Mundo de Coisas Minhas

Archive for the ‘Resenha de Livro’ Category

Isso mesmo, lendo a nata dos clássicos literários. Fiquei pensando se deveria ou não fazer um post aqui no blog sobre essa peça (quer dizer, é Shakespeare, o que é que eu posso dizer sobre ele?), mas acabei decidindo fazer por causa de um post da Ju do blog Sobre Mim e Meu Mundo em que ela cria o projeto Um Clássico por Mês. Okay, não estou no projeto oficialmente porque não posso me comprometer com desafios literários por conta da faculdade (tenho muitos livros pra ler), mas achei legal mencionar. Inclusive, é uma ideia muito interessante e eu incentivo a participação! Afinal, clássicos são clássicos porque têem algo importante que permanece depois de anos, séculos, não é?

Júlio César (também conhecida como A Tragédia de Júlio César) é uma peça de Shakespeare que tem como tema óbvio o personagem histórico Júlio César, general romano. Uma peça com bastante intriga, sangue e especulações sobre o que é certo ou não fazer em nome do famigerado “bem maior”.

Se você acha que clássicos não trazem uma boa dose de suspense e cenas fortes, está enganado. Em Júlio César, conspiração rola solta e os personagens estão a maior parte do tempo literalmente cobertos de sangue. A trama começa quando o fato de Júlio César estar ganhando muito poder em Roma começa a incomodar. Ele é um militar bem-sucedido, tem um lugar político influente e agora começa a ganhar também um lugar religioso. Um golpe de estado se aproxima? Poderoso demais esse Júlio César.

É pensando nisso que um grupo de conspiradores se organiza liderado por Caius Cassius que tenta convencer Brutus, amigo de César, a apoiá-los. Brutus, obviamente, reluta a princípio, mas começa a ter uma crise de consciência: se César realmente der um golpe de estado, não seria dever dele, Brutus, tentar impedir o fato? Brutos, persuadido por uma série de cartas faltas escritas por Cassius, acaba sendo convencido de que o melhor para Roma seria mesmo matar César pelo “bem maior”. César, afinal, seria um tirano. E é aí que eles se organizam para matar César no Capitólio e depois explicar ao povo porquê fizeram isso. Mas quando Marco Antônio entra na jogada descobrindo o que aconteceu, as coisas não vão sair muito bem como o planejado…

A peça levanta questões muito interessantes. Além desse conflito de consciência de Brutus, temos também a questão da retórica na figura de Marco Antônio: é válido manipular um discurso para seus próprios interesses? Até que ponto um discurso pode manipular a opinião pública? E claro, a questão mor, os fins justificam os meios?

Essa peça já foi contada e recontada milhões e milhões de vezes em filmes e até mesmo no nosso imaginário popular. Acho que não existe ninguém que nunca tenha ouvido a citação clássica de “Até tu, Brutus?”. Mas acho que vale a pena ler o original e entender porque Shakespeare é, afinal, Shakespeare. A peça não é grande, não é difícil de ler (tá, tem uns vocabulários chatos, mas nada que vá matar alguém) e é bem envolvente. Eu li para uma aula do meu curso de mestrado (mas as discussões que tivemos por lá foram outras e envolvem mais complicações que não são o propósito deste blog), mas tive um bom tempo lendo, sabe. Não foi aquele tipo de leitura do “ah, meu Deus, tenho que ler isso pra aula que saaaaaaaaco”.

Recomendadíssimo! E pessoal, vamos ler os clássicos. Eles têm muito a falar sobre o que somos hoje.

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E mais uma vez cá estou eu para fazer uma resenha do incrível John Green (para ler outras resenhas de livros dele, clique aqui). The Fault in Our Stars é um livro sensível, engraçado, trágico e provocador. Afinal, é um livro sobre câncer sem ser um livro sobre câncer.

Hazel tem 16 anos e câncer desde os 13. Ela precisa andar com um cilindro de oxigênio pra onde quer que vá, pois não consegue respirar sozinha. Mas ao invés de uma história melodramática sobre uma pobre garotinha com câncer, o livro nos apresenta a história de uma garota comum. Isso mesmo. Hazel vive incertezas, medos, ansiedades e também alegrias de ser, bem, jovem.

