Mundo de Coisas Minhas

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Estava eu andando no shopping quando vi isso aqui:

Dei uma pesquisada na internet e descobri que o dia do homem é hoje, 15 de julho. E descobri também que foi um dia criado há dez anos pelo ex-presidente russo Mikhail Gorbachev. Não tem data específica para o dia do homem, cada país decide a sua, e no Brasil parece que a data escolhida foi 15 de julho.

Eh… então, dia do homem. Que coisa ridícula. Sério mesmo. E digo isso porque o grande propósito de se criar dias para determinadas categorias é porque essas categorias são minorias, que precisam de um dia para serem simbolicamente lembradas, que precisam constantemente lutar pelos seus direitos. Ou você realmente achou que tinha dia da mulher, dia do índio e dia da consciência negra só porque era legal?

Homem não é minoria. Todo dia é dia do homem. Homem não precisa de um dia para lembrar suas lutas contra opressão. Homem não precisa de um dia para se lembrar que é homem. Então a data fica meio fora de propósito. Tipo um dia para lembrar que os homens têm privilégios, que ganham 20% a mais que as mulheres, que não são a principal vítima de violência doméstica e/ou sexual, que não foram oprimidos durante séculos, que não têm sua sexualidade regrada por uma cultura patriarcal, que não sofrem preconceito porque são homens.

Não, não tenho nada contra homem. Só acho que homens e mulheres devem ter os mesmos direitos e acho que isso não acontece em nossa sociedade. Também acho que criar datas como dia do homem, dia do heterossexual e dia do branco é simplesmente fazer piada com os dias da consciência das minorias. É fazer de tudo um carnaval. E bem, nada melhor do que fazer de tudo um carnaval para as pessoas simplesmente fecharem os olhos para questões importantes.

A Campanha da Boticário é ridícula e mais ridícula é a recepção da mesma por algumas pessoas aí na net. Dizer “Se a mulher tem um dia só dela, por que o homem não deve ter?” é jogar por terra toda uma história por trás do dia internacional da mulher, da luta da emancipação feminina. É tipo falar pra um gay que o heterossexual também tem que ter o dia dele porque ele precisa de liberdade pra se expressar. Hello, homens heterossexuais brancos se expressam o tempo todo!

E sim, campanhas publicitárias endossam a visão predominante. E sim, elas me assustam.

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Então, vamos começar do começo. E esse começo vem de uma idéia antiga para um post complicado sobre essa questão básica de “O que significa ser mulher? O que é expressar feminilidade?”. É o tipo de pergunta que não tem uma resposta pronta, direta. É o tipo de coisa que a gente pode divagar, discutir, pensar junto. Acredito que não possa ser respondido. E isso só daria um post – dando continuidade ao post da Sandy – enorme . Enorme mas talvez que as pessoas não fossem achar interessante porque seria longo e meio repetitivo. O que me leva à questão da verdade, que até comecei a questionar no post sobre o Carnaval, mas que também daria uma discussão longa e repetitiva. Me veio então a idéia de outro post sobre The Runaways que também seria longo e cansativo. A solução? Juntar os três temas numa coisa só.

Estudar crítica feminina abriu a minha cabeça, sério. Sempre tive um grande preconceito contra a crítica literária feminista, grande parte devido a interpretações errôneas e aulas fuleiras sobre literatura americana do século XX. Na minha concepção feminismo era uma coisa ultra radical, meio forçada, idealista, beirando o sem noção. No entanto, pesquisando Margaret Atwood fui forçada a ler crícia feminista e meu primeiro contato foi com Sandra Gilbert e Susan Gubar na edição mais recente da Northon Anthology of Literature by Women [Antologia Northon de Literatura Feminina, em tradução livre], uma tora de dois volumes com mais de duas mil páginas! Confesso que comecei a ler a introdução com o pé atrás, mas logo no primeiro capítulo, sobre os primeiros textos escritos por mulheres na Idade Média, meu mundo mudou. Devorei os textos teóricos numa rapidez incrível. Tomei total consciência de toda a luta das mulheres nos últimos séculos e constatei  com comprovações teóricas o que já tinha percebido intuitivamente ao longo dos anos: que ser mulher é uma construção.

