minutos de estranheza quando-é-que-eles-vão-falar. Minha única ressalva foi mesmo à interpretação de Bejo, que não me convenceu como atriz da década de 20.

Recomendo bastante. 🙂

E vocês acharam que eu não ia falar nada sobre o Oscar 2012, né? Já tem filme resenhado e essa semana vai ter mais!!!

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E nada melhor do que passar o Carnaval com um pouquinho de bom e velho rock and roll, não? Então vamos pra sequência da história da banda estado-unidense The Runaways. E esse post vai abordar o conturbado período que se seguiu à turnê japonesa de 1977.

Como sempre, esse é um post do projeto Born to Be a Runaways Fan e as informações que uso foram declarações da própria banda. Para conferir a bibliografia, dê uma olhada nos posts anteriores.

No documentário Edgeplay, Jackie Fox diz:

As pessoas às vezes me perguntam: O que você acha da Lita? O que você acha da Joan? E a única resposta que consigo pensar é: Eu não as conheço! Sabe, eu não sou a mesma pessoa que eu era quando tinha 16 anos. E nós éramos todas incrivelmente difíceis do nosso jeito: Cherie nas Runaways era a pessoa mais egocêntrica que eu já conheci na vida. Lita era uma vaca. Sandy… Sandy apenas parecia ser incapaz de um pensamento independente. Ela tinha a melhor das intenções, mas era facilmente convencida por quem quer que seja da banda que fosse amiga dela na semana em questão. E Joan era, provavelmente, naquele momento, a pessoa mais estável, a que era a peça central na banda. E eu era uma terrível sabe-tudo insegura. E colocar-nos todas juntas era uma batalha de problemas de personalidade.

Com a saída de Jackie no final da turnê do Japão, os ânimos não se acalmaram. Pelo contrário, a tensão decorrente das diferenças de personalidade permaneceu entre as membros juntamente com a competitividade e agora as apresentações para a escala de uma nova baixista.

Vicki Blue antes da mudança de visual imposta por Lita...

Algumas garotas tocaram até que Vicki Blue (Victory Trischler-Blue) apareceu. Vicki ficou sabendo por um amigo que Jackie Fox tinha saído da banda no Japão e ligou para Kim Fowley a fim de marcar um teste. Em Edgeplay, ela diz que se lembra de entrar no estúdio de ensaio e abrir a porta para dar de cara com a banda lá dentro. Ela diz que houve um “momento congelado no tempo” para depois pensar imediatamente: “Ah meu Deus, ela realmente parece comigo!”. E ela estava se referindo a Lita Ford.

A banda ensaiou com Vicki algumas músicas e de acordo com a última, o ensaio foi bom. Então as Runaways pediram que Vicki deixasse a sala para deliberar a decisão. Vicki diz que se sentiu ansiosa, pois queria muito entrar para a banda. Quando ela entrou na sala mais uma vez, Cherie estendeu a mão para ela e disse: “Bem-vinda às Runaways!”. Mas Vicki e Lita realmente se pareciam muito o que, obviamente, não deixava Lita nada feliz. Para resolver o “problema”, Lita pintou o cabelo de loiro e convenceu Vicki a fazer um permanente. Mas ainda assim, as duas passariam facilmente por irmãs.

Lita... realmente parecidas, não?

Mas estranhamente, Vicki e Lita se tornaram um tanto próximas. Em Edgeplay, Lita diz que considerava Vick sua responsabilidade. Foi ela quem ensinou a Vicki todas as antigas músicas das Runaways (e lembrando aqui que Lita é uma ótima baixista! rs) e as duas passavam algum tempo juntas. Ainda no documentário, Lita diz que estava cansada da atmosfera tensa da banda naquela época e que Vicki trouxe um certo ar fresco. Passar um tempo com Vicki era mais tranquilo uma vez que ela não estava envolvida em antigos joguinhos de poder ou em ressentimentos passados.

