Mundo de Coisas Minhas

Archive for outubro 2011

Outro dia estava lendo um post do blog A Melhor das Intenções quando me deparei com o seguinte comentário que me deixou bem, digamos, surpresa. Segue o comecinho do post:

Na sua opinião, o que é machismo?

Reparem que estou perguntando a respeito de sua opinião e não a definição que a sociedade adota para a palavra. Não me considero uma feminista.

Só concordo com elas até o ponto em que determinam que a mulher é dona do próprio corpo e pode fazer dele o que bem entender, inclusive se abster de sexo. Porém discordo da posição exageradamente rígida quanto à mulher como objeto de desejo sexual. Por que em termos de sexo, acredito que grande parte do nosso prazer está em saber o quanto somos desejadas.

WTF????????? Como assim???? Não é feminista? Objeto de desejo sexual?

Dando uma contextualizada a respeito do blog e de sua proposta antes de eu realmente chegar no ponto que eu quero chegar: o blog A Melhor das Intenções foi criado por três twitteiras e tem por objetivo comentar suas diversas experiências amorosas (principalmente as que deram errado) com bom humor e tranquilidade. As três autoras (e também os colunistas “convidados”) falam abertamente sobre sexo e as meninas assumem sem problema nenhum sua liberdade sexual, os parceiros que tiveram, as experiências sexuais vividas. Confesso que não sou uma leitora assídua do blog, então não posso falar de todos os posts, mas de vez em quando dou uma lida e posso dizer que a posição desse post me pegou totalmente desprevenida. E por dois motivos.

Motivo #1: O medo da palavra com “f”

Verdade seja dita: falar feminismo muitas vezes é pior do que falar palavrão. Tem mulher que foge da palavra que nem diabo foge da cruz. Liberal sim. Feminista? Eu? Que isso, tá doido? Eu não tenho nada a ver com isso! Pelamordedeus!!! Inclusive na Marcha das Vadias (não sabe o que é, veja essa carta manifesto aqui rs) muitas das manifestantes que estavam ali para dizer não-é-porque-estou-com-roupa-curta-que-sou-vadia-e-sou-culpada-de-ser-estuprada foram bem rápidas em dizer que não eram feministas e que aquela causa não era feminista.

A sociedade conservadora conseguiu muito bem criar o esteriótipo da feminista machona, mal-amada e sem senso de humor que não é interessante e muito menos sexy. Pior que ser feminista, só ser uma feminista gorda e pobre. Mas a verdade é que feminismo não tem nada a ver com isso e sim com igualdade entre os sexos. E antes que você venha me dizer que os diferentes gêneros têm direitos iguais e que essa balela de feminismo não faz sentido, eu recomendo que você leia esse post que eu fiz sobre alguns dos mitos do feminismo.

Ser feminista não é ruim, na verdade, é querer igualdade, mas é impressionante como a blogueira do A Melhor das Intenções foi rápida em dizer que não era. Como se fosse uma praga.

Tem um artigo muito legal que pode ser lido aqui que expressa porquê algumas mulheres mostram essa insegurança em se assumirem publicamente como feministas.

Motivo #2: ser um objeto de desejo sexual não é nada sexy

Vamos começar do começo. Existe a posição de sujeito e existe a posição de objeto. Se você está com/conhece um cara que te acha super sexy, e vocês fazem sexo, e curtem, e é tudo de bom e você participou e curtiu demais da conta, você está na posição de sujeito. Se você está com um cara que não leva em consideração sua opinião, que está simplesmente interessado no seu corpo e em nada das suas vontades e preferências sexuais e que só leva em conta a vontade dele, você é um objeto.

Tratar uma mulher como um objeto sexual significa que ela é simplesmente um corpo que existe para ser utilizada por um homem e pela vontade dele. Significa que na verdade não faz diferença se aquilo ali é  fulana, ou ciclana, ou uma boneca de plástico. Quando a mulher é um objeto, ela é um objeto e como tal não tem vontade, desejo, opinião, inteligência, lugar na sociedade. Então ser um objeto sexual não é nada sexy. Não tem nada a ver com se sentir desejada. Tem a ver com ser usada e desrespeitada.

A autora do post ainda continua:

Então, quando vejo coisas como Lingerie Day, ou ensaios sensuais bombando na internet, não acho errado, muito menos acho que as gurias em questão são vadias, porque sei como todos aqueles comentários e homens babando fazem bem pro ego.