Esperei ansiosamente por esse livro (afinal, o meu foi uma das cópias autografadas pelo John Green da primeira edição da Amazon!) e ele não me decepcionou. A vontade que eu tinha era de ler tudo em poucas horas, mas infelizmente não pude porque às vezes a vida é chata e não deixa. blé

Os personagens, como sempre, foram bem envolventes. Além de Hazel, que é a narradora da história, temos Augustus Waters (um outro garoto com câncer que não é um garoto com câncer), Isaac, os pais de Hazel e o escritor Peter Van Houten. Todos eles incrivelmente reais aos olhos do leitor. E mais importante: nenhum deles trata um paciente de câncer como um paciente de câncer. Isso porque uma das coisas mais interessantes que esse livro nos faz pensar é justamente que uma pessoa não pode ser reduzida à doença que tem. Seja essa doença câncer, AIDS, paralisia, etc.

Mas isso não quer dizer que questões sérias relacionadas à doença não são discutidas no livro, porque são. Medo da morte, cegueira, dor, tudo isso é trabalhado de uma forma muito próxima, mas sem se tornar cliché. Inclusive John Green, como sempre, brinca com o cliché criando situações que seriam aparentemente clichés somente para subvertê-las depois.

Outra questão abordada no livro é a do escritor. Até que ponto não criamos para nós uma imagem de um escritor como alguém incrível e sensível, mas que na verdade só é uma pessoa comum, com medos e tudo mais?

The Fault in Our Stars é John Green em sua melhor forma. Uma leitura obrigatória para quem gosta do autor ou simplesmente de livros que te fazem questionar (e se emocionar com) algumas coisas que damos por dadas nesse mundo.

O livro ainda não foi traduzido no Brasil, mas pra quem lê em inglês, vale muito a pena!

O título The Fault on Our Stars foi retirado de uma fala clássica da peça Julius Caesar, de Shakespeare, em que Cassius diz a Brutus que a culpa não está nas estrelas, mas sim em nós mesmos.

Depois de me fazer debulhar em lágrimas e sentimentos conflitantes com Quem é Você, Alasca? [Looking For Alaska], John Green dessa vez me atirou no mundo da ansiedade adolescente que busca incessantemente entender o que não dá pra entender: porque algumas pessoas levam o pé na bunda enquanto outras aplicam o pé na na bunda.

An Abundance of Katherines é o segundo livro de John Green (John Green, ai me Deus, John Greeeeeeeeeeeeeeeeen!) e infelizmente ainda não foi traduzido no Brasil. *cruzem os dedos, pessoal * Peguei em prestado com a Amanda pra variar e li em poucos dias. Na verdade, foi o último livro que li em 2011. Então fechei com chave de ouro, acho.

O livro conta a história de Colin, um garoto super dotado que vive com o peso de não ser um gênio. Isso mesmo, Colin aprende coisas super rápido – principalmente anagramas, sua obcessão, e coisas relacionadas a línguas – mas isso não faz com que ele seja especialmente genial. O problema é que Colin se sente pressionado a fazer uma descoberta incrível ou algo que o torne para sempre imortal.

Mas essa não é a única coisa que preocupa Colin, muito menos a característica que o torna diferente dos outros. Além de seus talentos linguísticos e ansiedade crônica, Colin precisa de Katherines. Isso mesmo. As 19 namoradas de Colin até então foram todas Katherines. E ao levar um pé na bunda da última, ele acha que precisa arrumar um jeito em sua vida. Ou seja, inventar uma fórmula/teoria que explique todos os relacionamentos amorosos antes mesmo que eles aconteçam!

Juntamente com Hassan, seu melhor amigo mulçumano, Colin parte numa viagem de carro um tanto inusitada que o levará a muitas descobertas. Uma história sobre lidar com a própria ansiedade e as próprias obcessões pessoais; An Abundance of Katherines rende momentos emocionantes, mas também momentos hilários com aquele toque sensível que só John Green tem!