 O limite de Cherie

Com uma nova integrante, a banda precisava investir mais uma vez em sua imagem. Por isso uma sessão de fotos foi marcada a fim de apresentar The Runaways em sua nova formação. O fotógrafo era Barry Levine, o mesmo que à época fazia a maior parte das fotos promocionais da banda bem como a capa dos álbuns. O ensaio, no entanto, não saiu como o esperado. Essa história tem duas versões, então vamos lá:

  • Versão de Lita Ford e Vicki Blue

Uma das fotos em grupo da sessão fotográfica fatídica...

Lita deu carona para Vicki até o estúdio e lá, juntamente com as outras Runaways, ficaram esperando por Cherie, que chegou duas horas atrasada porque dividia o carro com sua irmã. Lita ficou p da vida, mas a sessão de fotos rolou. No entanto, quando a banda começou a fazer a sessão de fotos individuais, Cherie disse que tinha que ir embora mais cedo. Levine, irado, atirou a câmera no chão e começou a gritar. Cherie, assustada, saiu correndo para o vestiário e começou a se trocar. O problema é que Lita já tinha perdido a cabeça com a história toda. Ela foi atrás de Cherie e literalmente arrombou a porta para empurrar Cherie contra a parede e dizer: Ou é a banda ou a sua família! Cherie, em pânico, diz que era sua família e depois emenda com um: “Eu não posso trabalhar com essa mulher!” e vai embora. Antes de sair do estúdio, no entanto, ela segura o braço de Vicki e pergunta: “Vicki, você vem comigo?” e Vicki diz que não. É aí que Cherie sai da banda.

No documentário Edgeplay, Lita diz que já estava de saco cheio de Cherie e de seus problemas familiares. Ela diz que se importava muito com a banda, com a música e que estava disposta a trabalhar duro para o sucesso das Runaways, coisa que ela achava que Cherie não estava fazendo. De acordo com Lita, Cherie estava sempre atrasada e mais preocupada com relacionamentos (referência ao affair entre a loira e Scott Anderson) e drogas do que com o que era melhor para sua carreira.

  • Versão de Cherie Currie

Cherie chega no estúdio e avisa Barry Levine que tinha que ir embora mais cedo pois tinha que entregar o carro para sua irmã gêmea, Marie, que tinha aulas de atuação, às sete horas. Barry diz okay, mas Lita chega duas horas atrasada e a sessão demora mais do que o planejado. Cherie então, no meio da sessão, anuncia que precisa sair. Levine, irado, atira a câmera no chão. Percebendo que a situação ia ficar feia, Cherie sai correndo para o vestiário e tenta sair dali o mais rápido possível. Mas Lita vai atrás dela, derruba a porta e começa a gritar. No meio da briga, Lita diz que existe a banda e a família e que todas as outras escolheram a banda. Cherie diz que escolhia sua família e vai embora.

E mais uma vez Cherie entra em conflito com seus depoimentos. Enquanto que em sua autobiografia, Neon Angel,  ela diz que ficou arrasada com sua saída das Runaways e que teria voltado se as outras garotas tivessem ido atrás dela para conversar, em Edgeplay ela diz que já tinha tido o bastante e que foi um alívio sair e começar sua carreira solo. Como sempre, drama queen. Eu, pessoalmente, acredito na versão de Vicki Blue e Lita Ford. Até porque são duas pessoas contando a mesma história e Vicki é uma figura bastante mais coerente que Cherie.

E é assim que Cherie Currie, a Cherry Bomb, abandona The  Runaways. No entanto sua imagem com o espartilho branco seria para sempre associada à banda.

Seguindo em frente como um quarteto

No dia seguinte da saída de Cherie, as membros remanescentes da banda se reuniram e Joan teve que assumir a responsabilidade de ser o vocal principal. Tanto Lita quanto Vicki dizem que Joan teve um flash de insegurança, se perguntando se seria capaz de fazer aquilo. A banda a apoiou e a ajudou a escolher as músicas que Cherie cantava que ela poderia cantar. Vicki Blue diz em Edgeplay que esse foi o único momento de camaradagem que experenciou durante toda sua estada com as Runaways.