Nenhuma feminista que eu conheço julgaria alguém que faz Lingerie Day ou ensaio sensual na internet de vadia. Porque isso seria ir contra um dos princípios do próprio feminismo que é o de que as mulheres não devem ser julgadas por sua aparência e que chamar uma mulher de vadia somente por causa da roupa que usa ou do comportamento sexual que exibe é machismo. O que as feministas dizem é que essas mulheres de ensaios sensuais foram objetificadas para atender um fetiche masculino. E foram, não foram? Quer dizer, quem é que criou essa coisa de coelhinha e talz? Quem é que criou a indústria pornográfica e afins? Quais são os maiores beneficiados disso tudo? Bem, não são as mulheres.

A cultura da objetificação e erotização de tudo é danosa à nossa sociedade, e não só às mulheres. Queremos uma expressão da sexualidade livre e não uma lavagem cerebral de que sexo é uma forma de expressar o seu poder sobre o outro, de subjufação. Sexo tem que ser saudável e para ambas as partes! E sim, a mídia é altamente sexista e há várias propaganda que colocam a mulher como objeto como essa aqui, que pode ser muita coisa mas não é sexy.

Quanto ao quesito comentários e homens babando fazem bem pro ego, eu não sei, mas eu acho ofensivo uma vez que todo esse alvoroço vem de tratar a mulher daquela foto como um objeto e nada mais. A mulher ali não é uma pessoa a ser admirada e desejada e sim um recipiente, sim um recipiente. É tosco mas é verdade.

Óbvio que todo mundo quer ser sexy. Todo mundo quer ter uma vida sexual feliz. Homens e mulheres. Mas essa vida sexual feliz depende de respeito e igualdade. Claro que queremos nos sentir bonit@s e desejad@s, mas que isso seja feito numa posição de sujeito e não de objeto. Que a mulher possa escolher, dizer sim e dizer não.

E que o homem também. Porque o texto dessa blogueira faz um questionamento pertinentente que é o de que homens podem ser vítimas de machismo. O machismo é uma grande chaga da sociedade e prejudica todo mundo, homens inclusos. Afinal, todas essas máximas de “homem não chora”, “homem sempre quer sexo”, “homem tem que pegar” criam problemas para muitos homens sim. Realmente, nisso concordo com a autora, ter a sexualidade questionada só porque não quis fazer sexo com alguém é ridículo.

Só gostaria de esclarecer que meu objetivo com esse post não é o de detonar a blogueira, nem de jogar pedra em ninguém. Acho o trabalho das meninas do A Melhor das Intenções, que falam sobre sexo de uma forma desencanada e extrovertida, válido, pois tenta quebrar alguns preconceitos da sexualidade feminina. Só usei o texto dela (que está na internet e eu citei a fonte para não ter problemas e avisei a autora sobre esse meu texto) para mostrar como a mídia conseguiu deturpar alguns conceitos importantes como feminismo e objetificação sexual a ponto de que pessoas bem informadas e críticas acabem por utilizar/acreditar em idéias erradas e deturpadas.

"Você já ouviu falar de objectofilia? É quando você se sente atraído por objetos." "Ah, eu tenho isso." "Mesmo?" "Sim, eu me sinto atraído por mulheres"

Objetificação não é sexy. É falta de respeito.

Para quem se interessa sobre esse debate, tem um link muito bom aqui.

Emocionante. Sincero. Simples. Mágico. Não tenho muitas palavras para descrever Looking For Alaska (traduzido no Brasil com o nome estranho e pouco emotivo Quem é você, Alasca?). Só posso dizer que foi uma das experiências de leitura mais incríveis da minha vida e que entrou para o meu top5 livros favoritos de todos os tempos.

Quando minha amiga Amanda voltou de Londres, uma das primeiras coisas coerentes que ela me disse foi “Lê”. E jogou o exemplar de Looking For Alaska em cima de mim. Eu abri a boca pra perguntar alguma coisa e ela me cortou dizendo simplesmente “Lê”. Desde então o livro está à espera no meu armário e todos os dias enquanto eu lia meus duzentos livros teóricos e surtava por conta da prova de seleção da pós, eu pensava no livro dentro do armário e no que ele teria de tão especial assim. Isso porque não era só Amanda que tinha uma coisa com livro, mas também uma outra amiga, a Ily (do blog Por Essas Páginas, clique aqui pra ler a resenha desse livro). E eu confio na opinião delas.

