Mundo de Coisas Minhas

Archive for fevereiro 2011

Affe...

Para quem não sabe, José Wilker é o comentarista do Oscar na Globo. É sério. O José Wilker, o Antônio Conselheiro de Canudos, o Giovanni de Senhora do Destino. Parece piada, né? Não, piada é o que ele faz durante a transmissão da cerimônia.

Não que ele seja engraçado, ele é delirante. E o delírio já começa com o fato de que a Rede Globo, apesar de cobrar um milhão e meio de reais por cada propaganda exibida no horário de transmissão do Oscar (isso mesmo, aquela propaganda de shampoo foi um milhão e meio!), a dona Globo de televisão não passa tudo na íntegra. A transmissão começou às 23h59 (que horário meigo! rs) por conta de adivinha o quê? Big Brother Brasil 11 que já entrou na história como o pior BBB de todos os tempos dando direito até a fracassos de audiência. Mas a Globo é a Globo e adora dar tiros no pé, então o Oscar começou a ser transmitido lá pelas alturas de prêmios super chatos empolgantes como o Oscar de Melhor Curta Documentário.

Quando entrou no ar ao vivo, José Wilker já começou com bola fora, falando por cima enquanto o Randy Newman cantava We Belong Together, que acabou vencendo o Oscar de Melhor Canção. Como se não bastasse, um minuto depois soltou a pérola sobre a apresentação de Mandy Moore: “Essas músicas ficam melhor com bonecos do que com gente”. Bonecos? Quê? Como? 9384930?

A criatura que comentava ao lado dele (Maria Beltrão, obrigada google) também contribuiu para o fiasco. Puxando um saco absurdo de O Discurso do Rei, tudo pra mulher era Discurso do Rei e Discurso do Rei. Ficou chato. Mas pior foi quando ela disse “Qual seu palpite pra esse prêmio, Wilker? Quer dizer, palpite do Wilker não é palpite, mas…”. Pior: O Wilker ERROU. Vergonha alheeeeeeeia. O papo entre os dois era ridículo. Sinceramente minha conversa com meu pai e minha irmã na sala com as ocasionais ligações do namorado para comentar estavam melhores. Como assim “A Origem é um filme com muitos efeitos especiais feitos por computador”. Ah tá, porque pensei que tivessem sido feitos numa geladeira velha.

Não é de hoje que José Wilker pisa na bola com seus comentários vazios e totalmente sem propósito. “Esse é um filme com muitas explosões” (isso quando A Bússola de Ouro concorreu alguns anos atrás). Poxa, até a minha vó fala isso! Sinceramente, sinto falta de Rubens Ewald Filho, que mesmo sendo um chato, pelo menos sabia do que estava falando e falava com propriedade. O cara sabia o nome de todos os produtores e conseguia dar opiniões fundamentadas sobre os filmes e atores. Já o Wilker… bem, fica dando uma de alternativo reclamando do resultado das premiações. Pedante. E não sabe NADA! Durante a homenagem aos atores/produtores/diretores que morreram, ele não foi capaz de falar um nome. Ah, minto, ele falou da velhinha do Titanic. rs Mas pra coroar os 3 minutos de silêncio total, a criatura ainda sai com essa: “Meu amigo que fez esse vídeo me mandou um e-mail pedindo pra prestar atenção porque estaria especial”. Quê????????????? Ah, o seu “amigo” de Hollywood, né?

Como com o tempo a ladeira só desce, José Wilker presenciou os espectadores com uma teoria impressionante sobre o filme A Origem: “A Origem é um filme datilografado dirigido por um computador”. WTF?????????? E ele disse isso fazendo uma pose de cara inteligente. A mulher ao lado fingiu uma cara impressionada e pra piorar, ele repetiu essa coisa a cerimônia inteira!!!! Sério, que lixo. E o barraco vai caindo daí pra frente. Com comentários dignos de resenha rápida da net do tipo “Cisne Negro é sombrio”, “A Rede Social é moderno”, “127 Horas é uma história de um acidente”, Wilker ainda brindou os espectadores com o audio off enquanto alguma coisa rolava no palco. Ou seja, Anne Hathaway está lá falando, o intérprete também, mas o que você ouve é uma asneira do tip “Estou vendo minha adolescência”.