Vicki ao lado de Joan, agora frontman num estilo bastante diferente da anterior

Joan Jett se tornou uma excelente frontman, apesar de ter um estilo completamente diferente de Cherie. A banda pós-Cherie, inclusive, parece outra. A pegada punk se tornou mais forte bem como músicas mais pesadas, uma vez que a banda não tinha mais lidar com os pedidos de músicas melódicas de Cherie. Joan tinha uma postura agressiva no palco, mas bem menos sensual. Nada de corpetes, nada de lingeries. Joan Jett usava calça jeans rasgada e no máximo seu macacão vermelho (que ela abandonou depois de 77).

Uma nova imagem se formava para a banda. Cherie fazia o tipo femme fatale misturado com drama queen, enquanto Joan era mais masculina  e durona e tinha uma atitude rock and roll facilmente confundida com arrogância segundo alguns produtores (dentre eles, Toby Mamis). Cherie usava as mãos, se abaixava e dançava para impor sua presença no palco. Joan, por motivos óbvios, não podia fazer isso. Ao invés disso, ela passou a usar os olhos (aquele olho arregalado que mais tarde seria uma de suas marcas registradas), mascar chiclete e dar umas jogadas de ombro. Os ombros curvados que tanto desagradavam Kim Fowley acabaram se tornando sua postura clássica no palco.

Nos comentários do filme The Runaways, Joan disse que Kim Fowley achava que The Runaways sem Cherie Currie estava fadada ao fracasso. Ela diz que ele nunca falou isso, mas que ela podia sentir e que ficou feliz quando provou a ele que ele estava errado.

Da voz no limite melódica de Cherie Currie para a interpretação seca e agressiva de Joan Jett

O que Fowley temia era que sem o apelo sexy explícito a banda não fizesse mais sucesso. De certa forma isso não aconteceu, mas é verdade que o público mudou junto com o som. Possivelmente alguns fãs não gostaram da nova cara da banda e Waitin´ for the Night não foi um álbum bem recebido na época. Pelo menos não nos Estados Unidos.

Das músicas que Cherie cantava, Joan passou a cantar “Queens of Noise” integralmente, “California Paradise”, “American Nights” e “C´mon”. Em termos técnicos, Cherie Currie era uma melhor vocalista, mas Joan Jett conquistou os fãs com a atitude rock and roll.

Diz aí que o vídeo é de 78, mas pelas roupas, imagino que seja 77. Tinha um vídeo de ótima qualidade dessa música sem Cherie, mas não consigo achar em lugar nenhum do Youtube mais. Alguém tem?

Kim Fowley se afastou um pouco e Toby Mamis passou a gerenciar a banda. Em meio a essa fase de adaptação, é importante dizer que o clima estava extremamente tenso e que as drogas já eram mais que rotina. Vicki Blue, na época, era a única que não usava drogas. Foi nesse cenário que Waitin´ For the Night, o quarto álbum da banda foi gravado em agosto de 77.

Título: Waitin´ for the Night

Lançamento: outubro de 1977

Gravadora: Mercury Records

Produção: Kim Fowley

1.Little Sister (Jett / Inger Asten): Essa primeira música já mostra o que vai se ouvir nesse álbum: guitarras mega altas e distorcidas, vocal agressivo e letras nervosas sobre a noite na cidade, curtição e encontros amorosos. Joan apanhava para cantar esse refrão ao vivo, mas também era uma das melhores interpretações dela nos shows. Uma vez vi um comentário no Youtube dizendo que esse álbum deveria se chamar “Kids in Hate”  por conta do refrão dessa música e eu acho que é verdade.

2. Wasted (Jett / Fowley): Uma música sobre jovens drogados nos clubes da cidade. “Wasted” acaba sendo uma mistura conflitante de uma inspiração punk (Joan) com outra heavy metal (Lita). No final o punk ganhou, mas o solo de Lita nessa música é muito bom.

3. Gotta Get Out Tonight (Jett): Seguindo a linha mais pesada das músicas anteriores, essa apresenta guitarras em excelente forma, tanto da parte de Lita quanto de Joan. E destaque para Vicki, que é uma baixista muito melhor que Jackie.

4. Wait For Me (Jett): Uma balada romântica escrita por Joan, mas que não deixa de lado as guitarras. Um riff bem bolado, não cansa. A voz de Joan mescla uma interpretação mais suave com seu tom usual agressivo.