Eu recomendo a todos aqueles que tenham qualquer interesse em estudar construção do imaginário (seja ele de raça, gênero, classe social) a leitura dos textos teóricos dessa antologia e/ou o livro A Madwoman in the Attic, das autoras acima mencionadas. É um panorama muito bem pesquisado e muito bem escrito (ou seja, rende uma leitura prazerosa) que mostra de século em século a construção da sociedade em torno do que é considerado, hoje, uma mulher e consequentemente, o que cabe a ela fazer ou não fazer.

A coisa parece bem óbvia, mas o buraco é mais embaixo. Grande parte do que li, já tinha percebido pelas idas e vindas da vida, mas confesso que fiquei muito mais atenta a questões mais sutis. O discurso sobre a mulher tem sido contestado de uma maneira mais, digamos, universal a pouco mais de um século e algumas construções ficam na nossa cabeça sem que a gente perceba. Por exemplo, a famosa frase “Mas uma mulher fazendo isso.!..” ou aquele comentário maldoso “Se fosse homem, até que vai, mas mulher…”. Claro que temos que tomar cuidado para não cair em radicalismos e sair por aí com a bandeira que mulheres são melhores que homens e que os homens que se explodam. A questão não é superação, é igualdade. O que me leva a The Runaways.

The Runaways é meu novo vício. Sou uma pessoa extremamente passional e quando cismo com uma coisa, não largo. Então nas últimas semanas tenho dedicado meu pouco tempo livre a pesquisar a história da primeira banda de rock só de garotas. Pesquisei em tudo quanto é lugar. Wikipedia, blogs obscuros, Youtube, sites de música, blogs de ex-integrantes da banda, e-books, entrevistas, documentários. E o que encontrei? Bem, resistência. É impressionante. Cinco garotas cantando rock incomoda muita gente, mas cinco garotas cantando rock falando de sexo e festa incomoda muito mais.

Incomoda até os marmanjos que falam de sexo e festa.

Cara, eu gostei MUITO da banda. Gostei do som, gostei da interpretação. Achei forte, mexeu comigo. E é isso que procuro em música, em arte em geral, coisas que mexem comigo, que me fazem sentir alguma coisa. Foi uma banda montada? Foi. Mas foi uma banda fake? Hum não. Na minha opinião o que elas fizeram foi genuíno, chega a ser imaturo em algumas partes, mas foi algo delas. Um modo de se expressar num mundo turbulento que simplesmente aceitava que garotas ficassem em portas de show pra transar com os caras da banda, mas não aceitava que as garotas fossem a banda.

The Runaways nunca foi sucesso nos Estados Unidos, apesar de ter sido uma banda considerada na Europa e uma febre no Japão (com direito a album ao vivo gravado por lá, meu favorito por sinal, Live in Japan). Engraçado o comentário de Jackie Fox, ex-baixista, em seu extinto site: The Runaways era revolucionário demais para o público masculino conservador mas era sexy demais para as feministas radicais o que resultou em uma baixa popularidade nos EUA. A banda era taxada de poser, antro de promiscuidade, transmissora de valores degradantes da sociedade. Ué, mas se você pegar uma letra de música do Led Zeppelin, vai encontrar a mesma coisa. Então qual o problema?

O problema é que mulher transgressora é taxada, primeiramente, de louca. Se o lance de louca não funcionar, vem o o rótulo de lésbica. Se o de lésbica não funcionar, bem, aí não se tem escolha e vem o de prostituta promíscua. Aí não tem jeito, a mulher fica marginalizada, excluída e sofre preconceito sem nem mesmo ter sua voz ouvida. Todo mundo tem direito de não gostar de determinada música, o problema é que a crítica às Runaways sempre pegava no lado “volta pra casa, garotas”.

Nesse sentido, ouvir Joan Jett, aos 16 anos, cantando o trecho abaixo é no mínimo revelador:

Wild in the streets, barely alive
Mama’s always telling me stay inside
Don’t you hang around with those young boys
Soon you’ll be lovin’ them
They’re all night toys

Hot love hear, I got the drive
Neighbours been bugging me I gotta hide
I am the bitch with the hot guitar
I am the air, the sun and stars

I wanna be where the boys are
I wanna fight how the boys fight
I wanna love how the boys love
I wanna be where the boys are

Talvez Kim Fowley, produtor da banda, (figurinha bem questionável) não tenha pensado nas implicações do que estava escrevendo, assim, só pra chocar, mas ao colocar Jett para cantar e interpretar a música, as palavras ganham novo valor. A questão não é ficar com os garotos pra ser uma vadia promíscua e sim ter a oportunidade de fazer as mesmas escolhas que os garotos, de poder dizer que sim ou poder dizer que não.