Confesso que demorei um pouco a engatar nesse livro que não me fisgou logo no começo. No entanto, quando finalmente entendi Colin como personagem, não consegui mais parar de ler. Adorei as notas de rodapé que explicam as obcessões de Colin mais o apêndice que explica a matemática do teorema Katherine. É um livro instigante que me fez pensar bastante na minha vida, principalmente no sentido de que muitas vezes esperamos muito de nós mesmos, esperamos um futuro para nós, e nos esquecemos de ver que no nosso presente há coisas incríveis acontecendo. Além de que muitas vezes deixamos que nossos objetivos pessoais simplesmente determinem quem nós realmente somos ao invés de o contrário.

Nem preciso dizer que recomendo muito esse livro. John Green com certeza é um dos melhores escritores dessa nossa década e merece ser valorizado como tal.

Pra quem quiser mais saber o livro, confiram o site oficial de John Green que tem muitas curiosidades e também uma página de perguntas e respostas elaborada pelo próprio autor. Inclusive tem uma parte muito interessante em que ele rebate os críticos dizendo que nunca foi uma criança prodígio e que este livro não é nem delonge uma história sobre sua própria adolescência. Ah, e que ele nãoé bom em anagramas! Está em inglês.

A fórmula inventada por Colin. Inclusive, em alguns sites da internet dá pra realmente aplicá-la ao seu relacionamento...

Seguindo o exemplo do ano passado, estou postando minha Lista de Livros Lidos em 2011. Sim, eu sei que o Skoob faz isso, mas sempre acho legal postar aqui no blog e ter um olhar mais distante do que realmente li esse ano.

Primeiramente, tenho que dizer que por conta da faculdade, acabo lendo muitos textos e livros teóricos. Bem, não os coloquei na lista. Só incluí mesmo romanes, livros de contos completos, peças de teatro, livros de auto-ajuda/saúde s e livros de ensaios completos. E no final, vai minha lista de releituras.

Acho que está na ordem de leitura. Acho.

Ah, os livros que foram resenhados são os links. Só clicar pra ler a resenha, okay?

Romances

  1. Feios, Scott Westerfield
  2. A Conspiração Franciscana, John Sack
  3. Perfeitos, Scott Westerfield
  4. The Tales of Beedle, the Bard, J.K.Rowling
  5. A Caçadora Vol.1: Sorriso de Vampiro, Vivianne Fair
  6. Harry Potter and the Sorcerer´s Stone (Special Anniversary Edition), J.K.Rowling
  7. Coração de Tinta, Cornelia Funke
  8. Guerras do Mundo Emerso Vol.1: A Seita dos Assassinos, Lícia Troisi
  9. Guerras do Mundo Emerso Vol.2: As Duas Guerreiras, Lícia Troisi
  10. Tambores de Angola, Robson Pinheiro por Ângelo Inácio
  11. A Escolha de Elphame, P. C. Cast
  12. As Crônicas de Gelo e Fogo Vol.1: A Guerra dos Tronos, G.R.R. Martin
  13. Neon Angel: A Memoir of a Runaway, Cherie Currie & Tony O´Neill [sem tradução no Brasil]
  14. Academia de Vampiros Vol.1: O Beijo das Sombras, Richelle Mead
  15. As Crônicas de Gelo e Fogo Vol.2: A Fúria dos Reis, G.R.R. Martin
  16. Looking For Alaska, John Green [Quem é você, Alasca?]
  17. The Hunger Games, Suzanne Collins [Jogos Vorazes]
  18. Cathing Fire, Suzanne Collins [Em Chamas]
  19. Mockingjay, Suzanne Collins [A Esperança]
  20. Academia de Vampiros Vol.2: Aura Negra, Richelle Mead
  21. Beautiful Creatures Vol.1: Dezesseis Luas, Kami Garcia & Margaret Stohl
  22. Anna e o Beijo Francês, Stephanie Perkins
  23. An Abundance of Katherines, John Green [sem tradução no Brasil]
  24. As Sagas da Terra de Arnes: À Sombra do Cavaleiro Negro, Oberdan Lira

Livros de Contos

Moral Disorder, Margaret Atwood [sem tradução no Brasil]