5. Fantasies (Ford): Primeira música composta 100% por Lita Ford que aparece num álbum, essa faixa não poderia deixar de ser o alívio mais metal num álbum quase todo punk. A música, lenta e melódica, apela para arranjos de guitarra e um solo excelente. Apesar de bem composta e bem executada, algumas vezes ela me cansa. Uma faixa longa se formos analisar outras músicas da banda.

6. School Days (Jett / Fowley): Joan canta sobre experiências na escola e a vida depois dela. Provavelmente a música mais tocada da época. Lita faz uns enfeites muito legais nessa música, mas sempre senti falta de um solo.

7. Trash Can Murders (Ford): Lita faz uma letra sinistrona sobre assasinatos à noite (bem estilo metal mesmo) somada a uma pegada de guitarra muito bem feita. Joan interpreta a música no que é seu melhor vocal no disco inteiro e eu arriscaria dizer nos álbuns de estúdio das Runaways. Ah, e o solo de Lita é excelente e a guitarra base de Joan também. Ah, e Vicki e Sandy também foram muito bem. Enfim, essa faixa é ótima! Apesar da letra sinistrona.

8. Don´t Go Away (Jett): Outra música mais romântica de Joan. Gosto bastante dos vocais agudos de Joan aqui, mostra um pouco da sua versatilidade vocal.

9. Waitin´ for the Night (Jett / Fowley / Krome): A faixa-título é uma balada com um refrão pesado e uma letra mais poética bem Kari Krome.

10. You´re Too Possessive (Jett): Para o final temos uma música bastante intensa com vocais mega agudos de Joan Jett sobre um caso de affair possessivo. Inclusive,  os backs mega agudos eram um sofrimento nos shows ao vivo. Mas destaque para Lita.

A contracapa da Waitin´ For the Night

 Dessa época estão alguns vídeos de apresentações da banda na TV, vale a pena conferir:

Ah, e esqueçam a legenda do vídeo acima pois até toda errada. Até diz que Lita é Cherie… Imagina se a Lita vê uma coisa dessas…

 Uma perda

Um fato não muito comentado a respeito da formação de The Runaways como um quarteto é que a banda perdeu seu backing vocal de qualidade. Até a saída de Cherie, os backs ao vivo eram incríveis. Na formação clássica, Joan e Jackie faziam o back para Cherie. Um dos talentos não muito mencionados de Joan Jett é que ela é uma excelente backing vocal, conseguindo dar força ao vocal principal e ao mesmo tempo imprimindo sua marca. Cherie também fazia backs ótimos e o mesmo se diz de Jackie Fox, que tinha uma voz muito bonita por sinal.

Com a saída de Jackie e mais tarde de Cherie somado ao fato de que Joan agora era o vocal principal a responsabilidade maior dos backs caiu sobre Lita. E Lita Ford tem um back medíocre na minha opinião, de péssima qualidade. Desafinado e sem coordenação. Vicki Blue era uma back melhor, mas estranhamente, ela não era fã do microfone e nos vídeos que podemos ver da banda, é raro vê-la com um pedestal na frente. Quanto a Sandy West, ela normalmente faz coro e não back. No álbum de estúdio, Joan gravou todas as segundas vozes e backs (apesar de eu desconfiar que tem Sandy no coro às vezes).

 The Runaways como um quarteto se tornou uma banda mais underground, uma vez que apelo sexual que Kim Fowley tanto queria, perdeu sua força. Joan Jett disse, se não me engano nos comentários do filme The Runaways, que elas eram infelizes na época e que uma prova disso é que não há fotos delas sorrindo na época. Lita Ford diz no documentário Edgeplay que tudo que aprendeu no cenário musical com The Runaways veio do jeito mais difícil possível. Sandy West, por outro lado, diz que estar na banda foi a melhor época de sua vida.

Com o álbum mais Joan Jett de todos gravados pelas Runaways, não só pelo número de composições mas também pelo apelo punk, a banda fez alguns shows nos Estados Unidos e depois se lançou na segunda turnê pela Europa tocando em países como Reuno Unido, França, Bélgica e Holanda.