Obviamente idealizar qualquer coisa na vida pode ser algo muito perigoso (e cegante!). O que nos leva de volta à questão da verdade. Muita informação sobre The Runaways é extremamente contraditória e isso fica evidente no filme Edgeplay, um documentário produzido por Victory Trishler-Blue, ex-baixista da banda. No filme, cinco ex-integrantes [Cherrie Currie (vocalista), Lita Ford (guitarrista solo),  Jackie Fox (baixista até 1977), Vicki Blue (baixista de 77 a 79) e Sandy West (bateirista)] contam sua versão do que realmente aconteceu desde a idealização do grupo em 1975 até o turbulento fim em 1980. É impressionante como a versão dos fatos é contada de uma maneira diferente por cada integrante e o fato de Joan Jett ter se recusado a participar do filme e proibir que suas músicas fossem usadas na trilha é, no mínimo, instigante.

Onde está a verdade? Existe uma verdade? The Runaways foi uma banda revolucionária de garotas cheias de atitude ou foi uma idéia louca de um produtor que explorou tudo o que pode de adolescentes frágeis mas talentosas?

A minha conclusão é de que a verdade, e principalmente, a verdade sobre mulheres sempre é uma mistura das duas coisas. Tudo começa com uma idéia e essa idéia é sugada e apropriada até se tornar uma coisa completamente diferente que apenas apóia o “poder do patriarcado” (odeio usar essa expressão, mas é necessário). Mulheres são sempre vistas como extremos, mas talvez o que seja necessário é ver que somos o meio. Que somos revolucionárias, mas que somos frágeis; que vamos à luta, mas que temos medo; que fazemos muito barulho, mas que queremos paz; que somos simplesmente seres humanos.


Let me tell you what we´ve been doing
Neon angels on the road to ruin


Affe...

Para quem não sabe, José Wilker é o comentarista do Oscar na Globo. É sério. O José Wilker, o Antônio Conselheiro de Canudos, o Giovanni de Senhora do Destino. Parece piada, né? Não, piada é o que ele faz durante a transmissão da cerimônia.

Não que ele seja engraçado, ele é delirante. E o delírio já começa com o fato de que a Rede Globo, apesar de cobrar um milhão e meio de reais por cada propaganda exibida no horário de transmissão do Oscar (isso mesmo, aquela propaganda de shampoo foi um milhão e meio!), a dona Globo de televisão não passa tudo na íntegra. A transmissão começou às 23h59 (que horário meigo! rs) por conta de adivinha o quê? Big Brother Brasil 11 que já entrou na história como o pior BBB de todos os tempos dando direito até a fracassos de audiência. Mas a Globo é a Globo e adora dar tiros no pé, então o Oscar começou a ser transmitido lá pelas alturas de prêmios super chatos empolgantes como o Oscar de Melhor Curta Documentário.

Quando entrou no ar ao vivo, José Wilker já começou com bola fora, falando por cima enquanto o Randy Newman cantava We Belong Together, que acabou vencendo o Oscar de Melhor Canção. Como se não bastasse, um minuto depois soltou a pérola sobre a apresentação de Mandy Moore: “Essas músicas ficam melhor com bonecos do que com gente”. Bonecos? Quê? Como? 9384930?

A criatura que comentava ao lado dele (Maria Beltrão, obrigada google) também contribuiu para o fiasco. Puxando um saco absurdo de O Discurso do Rei, tudo pra mulher era Discurso do Rei e Discurso do Rei. Ficou chato. Mas pior foi quando ela disse “Qual seu palpite pra esse prêmio, Wilker? Quer dizer, palpite do Wilker não é palpite, mas…”. Pior: O Wilker ERROU. Vergonha alheeeeeeeia. O papo entre os dois era ridículo. Sinceramente minha conversa com meu pai e minha irmã na sala com as ocasionais ligações do namorado para comentar estavam melhores. Como assim “A Origem é um filme com muitos efeitos especiais feitos por computador”. Ah tá, porque pensei que tivessem sido feitos numa geladeira velha.