Sinceramente, é uma vergonha. Muitos blogueiros fariam comentários mais consistentes. Poxa, o cara nem viu os documentários, nem os curtas! E vai comentar o Oscar? Posando de bacana intelectual? Por favor. Olhem só o que o Rubens Ewald Filho falou do assunto:

– Eu nunca asssiti ao Zé no Oscar. Mas eu só tenho que agradecer ao Wilker, porque, sempre que ele apresenta, é quando eu recebo as melhores críticas. O público me põe no céu. Mas acho o Zé é uma pessoa muito inteligente e talentosa. Não sei o que acontece com ele no Oscar.

http://entretenimento.r7.com/famosos-e-tv/noticias/rubens-ewald-filho-ironiza-jose-wilker-no-oscar-20100321.html

E para finalizar, o Top 5 José Wilker:

Quinto lugar: “Estão distribuindo Oscars por aí…” [inclusive, vou lá ver se sobrou alguns… rs]

Quarto lugar: [quando Beltrão diz que o Oscar vale alguma coisa] “Vale pelo menos para escorar a porta…” [mal amado]

Terceiro lugar: “O grande vencedor da noite foi O Discurso do Rei porque os prêmios de A Origem foram, digamos, menos da inteligência” [vamos avisar isso pro pessoal que desenvolve efeitos especiais de imagem, som e fotografia, okay?]

Segundo lugar: “A Rede Social é um filme de perseguição policial sobre a solidão” (????????????)

Primeiro lugar: “A Origem é um filme datilografado dirigido por um computador” (?????????????? ao cubo)

 

É, essa é a cara que nós fizemos

É hora de fazer as apostas da noite! [Em vermelho os comentários sobre os resultados da noite de ontem atualizados]

Esse ano estou mais empolgada para acompanhar a premiação pelo fato de ter visto grande parte dos filmes que estão concorrendo às principais categorias. Um jeito bacana de conhecer os indicados é pelo Infográfico do IG. Só clicar para ter um panorama geral. Se quiser resenhas dos filmes, é só clicar aqui. [É, como sempre, a gente fica meio decepcionado, mas vá lá]

Então vamos lá:

Melhor filme
“Cisne Negro”
“Bravura Indômita”
“A Rede Social”
“Toy Story 3”
“A Origem”
“O Discurso do Rei” [VENCEU]
“O Vencedor”
“127 Horas”
“Minhas Mães e Meu Pai”
“Inverno da Alma”

O melhor filme dessa lista na minha opinião é Cisne Negro. No entanto, pensando racionalmente, O Discurso do Rei é o filme com mais chances de ganhar. Se bem que se fosse pra seguir o coração, eu daria para 127 Horas ou para Toy Story 3 (imagina uma animação ganhando o Oscar?).

Como já era esperado, O Discurso do Rei saiu como o grande premiado da noite. É um filme muito bom, com atuações excelentes e tem mesmo a cara do Oscar: realeza, pessoas de temperamento difícil, situações políticas pseudo-gloriosas e uma grande amizade inesperada.

Melhor direção
Darren Aronofsky, “Cisne Negro”
David Fincher, “A Rede Social”
David O. Russell, “O Vencedor”
Tom Hooper, “O Discurso do Rei”
Joel Coen e Ethan Coen. “Bravura Indômita”

Darren Aronofsky merece porque Cisne Negro é simplesmente brilhante! Uma concepção genial de filmagem. Mas como Oscar é Oscar, é capaz de Tom Hooper ganhar com seu filme mais tradicional ou até o hypado David Fincher.

Oscar é Oscar. E foi Tom Hooper mesmo. Como eu disse antes, é um filme muito bom, mas não tem um trabalho de direção assim tão brilhante. Mas valeu.