Peças de Teatro

The Rover, Aphra Behn

Livros sobre saúde

Preservação da Saúde e Controle do Estresse, Michel Echenique Isasa

Livros de Ensaio

  1. Survival: A Thematic Guide to Canadian Literature, Margaret Atwood
  2. Second Words, Margaret Atwood
  3. Negotiating With the Dead: A Writer on Writing, Margaret Atwood

Releituras

  1. Oryx and Crake, Margaret Atwood [Oryx e Crake] Romance
  2. The Year of the Flood, Margaret Atwood [O Ano do Dilúvio] Romance
  3. The School for Scandal, Sheridan [sem tradução oficial] Peça de Teatro
  4. Lord of the Flies, William Golding [O Senhor das Moscas] Romance

Saldo total de livros lidos: 30 livros

Total de releituras: 4 livros

Ano passado foram 32 livros lidos e 13 releituras, mas não considero esse ano um retrocesso de modo algum. Fiquei praticamente 5 meses parada, só lendo livro teórico para escrever meu projeto de seleção pra pós-graduação. Li muita teoria. Quando finalmente terminei de estudar, pude me dedicar a ler o que eu queria, e olhando agora, percebi que li muita coisa que eu quis. Principalmente livro de fantasia/sobrenatural/ficção científica, que é o que realmente gosto.

Percebi também que escrever nos meus dois blogs, esse e o Livros de Fantasia, realmente me animam mais a ler e a organizar meus planos de leitura. Estou muito feliz com minha vida de blogueira séria que agora vai fazer dois anos. Eeeeeeeeeeeeh! Obrigada a todos vocês, meus leitores, pela confiança na hora de indicar livros! Vocês são muito especiais com certeza.

Desejo a vocês um ótimo 2012 com muitos livros e muito tempo para ler os livros que vocês mais querrem ler!

Um livro leve, tranquilo, fofo, bonitinho e perfeito para uma leitura de férias. E aí, que tal colocar Anna e o Beijo Francês pra sua lista de livros até o fim do ano?

Esse livro é uma comédia romântica teen e enquanto lia eu ficava pensando “mas isso podia ser um filme e passar na Sessão da Tarde, e eu ia adorar!”. É o tipo de livro que deixa com a coração leve, acreditando no amor e gostando dos clichés, como toda comédia romântica faz. hahahaha Obviamente o livro conta a história de Anna, uma garota que se muda forçadamente para Paris e começa a estudar na School of America. Em meio ao drama de ter que aprender a falar francês e superar seus dramas familiares (o pai dela é tipo um autor de romance de banca e ela o detesta por isso), Anna conhece Étienne St. Clair, um americano/inglês/francês baixinho e super engraçado. Amor à primeira vista, claro. Mas ele tem namorada. Eita.

Só dizendo que esse é o tipo de livro que eu NUNCA compraria. Sério. O título e a capa provavelmente me bloqueariam para sempre. Só comecei a demonstrar interesse porque li essa resenha da Ily no blog Por Essas Páginas em que, além de dizer que o livro era ótimo (eu confio na Ily pra indicar livros porque ela normalmente sabe o que eu gosto ou não), ainda dizia que John Green estava recomendando o livro e, citando diretamente o post da Ily: “porque se você não pode confiar em John Green para indicação de bons livros YA, você não pode confiar em ninguém”.

Minha irmã comprou o livro mês passado e eu resolvi entrar na fila de espera pra ler. E posso dizer que li tudo em um dia. A história, apesar de seus clichés ou talvez  justamente por causa de seus clichés, prendeu minha atenção e eu ficava suspirando por conta da fofura que é Étienne e Anna (Amanda Pavani, se você estiver lendo isso, fique longe desse livro porque eu utilizei a tag “casais fofinhos” para defini-lo!!! hahahaha).

Várias cenas no livro me lembraram de situações da minha própria vida (não vou contaaaaaaaaaaaaar) ou da vida de amigas minhas. E isso contribuiu para que eu gostasse do livro, pois deu aquele tom real, não aquela coisa forçada que provavelmente não acontece com ninguém.