Não é de hoje que José Wilker pisa na bola com seus comentários vazios e totalmente sem propósito. “Esse é um filme com muitas explosões” (isso quando A Bússola de Ouro concorreu alguns anos atrás). Poxa, até a minha vó fala isso! Sinceramente, sinto falta de Rubens Ewald Filho, que mesmo sendo um chato, pelo menos sabia do que estava falando e falava com propriedade. O cara sabia o nome de todos os produtores e conseguia dar opiniões fundamentadas sobre os filmes e atores. Já o Wilker… bem, fica dando uma de alternativo reclamando do resultado das premiações. Pedante. E não sabe NADA! Durante a homenagem aos atores/produtores/diretores que morreram, ele não foi capaz de falar um nome. Ah, minto, ele falou da velhinha do Titanic. rs Mas pra coroar os 3 minutos de silêncio total, a criatura ainda sai com essa: “Meu amigo que fez esse vídeo me mandou um e-mail pedindo pra prestar atenção porque estaria especial”. Quê????????????? Ah, o seu “amigo” de Hollywood, né?

Como com o tempo a ladeira só desce, José Wilker presenciou os espectadores com uma teoria impressionante sobre o filme A Origem: “A Origem é um filme datilografado dirigido por um computador”. WTF?????????? E ele disse isso fazendo uma pose de cara inteligente. A mulher ao lado fingiu uma cara impressionada e pra piorar, ele repetiu essa coisa a cerimônia inteira!!!! Sério, que lixo. E o barraco vai caindo daí pra frente. Com comentários dignos de resenha rápida da net do tipo “Cisne Negro é sombrio”, “A Rede Social é moderno”, “127 Horas é uma história de um acidente”, Wilker ainda brindou os espectadores com o audio off enquanto alguma coisa rolava no palco. Ou seja, Anne Hathaway está lá falando, o intérprete também, mas o que você ouve é uma asneira do tip “Estou vendo minha adolescência”.

Sinceramente, é uma vergonha. Muitos blogueiros fariam comentários mais consistentes. Poxa, o cara nem viu os documentários, nem os curtas! E vai comentar o Oscar? Posando de bacana intelectual? Por favor. Olhem só o que o Rubens Ewald Filho falou do assunto:

– Eu nunca asssiti ao Zé no Oscar. Mas eu só tenho que agradecer ao Wilker, porque, sempre que ele apresenta, é quando eu recebo as melhores críticas. O público me põe no céu. Mas acho o Zé é uma pessoa muito inteligente e talentosa. Não sei o que acontece com ele no Oscar.

http://entretenimento.r7.com/famosos-e-tv/noticias/rubens-ewald-filho-ironiza-jose-wilker-no-oscar-20100321.html

E para finalizar, o Top 5 José Wilker:

Quinto lugar: “Estão distribuindo Oscars por aí…” [inclusive, vou lá ver se sobrou alguns… rs]

Quarto lugar: [quando Beltrão diz que o Oscar vale alguma coisa] “Vale pelo menos para escorar a porta…” [mal amado]

Terceiro lugar: “O grande vencedor da noite foi O Discurso do Rei porque os prêmios de A Origem foram, digamos, menos da inteligência” [vamos avisar isso pro pessoal que desenvolve efeitos especiais de imagem, som e fotografia, okay?]

Segundo lugar: “A Rede Social é um filme de perseguição policial sobre a solidão” (????????????)

Primeiro lugar: “A Origem é um filme datilografado dirigido por um computador” (?????????????? ao cubo)

 

É, essa é a cara que nós fizemos

Hoje quando fui eram duas horas da tarde e fazia um calor insuportável. Pra variar, eu ainda me esqueci do título de eleitor – por algum motivo a idéia ELEIÇÃO escapou da minha cabeça hoje de manhã – e tive que voltar em casa pra buscar. No entanto, quando ouvi o barulhinho TILITILIM da urna senti que tinha feito alguma coisa.

Não, não acho que o mundo vai mudar nem que o Brasil vai sair da pobreza assim de uma hora pra outra. Nunca vou me esquecer da minha professora de história da quinta série – Gilcéia, saudade! – que disse o seguinte quando Lula foi eleito: “O que as pessoas não vão entender é que quando elas se decepcionarem – porque vão – a culpa não vai ser do  Lula. Ninguém trás mudança sozinho. As coisas não vão se transformar no dia 1 de janeiro”. Nunca esqueci isso e essa idéia acabou por moldar minhas idéias a respeito de liderença e democracia.