De volta aos EUA em dezembro de 1977 se prepararam para a turnê nacional ao lado de bandas como os Ramones.

Aguardem o próximo post que traz o ano de 1978!

Bibliografia

  • The Runaways Collector: um canal no Youtube com várias gravações raras de TV da banda. Vale MUITO a pena ver.

Depois de me fazer debulhar em lágrimas e sentimentos conflitantes com Quem é Você, Alasca? [Looking For Alaska], John Green dessa vez me atirou no mundo da ansiedade adolescente que busca incessantemente entender o que não dá pra entender: porque algumas pessoas levam o pé na bunda enquanto outras aplicam o pé na na bunda.

An Abundance of Katherines é o segundo livro de John Green (John Green, ai me Deus, John Greeeeeeeeeeeeeeeeen!) e infelizmente ainda não foi traduzido no Brasil. *cruzem os dedos, pessoal * Peguei em prestado com a Amanda pra variar e li em poucos dias. Na verdade, foi o último livro que li em 2011. Então fechei com chave de ouro, acho.

O livro conta a história de Colin, um garoto super dotado que vive com o peso de não ser um gênio. Isso mesmo, Colin aprende coisas super rápido – principalmente anagramas, sua obcessão, e coisas relacionadas a línguas – mas isso não faz com que ele seja especialmente genial. O problema é que Colin se sente pressionado a fazer uma descoberta incrível ou algo que o torne para sempre imortal.

Mas essa não é a única coisa que preocupa Colin, muito menos a característica que o torna diferente dos outros. Além de seus talentos linguísticos e ansiedade crônica, Colin precisa de Katherines. Isso mesmo. As 19 namoradas de Colin até então foram todas Katherines. E ao levar um pé na bunda da última, ele acha que precisa arrumar um jeito em sua vida. Ou seja, inventar uma fórmula/teoria que explique todos os relacionamentos amorosos antes mesmo que eles aconteçam!

Juntamente com Hassan, seu melhor amigo mulçumano, Colin parte numa viagem de carro um tanto inusitada que o levará a muitas descobertas. Uma história sobre lidar com a própria ansiedade e as próprias obcessões pessoais; An Abundance of Katherines rende momentos emocionantes, mas também momentos hilários com aquele toque sensível que só John Green tem!

Confesso que demorei um pouco a engatar nesse livro que não me fisgou logo no começo. No entanto, quando finalmente entendi Colin como personagem, não consegui mais parar de ler. Adorei as notas de rodapé que explicam as obcessões de Colin mais o apêndice que explica a matemática do teorema Katherine. É um livro instigante que me fez pensar bastante na minha vida, principalmente no sentido de que muitas vezes esperamos muito de nós mesmos, esperamos um futuro para nós, e nos esquecemos de ver que no nosso presente há coisas incríveis acontecendo. Além de que muitas vezes deixamos que nossos objetivos pessoais simplesmente determinem quem nós realmente somos ao invés de o contrário.

Nem preciso dizer que recomendo muito esse livro. John Green com certeza é um dos melhores escritores dessa nossa década e merece ser valorizado como tal.

Pra quem quiser mais saber o livro, confiram o site oficial de John Green que tem muitas curiosidades e também uma página de perguntas e respostas elaborada pelo próprio autor. Inclusive tem uma parte muito interessante em que ele rebate os críticos dizendo que nunca foi uma criança prodígio e que este livro não é nem delonge uma história sobre sua própria adolescência. Ah, e que ele nãoé bom em anagramas! Está em inglês.

A fórmula inventada por Colin. Inclusive, em alguns sites da internet dá pra realmente aplicá-la ao seu relacionamento...

“The Girl on Fire” foi uma das músicas que ficou empatada na enquete que fiz no final final do ano. Por conta do desafio literário, acabei deixando o lado musical mais num cantinho, mas isso não significa que eu abandonei meus projetos! Semana passada fiz os arremates finais e renderizei o arquivo dessa música, que é uma das minhas favoritas. Afinal, é sobre Katniss Everdeen, a garota em chamas!