Só reclamo mesmo é da edição da Novo Conceito que foi simplesmente porca! As marcas de diálogos estavam super confusas (ficava difícil entender se a pessoa estava falando, pensando ou se era simplesmente a Anna/narradora descrevendo a ação!) e a tradução/revisão também não foi boa. Algumas vezes termos que eram apresentados em inglês depois voltavam em português e vice-versa. Algumas referências simplesmente não fazem sentido pra quem não entende inglês e nenhuma alternativa foi criada para resolver esse impasse. Num livro que tem um trecho falando explicitamente de aspectos téoricos da tradução, eu achei imperdoável.

De qualquer forma, se você gosta de comédia romântica, leia Anna e o Beijo Francês, de Stephanie Perkins, nas suas férias.

Emocionante. Sincero. Simples. Mágico. Não tenho muitas palavras para descrever Looking For Alaska (traduzido no Brasil com o nome estranho e pouco emotivo Quem é você, Alasca?). Só posso dizer que foi uma das experiências de leitura mais incríveis da minha vida e que entrou para o meu top5 livros favoritos de todos os tempos.

Quando minha amiga Amanda voltou de Londres, uma das primeiras coisas coerentes que ela me disse foi “Lê”. E jogou o exemplar de Looking For Alaska em cima de mim. Eu abri a boca pra perguntar alguma coisa e ela me cortou dizendo simplesmente “Lê”. Desde então o livro está à espera no meu armário e todos os dias enquanto eu lia meus duzentos livros teóricos e surtava por conta da prova de seleção da pós, eu pensava no livro dentro do armário e no que ele teria de tão especial assim. Isso porque não era só Amanda que tinha uma coisa com livro, mas também uma outra amiga, a Ily (do blog Por Essas Páginas, clique aqui pra ler a resenha desse livro). E eu confio na opinião delas.

Eu elegi esse sábado para começar a ler o livro. A primeira bateria de prova já tinha terminado e a correção de provas pra escola estava feita. Eu podia me dar ao lixo de ler Looking For Alaska. O livro me agarrou nas primeiras 5 páginas e eu li tudo em doze horas.

As últimas palavras de Rabelais que motivam Miles durante o livro e se tornam uma metáfora e tanto...

O livro, em primeira pessoa, narra a história de Miles (ou Pudge, como passa a ser conhecido), uma cara sem amigos e sem grandes acontecimentos na vida que tem um hobby estranho de ler biografias e decorar as últimas palavras (aquelas mesmo, ditas antes de morrer) de pessoas famosas. Ele resolve ir estudar num colégio interno e é lá que ele faz seus primeiros amigos: Chip (ou Colonel, um cara surtado que tem uma super memória), Takumi (um japonês que não saca nada de tecnologia) e Alaska (uma garota linda, inteligente… e doida).

Mas não se enganem. Apesar de Miles e sua turma se meterem em muita confusão, nada no livro tem cara de Sessão da Tarde. O colégio interno, afinal, é um lugar comum cheio de nerds. hahahaha Porque uma das alegrias de ler esse livro é rir de piadas que provavelmente seus amigos não entendem e pegar as referências literárias que pra você é lugar comum, mas que pra muita gente não é. Eu não conseguia deixar de pensar que o colégio Culver Creek era o colégio interno que eu e Amanda nunca estudamos. Tirando provavelmente a parte do excesso de cigarro. hahahahahaha

Miles se apaixona por Alaska e ela claramente tem uma atração por ele; o problema é que ela ama muito seu namorado. Mas não ache que esse é um livro mi mi mi sobre triângulo amoroso, porque não é! O leitor acompanha Miles e sua vida comum em um novo lugar, seus amigos e seu amor por Alaska até a metade do livro. Quando tudo muda. Mas eu não vou contar porque.

Sobre a Alaska do título...

Looking For Alaska é um livro sobre a procura do eu, do amor, da vida… de tudo. É também um livro sobre adolescência e sobre envelhecer. E também sobre família. Mas também é um livro sobre sexo. E sobre crenças. E rebeldia. E também não é sobre nada disso em especial. Para mim é uma mistura de O Apanhador no Campo de Centeio, Harry Potter (okay, tudo na vida me lembra Harry Potter, então não conta muito…), Brilho Eterno de uma Mente Sem Lembranças, 500 dias com ela, Sociedade dos Poetas Mortos e até mesmo um livro que eu mesma escrevi ano passado.