Eu me sinto aliviada. Sério. Me sinto feliz pelo povo brasileiro não ser burro a ponto de colocar o país de novo nas mãos do PSDB. Me sinto feliz por pensar no poder do voto, por saber que nós, blogueiros, professores, estudantes, artistas, temos o mesmo valor que donos de grandes empresas e monopólios. O voto vale um. E vale um pra todo mundo. É algo tão poderoso e ao mesmo tempo tão pouco valorizado. Por que é que não pensamos no que temos nas mãos? Por que é que conseguem nos convencer de que um voto não vale nada? Por que acreditamos neles? E o mais importante: por que deixamos eles fazerem isso com a gente?

Quem são eles?

Pensa um pouquinho. Não vou estragar a surpresa.

Em seu discurso, Dilma falou da força da mulher. Não que eu ache que mulheres são melhores que homens – longe disso, sempre defendo a idéia de que somos todos iguais – mas acho significativo e importante o fato de uma mulher ter chegado à presidência em um país ainda tão arraigado em valores ultrapassados sobre superioridade de sexos. Eu acho incrível o fato de uma Dona Maria pobre do interior de Minas ter votado na Dilma. Sério. É isso que me faz acreditar que estamos melhorando.

Então parabéns, Dilma, por ter se mostrado e vencido a sujeirada.Por mostrar um caminho de honestidade. Porque pelo menos isso.

*respiro de alívio*

Quem é que nunca teve um colega de sala que levantava a mão a cada cinco segundos para dar um maravilhoso exemplo de cinco minutos? Ou já não viu alguém que teve a brilhante idéia de fazer um resumo sobre o que a professora acabou de dizer? Quem nunca conheceu uma criatura que desconhece a falta de bom senso e responde todas as perguntas que o professor faz, inclusive as retóricas?

Esses seres podem ser divididos em três grandes grupos:

Mamãe-diz-que-sou-foda: Esse tipinho não tem o que fazer em casa, então sempre lê os textos, até os suplementares, e fica posando de caxias durante a aula fazendo perguntas difíceis para o professor só para mostrar que é inteligente. Se você tem uma criatura dessas na sua sala, então provavelmente a sua aula é um diálogo eterno entre o professor e esse infeliz. É importante lembrar que esse diálogo não tem necessariamente que fazer conexão com a matéria.

Joãzinho: O Joãozinho quer entender tudo, e por tudo, tudo mesmo. Ele quer os mínimos detalhes. Ele quer escanear tudo. Ele faz até perguntas de vocabulário! Se o professor citou alguma coisa que ele nunca ouviu falar, ai ai ai, cuidado porque Joãozinho vai levantar a mão e perguntar e o professor vai ficar horas e horas explicando. Joãozinho também tem uma tendência a contar histórias pessoais e fazer associações com personagens de novela e primos de segundo grau.

Joselito: Como sempre, presente em todas as categorias. Joselito é aquele cara que está numa aula de Literatura Inglesa do Século XX e começa a falar do ecologismo facista de Avatar. (????) É alguém tão gênio que consegue associar Beatles com Edgar Allan Poe! Joselito também já leu o resumo de vários livros do Nietzche (how do you spell it, for God´s sake!), resenhas de filmes iranianos e comentários dos livros do Paulo Coelho.

O aniversário mesmo foi na semana passada, mas é sempre bom refletir sobre as coisas depois de um tempo, pois aí a emoção não é assim tão arrebatadora. o que é só uma desculpa para quem não teve tempo de postar no dia do aniversário .

No dia em que completei 21 invernos (que coisa mais poética! baff) fiz uma coisa que planejo desde os 13 anos que é ouvir a música Twenty-one do The Cranberries! Eu eu fiz! *dancinha feliz* É claro que é uma coisa totalmente sem noção mas bah, quem se importa? Era o meu aniversário!

Outras coisas legais: tive uma aula sobre William Wordsworth na aula de Poesia do Século 19 (uhu! Wordsworth! *olhinhos brilhando*) e uma discussão sobre Romeu e Julieta na aula de Drama em Inglês. Almocei com o namorado, o que normalmente é difícil, e ainda comi pizza à noite com a família!

Apesar de 21 ser um número impressionantemente legal (oras, é 7 X 3, quer coisa mais legal?), ter 21 anos pode ser impressionantemente assustador. Afinal, descobri que tenho um cabelo branco (e bem na franja), dor nas costas quando levanto rápido, minha miopia só aumenta… É uma sensação estranha de que se está ficando velho mas que se ainda é jovem, ao mesmo temo. Não sei explicar direito.