Melhor ator
Javier Bardem, “Biutiful”
Jeff Bridges, “Bravura Indômita”
Colin Firth, “O Discurso do Rei” (VENCEU)
James Franco, “127 Horas”
Jesse Eisenberg, “A Rede Social”

Seguindo o coração, eu daria para James Franco por conta da atuação espetacular em 127 Horas. Mas quem leva provavelmente é Colin Firth que interpretou o rei George VI com uma gagueira incrivelmente verossímel.

Tadinho do James Franco… Inclusive achei a apresentação dele no Oscar bem mortinha. Anne Hathaway roubou a cena. Acho bem merecido o Oscar do Firth, que inclusive tinha perdido o Oscar do ano passado para o Jeff Brigdes. Pois é, e agora ele se vingou deixando o Jeff na cadeira. aha!

Melhor atriz
Annette Bening, “Minhas Mães e Meu Pai”
Natalie Portman, “Cisne Negro” (VENCEU)
Nicole Kidman, “Reencontrando a Felicidade”
Jennifer Lawrence, “Inverno da Alma”
Michelle Wiliams, “Namorados Para Sempre”

Natalie Portamn sem sombra de dúvida! A atuação dela é de arrepiar, de uma qualidade impressionante. Fazia tempo que eu não via uma coisa tão intensa no cinema. Se não for pra ela, vai ser uma injustiça!

Essa era a minha certeza e se ela não ganhasse, putz, ia ser o fim. Realmente, uma atuação brilhante. E que lindo discurso ela fez. Raro de se ver. Fora que ela estava linda grávida. *momento totalmente girly on*

Melhor ator coadjuvante
Geoffrey Rush, “O Discurso do Rei”
Christian Bale, “O Vencedor”
Jeremy Renner, “Atração Perigosa”
John Hawkes, “Inverno da Alma”
Mark Ruffalo, “Minhas Mães e Meu Pai”

O favorito é Christian Bale, mas não vi o fime então não posso falar. Acho a indicação do Mark Ruffalo um exagero: nem foi tão incrível assim nada. Minha aposta é no Geoffrey Rush que foi brilhante.

Pois é, não vi o filme. Mas dizem que o Bale tá muito bem. Sei lá, eu tenho uma birra com o cara que dizem ser um grosso com todo mundo: diretor, atores, produtores, empregados, presidentes, rs.

Melhor atriz coadjuvante
Melissa Leo, “O Vencedor”
Amy Adams, “O Vencedor”
Helena Bonham Carter, “O Discurso do Rei”
Hailee Steinfeld, “Bravura Indômita”
Jacki Weaver, “Animal Kingdom”

Não assisti ao filme, mas ponho fé na Hailee Steinfeld que só pelo trailer mostrou ser uma atriz sensacional. Sem contar que essa bobagem do Oscar não premiar atores mirins é ridículo, né?

Atores mirins? Nunca serão. É tipo uma maldição. Mas a Melissa Leo ficou tão feliz que eu até comecei a gostar do resultado. Sério mesmo, simpatizei com a moça.

Melhor animação
“Toy Story 3” (VENCEU)
“Como Treinar o Seu Dragão”
“O Mágico”

Sem sombra de dúvida é Toy Story 3. Não precisa nem discutir.

Não precisa discutir mesmo.

Melhor roteiro original
“Minhas Mães e Meu Pai”
“A Origem”
“Another Year”
“O Vencedor”
“O Discurso do Rei”

A Origem. Muito bem bolado. Mas como o Oscar é tradicional, vai dar O Discurso do Rei. Mas queria que fosse A Origem.

Pois é, eu meio que já esperava isso. Mas é um roteiro bom, com certeza, bem bolado, bem escrito. Só achei o filme muito longo. Único defeito.

Melhor roteiro adaptado
“127 Horas”
“Bravura Indômita”
“A Rede Social”
“Toy Story 3”
“Inverno da Alma”

Se eu tentei ser racional no Roteiro Original, não vou ser nesse. 127 Horas mexeu muito comigo.