Katniss é minha personagem favorita na série Jogos Vorazes e achei que ela merecia uma música. Os acordes e o rítmo vieram primeiro, sem letra nenhuma, mas mesmo assim decidi que a música se chamaria “The Girl on Fire” porque achei que capturava a energia que a personagem passa. Mais tarde fui escrever a letra e ela saiu assim num fluxo e apesar de não seguir uma linha fixa, acho que escrevi o que senti e entendi da Katniss. Espero que gostem!

The Girl on Fire

Sharp your eyes and focus on what you see
Pull you bow back and feel its balance
The arrow comprises the world
You´re on fire
Girl you´re on fire

What burns inside is the only truth you know
Hold your tongue and then feel the breeze outside
You´re on fire
Girl you´re on fire

All the things you´ve always known are about to collapse in a out of control burst
Collapse them down before they bomb you now
Release the flames now you have the chance
You´re on fire
Girl you´re on fire

Close your eyes and then runaway
Just to come back now to the eruption
Feel the cold of the situation just do combust all the hearts

Lembrando que tenho uma música sobre Peeta Mellark, também da série Jogos Vorazes, a dramática “Hijacked”, além de outros Wizard Rock no meu canal do youtube. Apareçam por lá e se inscrevam!

E ainda tenho mais duas músicas gravadas sobre essa série: “The Boy With the Bread” e “Catching Fire”. Aguardem!

E àqueles que pensaram que eu havia desistido e mudado pra outro planeta a fim de não ter que terminar esse desafio, eu digo que estão enganados: no dia 31 de janeiro, como prometido, terminei o desafio. E olha aí o post do twitter pra não me deixar mentir:

Pra quem quer refrescar a memória, o Desafio Literário 2 tinha como proposta terminar de escrever um livro até dia 31 de janeiro, não importando o número de páginas. Acabei me decidindo por escrever o livro FICÇÃO CIENTÍFICA que eu trabalhei no primeiro Desafio Literário. O Desafio Literário 2 foi uma empreitada com a Karen, do blog Eu, Papel & Palavras, mas a danada conseguiu terminar o livro dela com duas semanas de antecedência, olha só!

No primeiro desafio foram 10034 palavras. Eu parei de escrever no capítulo oito. De acordo com meu plano original, seriam treze capítulos, então achei que poderia cumprir o desafio tranquilamente. Mas não é que logo na primeira semana de escrita eu decidi enfiar mais três capítulos nessa história? Obviamente, isso me custou mais tempo de trabalho. Na penúltima semana eu estava desesperada, mas dei um arranque final e consegui terminar no dia 31 de janeiro antes da meia-noite! Ufa!

Foram ao todo 30138 ao longo de 137 páginas em tamanho A5. O total do livro é de 54220 em 254 páginas. O gênero é ficção científica do tipo Low sci-fi (ou Baixa Ficção Científica), ou seja, há mais enfoque no lado psicológico e dramático do que no aspecto científico da coisa. A ideia é dar mesmo foque aos conflitos dos personagens em um mundo dominado pela valorização do intelecto. Já postei pra vocês aqui alguma coisa sobre essa história. Estão aqui os posts com protagonista & linhas gerais, uma cena emblemática, a sinopse oficialcomo a história surgiu e até mesmo um post sobre meu método de escrita!

Hoje vou falar mais sobre o estilo. Bem, eu diria que o livro é uma mistura de suspense com agst. O leitor não fica sabendo muita coisa  logo de cara, simplesmente acompanha a garota Andrella em uma rede de situações. A ideia é fazer tudo um grande quebra-cabeça que será compreendido no final. Ou não. hahahahahaha

Quanto a influências, eu diria que a maior influência é Stephen King. Sério mesmo. Não no quesisto terror, mas na coisa do drama e no desenvolvimento de personagens. Claro que tem outras coisas de autores que eu gosto e algumas influências que eu nem me dei conta até agora.

Enfim, o livro se chama Metrópole e agora estou no processo de registro na Biblioteca Nacional e depois vou procurar uma editora.

Obrigada a todos que me incentivaram nesse projeto, especialmente à companheira Karen. Não deixem de dar uma olhada no blog dela!