Eu elegi esse sábado para começar a ler o livro. A primeira bateria de prova já tinha terminado e a correção de provas pra escola estava feita. Eu podia me dar ao lixo de ler Looking For Alaska. O livro me agarrou nas primeiras 5 páginas e eu li tudo em doze horas.

As últimas palavras de Rabelais que motivam Miles durante o livro e se tornam uma metáfora e tanto...

O livro, em primeira pessoa, narra a história de Miles (ou Pudge, como passa a ser conhecido), uma cara sem amigos e sem grandes acontecimentos na vida que tem um hobby estranho de ler biografias e decorar as últimas palavras (aquelas mesmo, ditas antes de morrer) de pessoas famosas. Ele resolve ir estudar num colégio interno e é lá que ele faz seus primeiros amigos: Chip (ou Colonel, um cara surtado que tem uma super memória), Takumi (um japonês que não saca nada de tecnologia) e Alaska (uma garota linda, inteligente… e doida).

Mas não se enganem. Apesar de Miles e sua turma se meterem em muita confusão, nada no livro tem cara de Sessão da Tarde. O colégio interno, afinal, é um lugar comum cheio de nerds. hahahaha Porque uma das alegrias de ler esse livro é rir de piadas que provavelmente seus amigos não entendem e pegar as referências literárias que pra você é lugar comum, mas que pra muita gente não é. Eu não conseguia deixar de pensar que o colégio Culver Creek era o colégio interno que eu e Amanda nunca estudamos. Tirando provavelmente a parte do excesso de cigarro. hahahahahaha

Miles se apaixona por Alaska e ela claramente tem uma atração por ele; o problema é que ela ama muito seu namorado. Mas não ache que esse é um livro mi mi mi sobre triângulo amoroso, porque não é! O leitor acompanha Miles e sua vida comum em um novo lugar, seus amigos e seu amor por Alaska até a metade do livro. Quando tudo muda. Mas eu não vou contar porque.

Sobre a Alaska do título...

Looking For Alaska é um livro sobre a procura do eu, do amor, da vida… de tudo. É também um livro sobre adolescência e sobre envelhecer. E também sobre família. Mas também é um livro sobre sexo. E sobre crenças. E rebeldia. E também não é sobre nada disso em especial. Para mim é uma mistura de O Apanhador no Campo de Centeio, Harry Potter (okay, tudo na vida me lembra Harry Potter, então não conta muito…), Brilho Eterno de uma Mente Sem Lembranças, 500 dias com ela, Sociedade dos Poetas Mortos e até mesmo um livro que eu mesma escrevi ano passado.

É importante lembrar que apesar de ser um livro sobre adolescentes, eu não sei se seria um livro para adolescentes. Pelo menos não para a maioria. O livro, inclusive, enfrentou uma grande polêmica nos Estados Unidos por conta das cenas de adolescentes fumando, bebendo e transando explicitamente ao longo das páginas. Sinceramente? Eu não vi nada demais.

O livro não é uma apologia ao álcool ou cigarro e muito menos trata sexo como uma questão banal. Pelo contrário. Eu achei todas as cenas de sexo do livro muito bem escritas e muito bem boladas, inclusive. John Green consegue mostrar e pesar muito bem essa questão sexual e claramente faz uma oposição entre sexo por sexo e sexo por sentimento. Qualquer ser humano com mais de três neurônios consegue perceber que um livro que faz um questionamento sobre os sentimentos mais profundos do ser humano não iria ser uma apologia à vida oba-oba.

Mas infelizmente a grande maioria da população tem três ou menos de três neurônios.

Tem um vídeo do John Green, que é um vlogger super assíduo, sobre o assunto. Clique aqui pra ver. Está em inglês.

Enfim, acho que essa resenha ficou muito emocional, mas é sobre um livro emocional. (Posso dizer que chorei quando Colonel começou a falar que estava memorizando a capital de todos os países do mundo?) Recomendo muito a todas as pessoas e tenho certeza que será uma leitura inesquecível.

O mundo do rock está em apocalipse. É sério. Os anjos irão descer dos céus com suas espadas flamejantes. Um meteoro está vindo de encontro com a terra. O aquecimento global vai aumentar. Como você preferir.

Depois de Joan Jett cantando com Miley Cyrus no programa da Oprah e Brian May considerando Lady Gaga para ser a vocalista do Queen em sua nova turnê eu pensei que dificilmente veria algo que me arrepiaria os cabelos. Quer dizer, sempre tem alguma coisa pra me deixar assustada, mas juro que não pensei que veria uma coisa tão tosca quanto isso aqui.