PQP!!!! Não concordo de jeito nenhum com esse. Okay, Rede Social é legal mas não tem o roteiro mais fantástico de todos nem passando longe. Pelamor!

Melhor filme estrangeiro
“Fora da Lei” (Argélia)
“Incêndios” (Canadá)
“Em Um Mundo Melhor” (Dinamarca)
“Dente Canino” (Grécia)
“Biutiful” (México)

Não vi, então não vou palpitar.

Melhor documentário
“Lixo Extraordinário”
“Trabalho Interno”
“Exit Through the Gift Shop”
“Gasland”
“Restrepo”

Não vi, então também não falo nada.

Melhor trilha sonora
Hans Zimmer, “A Origem”
Trent Reznor e Atticus Ross, “A Rede Social”
Alexandre Desplat, “O Discurso do Rei”
John Powell, “Como Treinar o seu Dragão”
A.R. Rahman, “127 Horas”

Gosto muito das trilhas do Hans Zimmer, mas a trilha de 127 Horas foi montada de uma forma muito bacana, mesclando elementos originais com músicas já existentes.

PUTA QUE PARIU! Foi mal pelo palavrão, mas ninguém merece esse resultado. Rede Social tem trilha sonora significativa???? Alguém viu o mesmo filme que eu? Diz que foi uma piada, vai.

Melhor canção original
“Coming Home”, de “Country Strong”
“I See the Light”, de “Enrolados”
“If I Rise”, de “127 Horas”
“We Belong Together”, de “Toy Story 3”(VENCEU)

WE BELONG TOGEEEEEEEEEEEEEEEEEEETHER. Essa música é de chorar, então… sem comentários.

Impressionante mesmo foi ouvir o cara dizer que já cantou mais de 20 vezes naquele palco. Agora, se a Gweneth Paltrow tivesse ganhado eu ia desligar a televisão. Sério. Quem diz que essa mulher canta? Que puxação de saco!

Melhor edição
“127 Horas”
“Cisne Negro”
“A Rede Social”
“O Discurso do Rei”
“O Vencedor”

Achei a edição muito bacana, segurou a onda de um filme que tem praticamente um ator e um cenário.

Que que foi isso? Sério, que que foi isso? Se tem uma coisa que não é legal nesse filme é a montagem. Sério, se mata. Acho que foi o Oscar mais mal dado de todos.

Melhor fotografia
“A Origem”
“Cisne Negro”
“A Rede Social”
“O Discurso do Rei”
“Bravura Indômita”

Cisne Negro é lindo. A fotografia consegue transparecer todo o sofrimento de Nina.

Fiquei surpresa, mas gostei. A fotografia é boa mesmo.

Melhor figurino
“O Discurso do Rei”
“Bravura Indômita”
“Alice no País das Maravilhas”
“I am Love”
“The Tempest”

Aposto no Western Bravura Indômita.

Um tanto exagerado, mas tudo bem. Okay.

Melhor direção de arte
“Alice no País das Maravilhas”
“A Origem”
“O Discurso do Rei”
“Bravura Indômita”
“Harry Potter e as Relíquias da Morte – Parte 1”

Aeh, porque esse filme foi bom, né? Finalmente!

Nesse quesito acho que eles não escolheram a melhor direção de arte e sim o filme que tinha MAIS direção de arte. Que exagero!

Melhor mixagem de som
“Salt”
“A Origem” (
VENCEU)

“O Discurso do Rei”
“Bravura Indômita”
“A Rede Social”

A Origem dá um show nesse quesito. Imagino que no cinema deve ter sido melhor ainda.

Melhor edição de som
“Toy Story 3”
“Tron – O Legado”
“A Origem” (VENCEU)
“Bravura Indômita”
“Incontrolável”

Qual diferença de Edição e Mixagem de Som? *ignorante* Mantenho o voto anterior. O google me disse que Mixagem de Som leva em conta todo o som do filme e seu equilíbrio, ou seja, barulhos, ruídos, diálogo, explosões. Já a edição de som fica com o barulho isolado, sem levar em conta o conjunto.