É importante lembrar que apesar de ser um livro sobre adolescentes, eu não sei se seria um livro para adolescentes. Pelo menos não para a maioria. O livro, inclusive, enfrentou uma grande polêmica nos Estados Unidos por conta das cenas de adolescentes fumando, bebendo e transando explicitamente ao longo das páginas. Sinceramente? Eu não vi nada demais.

O livro não é uma apologia ao álcool ou cigarro e muito menos trata sexo como uma questão banal. Pelo contrário. Eu achei todas as cenas de sexo do livro muito bem escritas e muito bem boladas, inclusive. John Green consegue mostrar e pesar muito bem essa questão sexual e claramente faz uma oposição entre sexo por sexo e sexo por sentimento. Qualquer ser humano com mais de três neurônios consegue perceber que um livro que faz um questionamento sobre os sentimentos mais profundos do ser humano não iria ser uma apologia à vida oba-oba.

Mas infelizmente a grande maioria da população tem três ou menos de três neurônios.

Tem um vídeo do John Green, que é um vlogger super assíduo, sobre o assunto. Clique aqui pra ver. Está em inglês.

Enfim, acho que essa resenha ficou muito emocional, mas é sobre um livro emocional. (Posso dizer que chorei quando Colonel começou a falar que estava memorizando a capital de todos os países do mundo?) Recomendo muito a todas as pessoas e tenho certeza que será uma leitura inesquecível.

Alguns meses atrás li Neon Angel – A Memoir of a Runaway (sem tradução no Brasil) e confesso que demorei algum tempo para decidir qual era minha opinião a respeito do livro. Essa “lerdeza” vem por conta do conteúdo ao mesmo tempo inacreditável mas realista, dramático mas seco, aumentado mas eufemizado, cru mas cheio de detalhes.

O livro é a biografia de Cherie Currie, da famosa e notória banda dos anos 70 The Runaways (se você está lendo esse blog e não viu nada de The Runaways ainda clique na barra aí ao lado que tem links aos montes). Escrita efetivamente por Tony O´Neil (porque não, Cherie não é escritora apesar de ser uma habilidosa escultora em madeira utilizando uma motosserra – não estou brincando) a partir dos relatos da própria Cherie, o livro conta a conturbada (é, é a palavra que mais se aproxima) da eterna Cherry Bomb.

Cherie e Marie na adolescência... Impossível dizer quem é quem

A bio começa com Cherie aos 13 anos e sua relação de admiração/inveja com sua irmã gêmea, Marie. Clássicos da vida adolescente: se acha feia, tem amigos estranhos, uma fascinação obcessiva por um ídolo (no caso David Bowie) e uma família complicada com pais divorciados. Além disso, Cherie gostava de “causar” na escola usando cabelos pintados e mostrando pra todo mundo quem era a mais freak do pedaço. Até aí tudo bem. Só que a coisa começa ficar mais pesada.

Aos 14 anos Cherie é estuprada pelo namorado de sua irmã gêmea. Com vergonha e medo de ser julgada, ela não faz nenhuma denúncia e não conta para ninguém o que aconteceu, com exceção de Marie que a aconselha a ficar mesmo de boca fechada. Visivelmente traumatizada ela mergulha na música, no visual andrógeno de Bowie e como não poderia deixar de ser, nas drogas.

Pílulas, cigarro, bebida, festinhas, shows. Isso tudo com o background familiar cada vez mais deteriorado com direito a pai alcóolatra, rejeição materna (a mãe dela literalmente a abandona em prantos num aeroporto a fim de se mandar pra Indonésia com o namorado) e cunhado irresponsável. A entrada na banda The Runaways sacudiu ainda mais o mundo de Cherie, agora com o excêntrico Kim Fowley a lhe dizer constantemente que ela era feia, incapaz e que não tinha “autoridade rock´n´roll”.

