Mundo de Coisas Minhas

Archive for julho 2010

Hoje é aniversário de alguém que me acompanhou durante 10 anos bem de perto. Alguém que esteve comigo em momentos tristes e felizes, alguém com quem eu convivi de uma maneira tão próxima que chega até ser difícil explicar o nosso grau de intimidade. Hoje é o aniversário de Harry Potter.

Okay, primeiro parágrafo brega até o talo, mas é assim mesmo que eu me sinto. Nunca esqueço o 31 de julho, é uma coisa incrível. É como se fosse o aniversário de um grande amigo, daqueles que você pensa “Okay, semana que vem é o aniversário do fulaninho”.

Faz três anos que Harry Potter acabou, mas mesmo assim, tudo isso é parte da minha vida. Faço piadinhas sobre o universo Harry Potter; sinto frio na barriga quando vejo alguma referência em algum outro texto, livro ou filme que eu goste muito; fico brava se alguém fala mal ou demonstra algum preconceito pela série sem ter algum fundamento; passo horas discutindo questões dos livros; sonho com Harry Potter; releio os livros e sinto as mesmas emoções. Eu tenho quase 21 anos e bem, sinto que vai ser assim pra todo o sempre. Porque Harry Potter fez o que nenhuma série nunca fez: me fez acreditar. Não no sentido de achar que existe de verdade, mas no sentido de me apresentar um mundo completo, com personagens cativantes, uma história bem fechada, e um mundo de possibilidades racionais (dentro das regras desse mundo).

Eu tinha 10 anos e gostava de livros de fantasia, então eu li Harry Potter. Eu tinha 13 anos, me sentia sozinha e isolada, então eu li Harry Potter. Eu tinha 15 anos e queria ser escritora, então eu li Harry Potter. Eu tinha 17 anos e tinha medo de crescer, então eu li Harry Potter.

Obrigada, J.K.Rowling, por ter mudado minha vida. Parece brega, mas acredite, não é não.

No começo do ano, minha amiga Amanda e eu trocamos livros. Sabe como é: temos um gosto literário bem parecido e de vez em quando fazemos um escambo. Nessa útima leva, Amanda levou o primeiro volume de A Torre Negra, O Guia do Mochileiro das Galáxias e o último volume de Fronteiras do Universo, A Luneta Âmbar e eu fiquei com Artemis Fowl – A Vingança de Opala, O Dia do Curinga e um livro fininho chamado Contos do Esconderijo. Li primeiro Artemis Fowl (que preciso devolver ainda rs), depois O Dia do Curinga. Começa o drama da faculdade e o tempo de leitura cai consideravelmente. Em quatro meses minha vida de leitura se reduzia a e-mails e contos e romances canadenses pra faculdade. Entrei de férias e decidi terminar de ler minha pilha de “livros emprestados” o que me levou à pilha da Amanda, cujo único volume restante era Contos do Esconderijo.

Esse livro é uma coletânia de fábulas, contos, histórias e ensaios escritos por Anne Frank (ela mesma, fugitiva na segunda guerra mundial). Conheço Anne Frank, óbvio, e eu sabia que a Amanda é simplesmente apaixonada pela história dela, mas eu nunca realmente tinha parado pra pensar sobre ela, sabe. Nunca tinha chamado meu interesse. Meus pais leram o diário, mas eu não sei porque nunca li. Ficava sempre pra uma próxima uma próxima uma próxima… Completamente despreocupada comecei a ler Contos do Esconderijo e fiquei completamente sem palavras à medida que ia lendo…

Eu sei que a Teoria da Literatura vai rejeitar tudo que vou dizer agora, mas PROBLEMAS, eu preciso dizer: como é que alguém que viveu anos dentro de um porão consegue falar sobre felicidade de uma forma tão… viva?????????? Eu fiquei com vergonha, essa é a verdade, com vergonha mesmo de reclamar da minha vida e fazer draminha mi mi mi mi. É simplesmente assombroso. Anne Frank escreveu sobre fadas e elfos, sobre meninas solitárias, sobre a guerra, mas em todas as histórias, absolutamente em todas, estavam temas como caridade, amor pela natureza, amor ao próximo. As discussões que ela traz sobre a existência de Deus e sobre a natureza dos homens são extremamente complexas para uma menina da idade dela (ela seria uma escritora genial se tivesse sobrevivido ao campo de concentração) e no fim há sempre uma visão positiva, uma luz no fim do túnel.

Quando terminei de ler um livro fiquei sem palavras; não conseguia nem pensar direito! Como se pode ter vislumbres de felicidade e amor numa situação como aquela? Eu me sinto pequena por não poder ser capaz de enxergar o amor no mundo em situações difíceis na minha vida como perder um ônibus ou chegar cansada do trabalho. Shame on me. Como é que a gente vive procurando ser feliz e não dá a mínima pra felicidade que está ao redor de nós?

Talvez o grande lance da vida seja ser capaz de, num momento de extrema tristeza, oferecer felicidade a alguém. Mesmo que você esteja preso num porão.

Comprei esse livro em novembro do ano passado e terminei de ler ontem. Não, não é porque o livro é ruim, mas porque eu não tive tempo mesmo. Na verdade, gostei bastante do livro que é bem naquele estilo do Bernard Cornwell: uma história masculina até o último grão de poeira.