Melhor maquiagem
“O Lobisomem”(VENCEU)
“Caminho da Liberdade”
“Minha Versão para o Amor”

Foi o único que vi, então…

Melhores efeitos visuais
“Além da Vida”
“A Origem” (VENCEU)
“Homem de Ferro 2”
“Alice no País das Maravilhas”
“Harry Potter e as Relíquias da Morte – Parte 1”

Por mais tiete que eu seja, não vou votar em HP. Aquela luta sem gravidade de A Origem é muito bacana. E olha que eu não curto cenas de luta!

Eh, não tem como competir com cena de luta em gravidade zero.

Melhor curta-metragem
“The Confession”
“The Crush”
“God of Love”
“Na Wewe”
“Wish 143”

Não vi nenhum.

Melhor documentário em curta-metragem
“Poster Girl”
“Strangers no More”
“Killing in the Name”
“Sun Come Up”
“The Warriors of Qiugang”

Também não vi.

Melhor curta-metragem de animação
“Day & Night”
“Let’s Pollute”
The Lost Thing”
“The Gruffalo”
“Madagascar, Carnet de Voyage”

Não vi menos ainda.

Então, essas são minhas apostas. E vocês? Não deixem de comentar.

Até que não chutei mal. Mas fiquei revoltada com os prêmios de A Rede Social. Foi justo nas categorias que não merecia.

 

Extremamente inteligente e bem montado, A Origem é um filme obrigatório para qualquer fã de ficção científica. Assinado pelo diretor Christopher Nolan e estrelando Leonardo di Caprio e Ellen Page no elenco, o filme concorre ao Oscar nas categorias Melhor Filme, Melhor Roteiro Original, Melhor Trilha Sonora, Melhor Fotografia, Melhor Direção de Arte, Melhor Mixagem de Som, Melhor Edição de Som e Melhor Efeitos Visuais. (Para ler sobre outros filmes indicados ao Oscar 2011, clique aqui).

Dom (Leonardo di Caprio) é o melhor no que faz: entra nos sonhos das pessoas e rouba informações importantes de seus subconscientes. Sua técnica é primorosa: usa arquitetos para criar verdadeiras cidades imaginárias, químicos para sedar as vítimas, falsificadores para enganar a mente e até mesmo armadores somente para preparar armadilhas.

No entanto, Dom esconde de sua equipe que é atormentado pela lembrança da ex-mulher, Mal, e que é por causa dela que sua engenharia de sonhos não tem funcionado tão bem assim ultimamente. Mas é durante um desses mal-sucedidos trabalhos que recebe a chance única de sua vida: voltar para casa.

O filme é daqueles que você deve prestar atenção do início ao fim para não perder informações importantes. Cada detalhe é crucial. O roteiro é intrincado e super bem amarrado, contando com personagens bem desenvolvidas e trabalhadas.

As cenas de ação não são longas, o que para mim é sempre uma vantagem. E o drama é na medida certa, sem despencar para o melodrama exagerado. A atuação de Ellen Page também dá um gostinho a mais nesse quesito.

Na briga pelo Oscar, talvez tenha a chance de levar os prêmios técnicos e o Melhor Roteiro. Mas com certeza é um daqueles filmes geniais que dá vontade de assistir mais de uma vez.

O Oscar é hoje mas ainda estou firme na minha missão de comentar o maior número de filmes possíveis que concorrem às principais categorias. (Para ler as outras resenhas, clique aqui). E o filme da vez é a comédia Minhas Mães e Meu Pai, da diretora Lisa Cholodenko, estrelando nos papéis principais Annette Benning e Julianne Moore.

Ao contrário do que está escrito no cartaz oficial (clique na foto para ampliar), o filme é um retrato perfeito de uma família convencional. O fato da família ter um casal lésbico não influencia em nada a dinâmica pais-e-filhos, nem mesmo a dinâmica marid0-e-mulher. Os dramas vividos por Nic (Annette Benning) e Jules (Julianne Moore) são comuns a praticamente todas as famílias modernas: filhos rebeldes, diálogo difícil mesmo que os pais tentem uma abertura, dúvidas, filhos siando de casa, dificuldade de lidar com o cotidiano, filhos com amigos que não são uma boa influência, dificuldade em manter a relação amorosa saudável, etc.