Não, não, eu não esqueci do desafio. E essa é a penúltima semana, então já dá pra sentir o bafo quente do prazo final na nuca e um desespero básico. Pois é, essa história de escrever um livro inteiro em pouco mais de um mês tem muito de diversão, mas não é fácil. E agora na reta final fica uma ansiedade enorme porque ainda tenho um trabalhinho bom pela frente!

Nas últimas semanas postei algumas informações sobre o livro: protagonista & linhas gerais, uma cena emblemática, a sinopse oficial e como a história surgiu. Agora queria falar um pouco sobre meu processo de escrita, como é que faço quando sento pra escrever. Essa é uma pergunta muito comum que me fazem e achei que ela merecia um post.

Bem, vamos lá. Uma coisa importante pra mim é que só começo escrever alguma coisa se a idéia estiver bem clara na minha cabeça. Por exemplo, se tenho uma idéia sobre alguma história eu deixo que ela “amadureça”  durante um tempo. Isso por uma razão prática: tenho muitas idéia ao longo do dia, mas muitas delas vão embora depois de algumas horas. Se uma idéia é persistante o suficiente para ficar vários e vários dias, começo a pensar em detalhes. Personagens, cenários, nomes, acontecimentos importantes. Passado essa fase eu sento pra escrever uma cena, um começo. Aí é que vejo que tipo de linguagem vou usar, que tipo de narrador a história precisa e etc.

Se gosto do rumo que a história está tomando, faço o planejamento geral que consiste na divisão de capítulos e o que vai acontecer na história mais importante. Isso ajuda a saber para onde estou indo e que tipo de informação devo disponibilizar em cada parte. Normalmente tenho um caderno em que anoto fatos importantes que não posso esquecer, bem como esquemas de hierarquias, lugares, cenários, datas…

Aí começa o processo de “encher” as lacunas. Muita coisa aparece nessa hora, alguns detalhes, mas se engana quem pensa que escrever é uma inspiração que vem do nada e de repente você terminou dez páginas. Escrever é trabalho duro, dá dor de cabeça, dor nas costas, dor no olho… É um esquema de tentativa e erro. Você escreve um pedaço, revisa, escolhe outra palavra, muda, às vezes até deleta tudo… Mas o importante é que se continue escrevendo.

Gosto de escrever quando não tem ninguém por perto, de preferência à noite que é quando me concentro mais. Escrevo no Word mesmo e recentemente, por sugestão da Kakazinha (ela mesma, a companheira desse desafio!), uso o formato de página A5 que dá  a impressão de que estou rendendo mais. Quando sento pra escrever, sempre releio o capítulo anterior para me habituar ao clima da história, nível de tensão e tipo de linguagem necessária. Paro de escrever se sinto que estou muito cansada ou impaciente. Nessas horas, a escrita cai de qualidade e a gente não rende nada.

Quanto aos rendimentos, semana passada escrevi 4523 correspondentes ao capítulo 12 que chamei de “O Som do Velho Mundo” e às duas partes do “Interlúdio” que são fragmentos entre os capítulos. Acabei não escrevendo mais porque viajei no sábado e só voltei ontem. Minha idéia era levar o computador e escrever lá, mas como contei pra vocês no último post, ele simplesmente morreu e tive que mandá-lo pra assistência técnica.

O livro tem 16 capítulos, então como vocês podem ver, faltam quatro. *bate a cabeça no monitor* A parte ruim é que vou ter que escrever loucamente numa média de 8.3 páginas por dia para conseguir terminar na terça-feira 31 de janeiro (e já aviso que vale até a meia noite, hein? hahahaha) A parte boa é que desses quatro capítulos, somente um é difícil (o 16, por causa do drama), os outros são mais tranquilos.

Até agora são 187 páginas. Puxa vida.

Minha vida no solitário Word...

Será que vou conseguir?

Não deixem de conferir também o trabalho da Karen no blog Eu, Papel e Palavras.

Pois é, já estou na quarta semana do meu segundo desafio literário. Vocês podem acompanhar o progresso das semanas anteriores aqui, aqui e aqui. Lembrando que é uma proposta que divido com a Karen, do blog Eu, Papel e Palavras.