Nesse mundo literário com correntes de escrita feminina e coisa e tal eu classifico Cornwell como um escritor de escrita masculina. E antes que alguém venha com o comentário óbvio “mas ele é homem!” eu explico que escrita feminina e masculina não tem nada a ver com o sexo do escritor e sim com as características do texto escrito. Proust, por exemplo, é um escritor de escrita feminina. Pode ter uma mulher que escreva com numa escrita masculina também… Voltando ao Cornwell… Adoro! Com certeza As Crônicas de Arthur é uma das melhores séries que giram em torno do Rei Arthur (e olha que já li um bocado), mas cuidado: ele é a antítese de As Brumas de Avalon, então não espere mulheres tomando a frente porque o lance do Cronwell é homem suado indo pra guerra fedendo depois indo transar com a esposa sem tormar banho carregando a cabeça do inimigo num cesto. Eu falei, masculino até o talo. As mulheres nos livros do Cornwell ou são loucas varridas ou são submissas e pacatas. Eu até me sentia incomodada com isso até que comentei o fato com meu namorado e ele disse: “Bem, você queria o quê? Mulher da Idade Média ou pior, da Idade da Pedra queimando sutiã e fazendo grandes coisas? Duas opções: ou ela é dona-de-casa ou ela é louca”. Pois é…

Stonehenge, como os outros livros do autor, é uma ficção com algum embasamento histórico ou seja: os personagens e acontecimentos narrados são totalmente fictiícios, mas os lugares e o background são descritos baseados em documentos históricos. O problema do Stonehenge é que não tem documento histórico porque aquele círculo de pedras data de 3.000 a.C! Gente, a história se passa na Idade do Bronze. Eu juro que antes de ler esse livro não conseguia nem imaginar como desenvolver uma história na Idade do Bronze que é tipo uma evoluçãozinha da Idade da Pedra!

O livro é em terceira pessoa mas tem foco narrativo em Saban, um dos filhos do chefe da tribo de Rhatarryn. Ele é um homem mais sensível, quer dizer, o máximo que se pode ser sensível no período neolítico o que basicamente significa que ele não sai matando todo mundo quando dá na telha. Gostei bastante do personagem, ele realmente cativa. A história começa quando ele é criança e vai até sua velhice o que é fascinante. Aliás, as reviravoltas da narrativa são muito legais! Quando você pensa que okay, agora esse povo cansou, aparece mais uma coisa e tudo vira de cabeça pra baixo.

A teoria da construção do Stonehenge no livro é de que o templo serviria para unir os deuses do sol e da lua (por isso o círculo de pedras acompanharia de forma tão perfeita os solstícios e as fases lunares). E a idéia de construir o templo é de Camaban, irmão de Saban, um dos personagens mais doidos varridos em termos de messianismo que eu já vi. Uma intricada rede de acontecimentos ronda a idealização/construção/pseudo-finalização do Stonehenge dentre eles casamentos, guerras, brigas, guerras, problemas de transportes de pedras de 10 toneladas quando não se existem guindastes, guerras, etc.

O livro me surpreendeu em vários momentos e achei que foi verossímil na medida do possível (a não ser que você seja um historiador do período neolítico). Os personagens são muito bem construídos e a narrativa é feita de um jeito dinâmico, sem muito bla bla bla. Como eu disse, é masculino: na lata e sem rodeios. Meu único problema na hora de ler foi que as descrições de construção não me ajudaram em nada. Por exemplo, o cara falar que vai construir um apoio oblongar para impulsionar a pedra que ficará num ângulo de não sei quantos graus é grego pra mim. Eu não entendo descrições matemáticas! Me senti burra, sério mesmo. Não conseguia visualizar! Descobri que só entendo descrições de lugares por metáforas e comparações. Tem hora que eu realmente acredito nesse lance de diferença entre cérebros de homens e mulheres. Tipo que homem vê mapa por comparação geométrica e mulher vê por referências.

Recomendo Stonehenge pra se ler nessas férias!

Okay, acabei de chegar do cinema. Gastei 5 reais no Diamond Mall para ver e bem, achei bem mediano. A impressão que tive foi de que a história podia ter dado muito mais. A idéia até que é interessante: Shopie, uma moça de Nova York, vai pra Verona com o noivo numa espécie de pré-lua-de-mel. As coisas não saem do jeito que ela planejou e ela acaba se envolvendo com as “Secretárias de Julieta”, mulheres que respondem aos bilhetes e cartas deixados por moças apaixonadas do mundo todo em uma parede de Verona. Todo dia essas “secretárias” recolhem as cartas e respondem. Sophie encontra uma carta que ficou escondida por 50 anos e resolve respondê-la. É então que a velha senhora inglesa Claire volta a Verona para tentar encontrar seu amor perdido, Lorenzo.

O filme tem duas horas. E o que poderia ser interessante, acaba virando um lenga-lenga. Todo mundo sabe que Sophie vai ficar com o neto da Claire desde o começo. Okay, podem dizer que isso é um cliché de comédia romântica, só que o como eles ficam juntos também não tem muita graça. Aliás, o que salva o filme é Claire, a velhinha fofa e romântica vivida por Vanessa Redgrave.

Infelizmente a impressão que eu tive de que esse filme lembrava um pouco Sabrina Vai À Roma é verdade. Filme legal, vale a pena pra distrair de tarde e fugir da sua avó, mas nada incrível.

P.S: eu não sei porque mas o cartaz desse filme está em todos os pontos de ônibus de Belo Horizonte, mas o filme só passa no Diamond. Obviamente, Eclipse não deixa. Mas deixa o Eclipse pra outro post…


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