A trama começa quando Laser (sim, o nome do garoto é Laser) pede à irmã mais velha Joni (Mia Wasikowska, de Alice no País das Maravilhas) que ligue para o doador de esperma de suas mães. Os dois são mei0-irmãos pois suas respectivas mães usaram o esperma do mesmo doador, Paul (Mark Ruffalo). Paul é dono de um restaurante que utiliza ingredientes orgânicos que ele mesmo planta e leva uma vida um tanto assim na boa, sem muitas preocupações. Desejoso de ter uma família, aceita conhecer Joni e Laser e mostra interesse em manter uma relação com os dois.

Obviamente, as mães não gostaram da idéia e logo começa uma verdadeira tensão na casa de Nic e Jules que se vêem ameaçadas pela presença de Paul. No entanto, a mãe que mais sente a situação toda é Nic, uma médica bem sucedida e durona que gosta de manter tudo sob controle. Vale lembrar que Annette Benning fez render os momentos mais emocionantes do filme e sua indicação ao Oscar de Melhor Atriz é mais que merecida, diferentemente da indicação de Mark Ruffalo ao Oscar de Melhor Ator Coadjuvante; não achei que foi tão incrível assim nada.

Os dramas familiares são mostrados de uma forma muito sensível e o filme faz pensar em algumas questões permanentes como: até que ponto pode-se interferir na vida dos filhos? Quando é que percebemos que uma relação está indo de mal a pior? Qual é o limite do ciúme? Isso tudo, sem esquecer, é claro, de alguns momentos muito engraçados.

O filme está indicado para a categoria Melhor Filme, mas duvido que vá levar, ainda mais com outros filmes com muito mais peso na parada. Não que não seja um ótimo filme, porque é, mas simplesmente porque o páreo está duro. Talvez possa levar a estatueta de Melhor Roteiro Origial, como aconteceu com a comédia de mesma linha, Juno.

Recomendo muito, principalmente para quem gosta desse estilo de filme comédia-drama-caótico. Com certeza um dos melhores do ano. Ah, e a trilha sonora também não deixa a desejar, ótima para colocar num Ipod ou MP3.

 

Seguindo nos meus comentários dos filmes indicados ao Oscar, vem agora O Discurso do Rei que, apesar de extremamente longo, consegue contar uma história sensível de superação e busca da identidade.

O então príncipe Albert de York (Colin Firth) sofre de uma gagueira incurável acompanhada de um temperamento nervoso e agressivo. Sua mulher, a princesa Elizabeth (Helena Boham Carter), é quem vai de terapeuta em terapeuta buscar algum tratamento para o marido. E eis que então ela encontra o controverso e pouco ortodoxo Lionel Logue (Geofrey Rush), um australiano famoso por curar problemas de fala aparentemente impossíveis.

Já nessa primeira cena do encontro da princesa com o australiano (e vamos lembrar que a Austrália na época era considerada o fim do mundo) podemos ver os costumes estranhos e o comportamento da família real britânica. É até assustador o fato de que os dois príncipes tenham aceitado o tratamento de Logue, que chamava o príncipe de Bertie e toca em assuntos super pessoais.

Aos poucos, o príncipe começa  a melhorar a gagueira, mas é então que um novo desafio aparece: seu irmão, feito rei após a morte do pai, resolve abdicar o trono para se casar com uma mulher divorciada. Albert é então forçado a assumir a coroa, mesmo com seus problemas para falar em público.

O nome assumido por ele em homenagem a seu pai é George VI, pai da atual rainha, Elizabeth II. O roteiro do filme foi feito por um dos netos de Logue, que adaptou tudo a partir das anotações e cartas entre o pai e o monarca inglês. Seguindo o estilo da cinebiografia ao lado de A Rede Social e 127 Horas, O Discurso do Rei perde no quesito impactos escandalosos, mas ganha em sensibilidade e emoção. Afinal, é importante lembrar que George VI foi rei durante a Segunda Guerra Mundial e tinha que fazer discursos não só para as forças armadas como também para o povo.