E sabe o que é bizarro? Cada presente que eu ganhei refletiu totalmente as situações novas pelas quais estou passando. Freak.

Perfume Citrus da Boticário. Suuuuuuuuuuuuuper cheiroso! E é do tipo de perfume que eu adoro: cítrico e refrescante. Milagre, porque normalmente eu não curto os perfumes da Boticário.

Carteira. Finalmente uma carteira decente. Ninguém mecere sair por aí com uma carteira de zíper manchada e rasgada. E além do mais, combina com o novo emprego.

Duma Key, Stephen King. Livrooooooooooooooooo! Infelizmente só vou poder ler daqui a 9385935839 anos, mas só de saber que ele está dentro do meu armário me faz uma pessoa mais feliz. Pelo que li da orelha do livro, a questão principal é a memória. huuuuuuuuuum

DVD Trilogia Completa O Senhor dos Anéis – aaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaah! *morre**capota**bate na parede* Eu SEMPRE sonhei com esse box de DVD! Sempre! *olhos brilhando* Tá vendo? Quem acredita sempre alcança. *pessoa que ficou 6 anos esperando esse presente…*

Acho que estou anormalmente animada nesse post. Talvez o efeito do tempo ainda não tenha funcionado… Será que vou fazer 31 nessa falta de noção histérica?

No começo do ano, minha amiga Amanda e eu trocamos livros. Sabe como é: temos um gosto literário bem parecido e de vez em quando fazemos um escambo. Nessa útima leva, Amanda levou o primeiro volume de A Torre Negra, O Guia do Mochileiro das Galáxias e o último volume de Fronteiras do Universo, A Luneta Âmbar e eu fiquei com Artemis Fowl – A Vingança de Opala, O Dia do Curinga e um livro fininho chamado Contos do Esconderijo. Li primeiro Artemis Fowl (que preciso devolver ainda rs), depois O Dia do Curinga. Começa o drama da faculdade e o tempo de leitura cai consideravelmente. Em quatro meses minha vida de leitura se reduzia a e-mails e contos e romances canadenses pra faculdade. Entrei de férias e decidi terminar de ler minha pilha de “livros emprestados” o que me levou à pilha da Amanda, cujo único volume restante era Contos do Esconderijo.

Esse livro é uma coletânia de fábulas, contos, histórias e ensaios escritos por Anne Frank (ela mesma, fugitiva na segunda guerra mundial). Conheço Anne Frank, óbvio, e eu sabia que a Amanda é simplesmente apaixonada pela história dela, mas eu nunca realmente tinha parado pra pensar sobre ela, sabe. Nunca tinha chamado meu interesse. Meus pais leram o diário, mas eu não sei porque nunca li. Ficava sempre pra uma próxima uma próxima uma próxima… Completamente despreocupada comecei a ler Contos do Esconderijo e fiquei completamente sem palavras à medida que ia lendo…

Eu sei que a Teoria da Literatura vai rejeitar tudo que vou dizer agora, mas PROBLEMAS, eu preciso dizer: como é que alguém que viveu anos dentro de um porão consegue falar sobre felicidade de uma forma tão… viva?????????? Eu fiquei com vergonha, essa é a verdade, com vergonha mesmo de reclamar da minha vida e fazer draminha mi mi mi mi. É simplesmente assombroso. Anne Frank escreveu sobre fadas e elfos, sobre meninas solitárias, sobre a guerra, mas em todas as histórias, absolutamente em todas, estavam temas como caridade, amor pela natureza, amor ao próximo. As discussões que ela traz sobre a existência de Deus e sobre a natureza dos homens são extremamente complexas para uma menina da idade dela (ela seria uma escritora genial se tivesse sobrevivido ao campo de concentração) e no fim há sempre uma visão positiva, uma luz no fim do túnel.

Quando terminei de ler um livro fiquei sem palavras; não conseguia nem pensar direito! Como se pode ter vislumbres de felicidade e amor numa situação como aquela? Eu me sinto pequena por não poder ser capaz de enxergar o amor no mundo em situações difíceis na minha vida como perder um ônibus ou chegar cansada do trabalho. Shame on me. Como é que a gente vive procurando ser feliz e não dá a mínima pra felicidade que está ao redor de nós?

Talvez o grande lance da vida seja ser capaz de, num momento de extrema tristeza, oferecer felicidade a alguém. Mesmo que você esteja preso num porão.


ENQUETE!

Sem falar muito

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