Fergie e Heart. Okay. Na hora que vi o título vagando no Youtube não pensei que seria tão horrível. Mas foi. Por que?

Fergie é a vocalista feminina do Black Eyed Peas uma banda de… rap? pop? Enfim. Ela tem 36 anos, mas parece e age como se tivesse 20. Em meio a um bando de músicas super pop e chapadas que canta, de vez em quando ela mostra um pouco de seu talento vocal. Como em Big Girls Don´t Cry, por exemplo.

Não acho que Fergie cante mal, só acho que ela representa várias coisas que eu não concordo. Ela se coloca na posição de mulher-objeto e a própria confessa isso e inclusive já fez músicas sobre o assunto. De uns tempos pra cá (pelo que chequei no Youtube, desde 2008) ela tem apresentado esse cover de “Barracuda”, do Heart, em seus shows, sempre vestindo peças de couro preto e se esfregando no palco. O que sinceramente, não tem nada a ver com a música.

Já o Heart é famoso pelas irmãs Ann (vocal) e Nancy Wilson (guitarra/violão/vocal) que na década de 70 mesclavam folk, metal e hard rock e tiveram em “Barracuda”  um de seus grandes hit.

A banda teve inúmeros integrantes, mas Ann e Nancy permaneceram como uma constante, sempre tocando juntas, apesar da ocasional carreira solo de Ann.

 O Heart está aí na ativa entre indas e vindas desde 1975 e tem no currículo nada menos que 20 hits no top-40 da parada da Billboard!!!! E em 2010 conseguiu voltar para o top-10 com o album Red Velvet Car no topo das paradas!

Primeiro vou dizer que não tenho nada contra covers e acho que cantores pop podem sim fazer bons covers de rock. Meu problema com o cover da Fergie de “Barracuda” é a atitude imbecil dela nesse vídeo. Sim, imbecil. Ela entra no palco no segundo verso se sentindo a rainha do pedaço e sequer chega perto de Ann e Nancy Wilson que ficaram praticamente escondidas no cantinho do palco. Achei uma falta de respeito. Se você está fazendo o cover COM o artista original, o mínimo que você tem que fazer é chegar lá perto e talz e/ou criar uma atmosfera amigável.

Fergie se sente a gostosa o vídeo inteiro: rola no chão, faz careta, se esfrega, mostra seu corpinho maravilhoso pra todo mundo ver com direito até mesmo aos saltos mortais patéticos no final. Tudo para mostrar que ela está em boa forma e a mensagem que ficou foi a de “eu sou uma diva e essas mulheres são velhas e gordas”.

Somente no final da música é que Fergie chega perto das irmãs Wilson num pseudo abraço. E é quando elas cantam juntas que é percepítival a total ausência de personalidade do vocal da Fergie: ela tá cantando igualzinho a Ann Wilson! Com a mesma intonação, só que sem a interpretação revoltada que dá lugar à interpretação to-me-sentindo-toda-toda-e-gostosona.

Ué, mas cantar igual não é o ápice do cover? Bem, é sim, se você é uma banda cover oficial. Mas Fergie não é de nenhuma banda cover, ela é uma cantora profissional e devia sim imprimir sua marca vocal, não ficar treinando junto com o cd a fim de aprender a cantar como se fosse outra pessoa.

Isso fora o erro crasso de interpretar “Barracuda” como uma música sobre ser sexy e gostosa. “Barracuda” é o tipo de música fuck YOU e não fuck ME como sabiamente (que raridade!) disse um comentarista do vídeo noYoutube. É parte da atitude década de 70. Ai ai ai, Fergie. Que feio. Uma coisa é ter sex appeal, outra é virar um objeto sexual pura e simplesmente.

Nessa vídeo Fergie mostrou que tem potência vocal pra aguentar cantar e fazer acrobacias ao mesmo tempo, mas mostrou uma atitude péssima de coleguismo. Porque seu estrelismo de chegar no palco e cantar sozinha deixou Ann Wilson paradona, sem o que fazer. Poxa, tinha que fazer toda aquela exibição? Não bastava homenagear uma música que você gosta junto com uma banda que te inspirou? O objetivo de cantar JUNTO com alguém não é justamente cantar JUNTO?

E não, não estou sendo invejosa. Nem vou responder que vier com esse argumento. Também não sou uma fã fanática do Heart nem estou questionando o talento da Fergie, só estou criticando a atitude pouco amigável dela. Sinceramente? Agora até prefiro a Miley Cyrus… rs

“Barracuda” em sua versão original:


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