A amizade entre Logue e o rei é retratada de uma forma única por Geofrey Rush e Colin Firth e a indicação de ambos para a categoria Melhor Ator Coadjuvante e Melhor ator, respectivamente, são justificadíssimas. Inclusive, Colin Firth fez um gago perfeito, sem parecer falso ou exagerado. Imagino o quanto não deve ter sido difícil atingir esse ponto.

Recomendo o filme, mas já aviso para ter paciência: o filme é bem longo. Sem contar que o campeão de indicações ao Oscar e favorito a ganhar a estatueta de Melhor Filme.

 

Depois de ter assistido ao fantástico Cisne Negro, achei que nada poderia mexer comigo esse ano em termos de cinema. Isso até conferir o inacreditável 127 Horas, do diretor Danny Boyle, estrelando James Franco no papel principal.

O filme é baseado numa histórica verídica. E só isso já é suficiente para arrepiar qualquer um. No entanto, diferente de outras cinebiografias, o filme não ficou piegas nem pintou o personagem principal como um grande herói. Pelo contrário, o drama foi feito na medida certa, sem despencar pro melodrama e evitando qualquer heroísmo injustificado. E vamos agradecer à brilhante edição e montagem por isso porque segura durante quase duas horas uma história que tem basicamente um único cenário e um único ator.

E vamos à história. Aron Ralston, ex-engenheiro mecânico que decidiu largar uma carreira brilhante para se dedicar à sua paixão por aventuras (especialmente alpinismo), vai passar um fim de semana (em Maio de 2003) nos canyons do estado americano de Utah. Ralston faz tudo: mountainbike, alpinismo, natação, descidas perigosas em fendas. Tudo mesmo. Ele não tem medo de nada, se cai e machuca, levanta e continua. Um cara super bem-humorado e simpático, mas que acha que pode fazer tudo isso sozinho. Durante uma descida entre rochas do canyon, acontece um deslizamento e uma rocha imensa esmaga o braço direito de Ralston. E ele fica preso, totalmente isolado, no interior da fenda. Pior: ele não avisou a ninguém para onde estava indo. Como diz o próprio Ralston: “Oops”.

Essa é a posição em que Ralston ficou durante 127 horas. Sua mão direita foi completamente esmagada pela pedra.

James Franco, conhecido principalmente pela sua atuação como o Harry da trilogia Homem Aranha surpreendeu ao mostrar todo seu potencial como ator. Ele consegue transmitir todo o desespero de Ralston mas ainda mantendo o bom humor e o otimismo (características essenciais de Ralston como pessoa) sem soar falso ou ridículo. Na tela praticamente 95% do tempo de filme sozinho, James Franco mereceu sem sombra de dúvida sua indicação ao Oscar de Melhor Ator de 2011. E seria justíssimo que o moço levasse a estatueta para casa.

A trama mexe com o espectador. Contando com apenas meio litro de água, um canivete-alicate cego, uma mochila com dois pacotinhos de comida, algumas cordas de alpinismo, uma câmera de vídeo e outra fotográfica, Ralston tenta sair da situação. E o cara tenta de tudo. Empurrar a pedra, mover a pedra, escavar a pedra, içar a pedra. E ele não desiste.

A partir de agora esse post pode conter spoilers. Se você não gosta de spoilers ou não quer saber o final do filme, não leia.

Por conta da privação de comida e água, Ralston tem várias alucinações. E elas ficaram perfeitamente encaixadas no roteiro, que por falar nele, é primoroso. Amarradinho, totalmente justificado, não nos assustamos com as ações do protagonista, pois tudo foi embasado e mostrado anteriormente. Vale levar o Oscar de Roteiro Adaptado também. (A história foi adaptada pelo diretor a partir do livro Between a Rock and a Hard Time escrito pelo próprio Aron Ralston).