Escrever um livro em pouco mais de um mês é uma experiência cheia de altos e baixos. Há dias de produção intensa e outros de pura letargia. Às vezes a escrita vem fácil, quase escorregando, outras vezes vem dura, exige muita lapidação. No entanto, o resultado é sempre positivo. O que não significa que fico sempre satisfeita com meu trabalho, mas me sinto feliz de estar trabalhando. É realmente o que eu amo fazer. E isso é uma coisa muito motivante.

Mas vamos ser realistas. Semana passada foi o caos. Estava extremamente cansada, tive uma crise alérgica e depois meu computador foi pro espaço. Frustração total. (Ah, e antes que alguém pergunte, meus arquivos estãos sãos e salvos em milhões de backups espalhados vida afora. Nesse sentido não fui comprometida.) Ao todo foram 2851 palavras que correspondem ao capítulo 11, que tem um título provisório de “O Caminho dos Túneis”, e ao comecinho do capítulo 12 que ainda não tem nome. Já mencionei que sou péssima com títulos?

Mas levo jeito para nomes de personagens e lugares. rs

Já falei pra vocês um pouco da protagonista, já coloquei uma cena e até a sinopse oficial. Agora decidi que vou contar pra vocês como é que eu tive a idéia pra essa ficção científica distópica.

Na verdade a minha idéia inicial era criar uma história para adolescentes cuja protagonista fosse uma adolescente. A proposta era fazer uma história inteligente sobre uma menina de 15 anos. Algo que fosse YA (Young Adult, mas eu nem sabia que esse termo existia na época), mas que tivesse questionamentos profundos. Um troço sério. O tema do livro sempre foi a pergunta O que é identidade?

Claro que falhei totalmente nessa proposta. hahahaha Quer dizer, eu lembro de contar a idéia pra minha irmã e ela dizer: “Mas isso não é um livro adolescente não, isso é perturbador! Mas é uma história muito boa”. A segunda pessoa a quem contei essa história foi para meu namorado. Ele ouviu pacientemente e foi a primeira pessoa que ouviu o enredo geral todo, até o final. Quando terminei, ele disse: “Isso é muito doido e não é uma história adolescente. Mas é bem legal”. Acho que ainda é um YA, mas não para o público alvo que pensei no início.

Me sentei para escrever e escrevi os quatro primeiros capítulos em uns dois dias. Quando terminei, mandei pra Amanda, do blog The Pavania, e eu até hoje me lembro dela dizendo que eu sou incapaz de diferenciar “a” de “há”. E sou mesmo. hahahaahaha

A Amanda me fez pensar em alguns questionamentos interessantes a respeito da história, principalmente em relação à protagonista, a garota de 15 anos Andrella. A idéia é que a personalidade dela fosse desenvolvida aos poucos, mas aí eu esbarrecei em um problema óbvio: como fazer a primeira parte do livro, a que ela aparentemente não é uma protagonista forte, interessante?

Foi aí que parei de escrever. Fiquei tipo uns dois anos (putz, dois é MUITO tempo) sem pegar nessa idéia, mas sabendo que ela existia.  Foi em abril desse ano, durante a recuperação da fadada cirurgia de apêndice que voltei a escrever essa trama. E aí encontrei saída para os problemas de antes e continuei desenvolvendo a história. Trabalhei nela durante o Desafio Literário 1 e resolvi continuar neste agora. Então é isso.

Minha perspectiva até o fim de semana (porque vamos por partes, né?) é de terminar o capítulo 12 e o Interlúdio. O projeto é de 16 capítulos. Será que vai dar até dia 31 de janeiro???? *modo desespero ativado*

E tudo não fica mais glamouroso numa máquina de escrever? Acho que ninguém liga muito pra um computador velho e pra uma escritora de pijama...

Ah, e não posso deixar de dizer o quanto fiquei feliz hoje ao saber que a Karen, minha companheira de papel, conseguiu terminar o livro dela duas semanas antes do prazo final! Eu mal posso esperar para ler essa belezinha, que vai dar um baita livro de terror. Não deixem de conferir as novidades no blog dela.

ENQUETE!

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