A relação amor/ódio com Kim Fowley: apesar das humilhações constantes, era ele quem prometia o sucesso a Cherie

Os abusos de Kim Fowley com a banda rendem capítulos e mais capítulos inclusive o infame “A aula de educação sexual de Kim Fowley” que inclusive quase rendeu processo por parte do mesmo e um post enfurecido por parte de Jackie Fox (ex-companheira de banda) dizendo que tal coisa nunca aconteceu. Verdade ou não, o capítulo é chocante uma vez que mostra o então gerente da banda abusando sexualmente de uma garota bêbada na frente de Cherie, Sandy West, um amigo delas e Scott Anderson, o outro gerente da banda.

Cherie acusa Fowley ainda de tê-la semi-prostituído para um famoso músico da época. A cena em que Cherie acorda no dia seguinte e vê a si mesma, o cara e o todo quarto coberto de sangue menstrual é tão vívida que é possível sentir a humilhação da garota de então 16 anos.

Brigas internas da banda, depressão, abuso de drogas pesadas, chantagem familiar e abandono permeiam as páginas do livro. E é difícil lembrar que durante todo esse tempo Cherie ainda era adolescente. O relacionamento com o gerente da banda Scott Anderson (um homem de mais de trinta anos) é debatido abertamente, inclusive sua gravidez aos 16 anos após voltar da turnê européia. Cherie conta como se sentiu um pouco melhor e mais esperançosa ao descobrir que teria um bebê, mas é convencida pelo pai a abortar, uma experiência que ela marca como “a pior que alguém poderia ter na vida”.

Não é uma leitura fácil, no sentido de que a história narrada é muito pesada. Depois de sair da banda, afundada no abuso de drogas, Cherie é sequestrada por um serial killer, torturada e violentada durante horas. Ela consegue escapar somente para se ver ridicularizada por um tribunal que atribui a ela a culpa de tudo que aconteceu e ainda condena o agressor a uma pena ínfima. Aos 21 anos, Cherie chega ao grau terminal por conta de seu vício em cocaína.

A reviravolta das últimas páginas, no entanto, é impressionante. Cherie se interna numa clínica de desintoxicação, se livra do vício de cocaína e tenta recuperar sua carreira. Torna-se conselheira para adolescentes viciados e depois preparadora física. Casa-se com o ator Robert Hayes, tem um filho, divorcia-se e continua a melhor amiga do ex-marido. Um dia, dirigindo numa auto-estrada, vê um cara fazendo uma imensa figura de madeira usando uma serra elétrica. Ela resolve se dedicar a essa arte e hoje é uma das grandes campeãs da categoria.

É uma forma de arte bem esportiva, eu diria

Obviamente que o livro apresenta inúmeras contradições. Cherie às vezes fala da família como a melhor coisa de sua vida, somente para depois dizer que eles a prejudicaram e abandonaram. Clama uma amizade com a mãe sendo que o leitor vê que obviamente as duas têm sérios problemas de relacionamento. Diz que as outras Runaways eram como suas irmãs, somente para contar páginas depois que elas não eram nada próximas. Fatos são fantaziados, dramatizados e é claro a mão do escritor que usa e abusa de metáforas clichés para causar um efeito maior.

Eu não utilizaria esse livro para dar uma conta fiel da história de The Runaways (eu acredito mais na versão de Jackie Fox e de Vicki Blue, mostrada mais explicitamente no documentário Edgeplay), até porque Cherie é famosa por ser uma drama queen. Mas o livro funciona como retrato de uma época e conta, com seus exageros e dramas, a história de uma mulher no mínimo incomum que conseguiu superar diversos preconceitos, em várias esferas.

Interessante:

  • Na década de 80, Cherie lançou uma versão de sua bio entitulada “Neon Angel: The Cherie Currie Story” que tinha uma  versão mais “amenizada” dos fatos (ou seja, excluindo o abuso sexual, a violência, o aborto, a semi-prostituição, o sequestro, …).
  • O prefácio da versão atual é de Joan Jett.
  • O livro conta com várias fotos em papel brilhante mostrando Cherie em vários momentos de sua vida.
  • Foi esse livro que deu origem ao filme The Runaways.

ENQUETE!

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