 

Cenas da câmera do próprio Aron quando esteve preso. O filme captou direitinho até mesmo a luz e o ângulo da câmera.

É impressionante ver como Ralston não desiste. E principalmente, como ele não pensa em suicídio. Com tanta corda disponível, a maioria das pessoas provalmente pensaria em se enforcar, mas o cara aguenta firme, sempre pensando numa saída. E ele passa horas tentando. Dias tentando. E enquanto não tenta, ele repensa sua vida e suas atitudes. Até que durante o último dia, ele reconhece suas próprias fraquezas de uma forma emocionante. Ele diz: “Essa pedra me esperou a vida inteira. Tudo que fiz em minha vida me levou a esse lugar”. Vendo a si mesmo como um cara egoísta e egocêntrico, Aron percebe que aquele era o lugar perfeito para descobrir que não se pode fazer nada sozinho.

Desesperado depois de tentar de tudo e morrendo de desidratação, ele tem uma alucinação muito forte: vê a si mesmo no fundo da caverna com um menino que aparentemente era seu filho (lembrando que Aron não tinha filhos). Decidido a não desistir, Ralston percebe o único jeito de sair dali: amputar o próprio braço com o canivete cego.

Nem preciso dizer que a cena é horrível. Pessoalmente, eu não vi. Fechei o olho que nem criança mesmo e só abri depois que acabou. Para conseguir, ele quebrou os dois ossos (ulna e tíbia) e saiu dilacerando o resto sem desmaiar. Claro que vale lembrar que Ralston sabia o que estava fazendo. Ele sabia exatamente onde cortar e tinha feito um torniquete. Então o cara não era assim um zé do nada. Digo que é uma cena muito muito forte e realista e que só pessoas de estômago forte deveriam ver. Sério mesmo.

Depois disso ele tira uma foto do lugar e agradece a experiência. O.O Escala a fenda até a superfície, anda cerca de 12km até encontrar uma família que lhe dá água e corre para chamar o resgate. Mas mesmo assim Aron ainda tem que andar alguns quilômetros até que o elicóptero chegue. Chocante? Chocante.

É absurda a vontade de viver desse homem que andou até o hospital e apontou o lugar onde esteve num mapa. (essa informação não está no filme e sim relatada em seu livro. Para ver:
http://www.spirituallyfit.com/volume5/issue2/stories/aron1.htm ou
http://gc009.k12.sd.us/climb_utah.htm) Vale contar também que até hoje ele pratica esportes radicais, mesmo com a ausência do braço direito.

Enfim, um filme excelente, maravilhoso e muito, muito sensível. Eu recomendo muito para todos (é só não ver a cena da mutilação). Alta qualidade em roteiro, direção, direção de arte, trilha sonora e atuação. Merece sim muitas estatuetas!

 

Esse foi o resultado do teste Qual heroína de Jane Austen você é?. Para fazer o teste, é só entrar no blog Por Essas Páginas. [O teste está em inglês]

Elizabeth Bennet talvez seja uma das mais conhecidas heroínas de Jane Austen. Protagonista do romance Orgulho e Preconceito, Elizabeth é uma jovem fora das convenções sociais de sua época. No entanto, ela não tem ideais loucos de amor ou ambições desmedidas. Lizzy (como os fãs de Austen a chamam frequentemente) tem o pé no chão e não aceita idéias pré-estabelecidas sem refletir.

Então, poxa o que é que eu tenho em comum com Miss Bennet???? Fora lá meu quê para roupas da era regencial (aaaaaaaaaaaawn elas são lindas), talvez meu grande elo com a personagem seja o fato de que apesar de ser uma pessoa racional, ela tem lá seus acessos de passionalidade aparentemente sem motivo. Gostar demais de uma coisa, apesar de ser versátil. De repente ter vontade de sair correndo, rindo, sem motivo. Essas coisas que fazem a vida ser mais brilhante.

E vocês, qual heroína de Jane Austen você é?

 


ENQUETE!

Sem falar muito

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